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Poderiam ter feito mais e melhor no combate a Covid-19, adverte presidente do Conselho de Saúde

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Praticamente a um dia do réveillon, preocupa o comportamento social da população de Brasília frente à pandemia do coronavírus. Com a taxa de isolamento em queda e o número de novos casos e mortes em alta, as aglomerações com as festas de fim de ano podem resultar no colapso do Sistema Único de Saúde (SUS). Cidades como Campo Grande estão vivenciando a ausência de vagas em UTIs.

 

No início da semana passada, 85% dos leitos de UTIs estavam ocupados em Brasília. Ontem a taxa caiu para 72%. “Os números estão oscilando muito, é verdade. Por isso precisamos ficar alertas. Mas uma coisa é extremamente preocupante, o comportamento social. Shoppings cheios e muitas aglomerações”, adverte a presidente do Conselho de Saúde no DF, Jeovânia Rodrigues.

 

O DF fechou o ano de 2020 com o registro de 4.263 pessoas mortas em decorrência do coronavírus. “O SUS está sendo muito demandado e os profissionais de saúde estão exaustos. Não há descanso nessa guerra. A população precisa colaborar, fazendo a sua parte”, alerta Jeovânia.

 

“Mas por outro lado, o negacionismo, gente não querendo se vacinar, pessoas muito pouco preocupadas com a pandemia, que não usam máscaras e se quer higienizam as mãos estão contribuindo substancialmente para o aumento no número de novos casos”, acrescenta.

 

Segundo Jeovânia, a forma como a Saúde está sendo conduzida também contribui para a ampliação do problema. Para ela, falta coordenação por parte dos governos estadual e federal. “Faltam políticas de Estado mais intensas e não só na Saúde. Poderiam ter feito mais e melhor, com mais restrições, interferindo no ciclo das contaminações. Infelizmente os números preocupam e o hospital de campanha de Ceilândia, que poderia estar atendendo a população, ainda não foi inaugurado”, adverte.

 

Imunização

De acordo com Jeovânia, a falta de coordenação articulada no Ministério da Saúde reflete também na vacina. Mais de 40 países já estão vacinando suas populações. Por outro lado, no Brasil, talvez só em fevereiro as primeiras pessoas devam ser imunizadas.

 

“A falta de um programa nacional preocupa e muito. Estamos estagnados por questões políticas e ideológicas. Os estados, cada um, estão correndo atrás por conta própria. Isso nunca foi assim. Falta coordenação articulada do Ministério da Saúde. O Brasil tem um histórico respeitável, de vanguarda, na imunização da sua população. Em vários momentos da nossa história, em outras pandemias inclusive, havia coordenação. Hoje não temos”, lamenta Jeovânia.

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