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Funai aciona PF e intima líder indígena Sônia Guajajara por críticas ao governo Bolsonaro

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A líder indígena Sonia Guajajara e ex-candidata a vice-presidente da República, em 2018, pelo PSOL, denunciou, nesta sexta-feira (30), que foi intimada pela Polícia Federal (PF) a prestar depoimento como representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).

 

Segundo ela, a intimação foi feita pela Fundação Nacional do Índio (Funai) por causa da websérie Maracá, na qual denuncia a situação dos povos indígenas na pandemia da Covid-19.

 

“O presidente da Funai [Marcelo Augusto Xavier da Silva, delegado da Polícia Federal] alega que a Apib difamou o governo e divulgou dados falsos sobre o novo coronavírus. Primeiro, não é difícil que os dados de qualquer organização sejam bem diferentes dos dados do governo federal. O negacionismo de um líder político reflete nos dados de seu governo. Segundo, basta uma pesquisa simples no Google para saber que não sou só eu que representa a Apib. Somos uma coordenação colegiada”, disse a líder, nesta sexta-feira, durante a live de encerramento da Acampamento Terra Livre (ATL), uma mobilização indígena realizada virtualmente.

 

 

“Não é mais segredo para ninguém que o governo brasileiro declarou guerra aos seus povos originários. O governante é incapaz de compreender sequer que nossa cultura é algo vivo e dinâmico. Nunca imaginamos ter que reafirmar o que é óbvio”, afirmou Sonia.

 

 

A APIB disse em nota que o ”Governo Federal tenta criminalizar o movimento indígena”.

 

 

“Os discursos carregados de racismo e ódio do governo federal estimulam violações contra nossas comunidades e paralisa as ações do Estado que deveriam promover assistência, proteção e garantias de direitos. E agora, o governo busca intimidar os povos indígenas em uma nítida tentativa de cercear nossa liberdade de expressão, que é a ferramenta mais importante para denunciar as violações de direitos humanos”, escreveu a entidade.

 

Inúmeras lideranças políticas manifestaram apoio a Sônia Guajajara, dentre eles a presidente nacional do PT e deputada federal (PR), Gleisi Hoffmann; Guilherme Boulos, do PSOL; e o ex-presente Luiz Inácio Lula da Silva, que escreveu em seu Twitter: “É o governo da mentira perseguindo e tentando intimidar aqueles que denunciam a verdade. Não vão conseguir”.

 

A Polícia Federal disse à imprensa que não se manifesta sobre investigações em andamento devido ao sigilo decretado pela Justiça.

 

 

Com informações do UOL

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