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Vitória na Bolívia contra a direita é aprendizado para o Brasil, diz Nobre a Arce

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Presidente da Bolívia Luis Arce, em visita a CUT, falou de como os socialistas superaram tentativa de golpe. Para Sérgio Nobre, experiência do país mostra que os golpistas são poderosos, mas não invencíveis

 

 

É possível derrotar a direita golpista, promover o bem estar social, diminuir a desigualdade econômica, taxar grandes fortunas, distribuir renda, e ainda unir os povos latinos americanos e caribenhos. Esta foi a mensagem deixada pelo presidente da Bolivia, Luis Arce, durante a visita que fez à sede da CUT Nacional, em São Paulo, nesta terça-feira (16).

 

 

Arce foi recebido pelo presidente da Central, Sergio Nobre, numa cerimônia de boas vindas que contou com a presença do ex-ministro do Trabalho e Previdência, Luiz Marinho, o ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da educação, Fernando Haddad, o vereador Eduardo Suplicy (PT-SP), e representantes do Partido dos Trabalhadores, do MTST e da UNE, entre outras autoridades, além de integrantes da comunidade boliviana, em São Paulo.

 

 

Em sua saudação, Sergio Nobre lembrou que a experiência boliviana contra o golpe de 2019, que impediu Evo Morales de ser reconduzido ao cargo é um aprendizado para o Brasil,que viu a Operação Lava Jato impedir o ex-presidente Lula de ser candidato à presidência da República, nas eleições de 2018,  num esquema do judiciário,  totalmente arbitrário, que levou Jair Bolsonaro (ex-PSL) ao poder. Com a impossibilidade de Morales ser candidato, Arce foi indicado para disputar a eleição, apoiado pelo ex-presidente boliviano, e acabou vencendo em primeiro turno.

 

 

“As mesmas pessoas do sistema financeiro internacional que deram golpe aqui no Brasil, interessadas no petróleo do pré-sal, são as que tentaram dar o golpe na Bolívia, interessadas nas reservas de lítio”, disse Nobre.

 

 

“Aqui Bolsonaro está privatizando aos poucos nossas estatais, que eram  fontes de financiamento do  serviço público . Ele quer acabar com serviço público no Brasil e, isto é uma coisa terrível porque o nosso país nunca viveu um momento de crescimento, que não tivesse planejamento do Estado”, complementou.

 

 

Para o presidente da CUT Nacional, o que aconteceu na Bolívia com Arce vencendo no primeiro turno, com 55% dos votos válidos, pode ocorrer no Brasil com Lula, como mostram as pesquisas.

 

 

“Se a gente olhar todas as lições de outros países da nossa região verá que sempre foi muito difícil para a esquerda vencer, seja na Venezuela, no Equador  no Peru, e aqui não será diferente. Mas, a  experiência da Bolívia é muito importante para nós, porque mostra que os golpistas são poderosos, mas não são invencíveis. Vocês venceram lá e nós vamos vencer aqui”, declarou, ao encerrar o discurso de boas vindas ao presidente boliviano.

 

Roberto Parizotti (Sapão)
Presidente da CUT, Sérgio Nobre e o presidente da Bolícia, Luis Arce. Foto: ROBERTO PARIZOTTI (SAPÃO)

 

Luis Arce relatou como os socialistas conseguiram derrotar a direita, apesar das perseguições, do apoio da mídia conservadora ao seu adversário, em nome de uma suposta constitucionalidade do golpe em curso, e da elite do país que reascendeu um discurso racista contra os povos indígenas, obrigando-os, muitas vezes, especialmente as mulheres, a evitar usar o traje tradicional de sua etnia.

 

 

“A direita conseguiu o apoio da classe média, incentivando o ódio racial, que é o pior dos insultos,  satanizando o socialismo e dizendo que as pesquisas davam empate quando na verdade estávamos 22% à frente”, disse o presidente da Bolívia.

 

 

Segundo ele, foi incentivando o povo a votar e esclarecendo que se não ganhassem no primeiro turno, a direita se uniria em torno de um candidato, colocando em risco a retomada da economia, e os investimentos em saúde e educação, além de fazer a opinião pública entender que a direita conspirou até o último dia, que a situação se reverteu a favor dos socialistas.

 

 

“Um país cresce mais rapidamente quando há mais igualdade para os pobres”, concluiu Luis Arce.

 

 

Haddad e Marinho destacam união das esquerdas na AL

 

 

O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação ,Fernando Haddad, destacou a importância da união das esquerdas na América Latina . Segundo ele, somente os governos progressistas têm um projeto de integração da região.

 

 

“A América Latina não tem chance de sobreviver nesse mundo, sem se integrar. Sempre achei que a nossa integração ocorria de forma muito lenta, quem sabe depois dessa hecatombe da extrema direita, a gente tome consciência de fazer esta integração mais rapidamente”, disse.

 

 

Otimista com relação a um possível terceiro mandato do ex-presidente Lula, disse esperar que esta integração seja mais rápida. Ao ser perguntado se Lula já tinha se decidido em ser candidato à presidência, brincou: “ a gente decide por ele”.

 

 

“Precisamos derrotar o fascismo, de preferência no primeiro turno. Se o fascismo for para o segundo turno, ele vai disputar corações e mentes. No que depender de mim, vou lutar para Lula vencer no primeiro turno e dar tranquilidade a ele para governar” ,declarou Haddad.

 

 

Para o ex-ministro do Trabalho e Previdência, Luiz Marinho, a classe trabalhadora tem um importante papel nesta conjuntura, em que a extrema direita está no poder.

 

 

“A visita de Luis Arce à CUT é uma sinalização importante de que a resistência tem um papel significante neste processo, e isto passa pela classe trabalhadora e pelos processos eleitorais nas janelas democráticas, e o ano que vem é uma janela democrática importante para o Brasil e a América Latina. Está em jogo o processo liderado no Brasil, pelo presidente Lula, e em São Paulo, liderado por Haddad”, afirmou Marinho.

 

 

Segundo o ex-ministro, a eleição do Lula terá um peso muito grande também na América Latina. A sua viagem à Europa, ignorada pela mídia, é uma demonstração deste significado.

 

 

“Lula é a esperança do povo brasileiro, de um líder que pensa além das nossas fronteiras, junto com outros líderes, que resiste ao fascismo, ao liberalismo. Nossa missão é vencer as eleições para combater a fome, e se combate a fome, além das políticas sociais, gerando emprego de qualidade, o que as reformas trabalhista e da previdência não fizeram”, destacou.

 

 

 




 

 

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