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Livro de sexta-feira da Editora UnB: Dois ensaios sobre Utopia, de João Almino

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Mais um livro brinde que a Editora UnB oferta a seus leitores. Desta vez temos “Dois ensaios sobre Utopia”. O autor, João Almino, mostra que o tema do clássico livro de Thomas More continua atual e merece reflexão renovada.

 

Nesta sexta-feira, 05/06, acesse o site www.editora.unb.br e baixe o livro gratuitamente.

 

Sinopse – Utopia é “aquele livro que uma nação ou grupo de nações ou o longo do tempo decidiram ler como se em suas páginas tudo fosse deliberado, fatal, profundo como o cosmos e capaz de interpretações sem fim… é um livro que as gerações humanas, premidas por razões diversas, leem com prévio fervor e misteriosa lealdade” (Jorge Luis Borges). É com essa epígrafe que João Almino começa o seu primeiro ensaio. Ao justificar sua reflexão sobre a obra de Thomas More (1408-1535), Almino diz que não há dúvida de que essa obra pode ser considerada um clássico. Passados mais de 500 anos de sua publicação, Utopia “continua nos interessando e gerando novas interpretações”.

 

No primeiro ensaio, Almino traça um resumo da obra de More, demarcando o lugar legítimo de sua especificidade sem deixar escapar a possibilidade de se identificar nele “traços que poderiam ser atribuídos ao realismo político, a ideologias que surgiram mais tarde, como o liberalismo e o socialismo, bem como a germes de despotismo”. Almino convida o leitor a examinar com atenção a descrição que More faz dos costumes, das leis e instituições. Segundo ele, por meio da dialética dos diálogos e do confronto entre os personagens é possível descortinar a reflexão que o livro Utopia provoca – deixa espaço para o dissenso, as opiniões contrárias, as lacunas e esquecimentos. Em suas palavras, o que o grande pensador humanista e seus personagens nos dizem é nos interrogar, nos fazer pensar e nos lançar desafios.

 

No segundo ensaio, Almino reafirma que há muito em Utopia a ser refletido sobre as relações externas da ilha imaginária da Utopia, termo que, em grego, significa “não há tal lugar” e recomenda uma leitura sistemática sobre os temas da paz e da guerra, das finanças e do comércio entre os povos, da colonização e da imigraçãoEle observa que More pensou a utopia no contexto internacional bem antes de Rosseau ou Kant, “porém, num sentido diverso do ideal da unidade política europeia do primeiro ou da constituição cosmopolita do segundo, em que se respeita a soberania e autodeterminação dos povos”.

 

Nesta obra, João Almino propõe a leitura de Utopia em suas variantes, principalmente em relação ao fato de que More talvez não tivesse ideia de que, ao fazer ressalvas às instituições da ilha Utopia, “estava também criando uma distopia, uma utopia negativa, ao imaginar aquela ilha”. Segundo ele, “o inferno, como a Utopia, está cheio de boas intenções. Muito já se comentou sobre a organização totalitária de uma sociedade que se quer transparente para si mesma e onde não há divisão entre o público e o privado. Mas distopia existe também nesta ordem internacional, unilateral, em que as regras são impostas por um só ordenador do mundo, autossuficiente e todo poderoso intérprete do bem, que se crê detentor dos valores da civilização”.

 

Por essas, razões, o livro de João Almino é indispensável para se entender a obra de Thomas More, bem como a tarefa de entender o mundo atual.

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