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Vida ou morte (sobre a vacinação)

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, determinou, no último domingo, 12/12, que o Ministro da Saúde, Ricardo Pazuello, informe em 48 horas as datas de início e os prazos em que ocorrerão as etapas da vacinação no Brasil contra o novo coronavírus.  Apesar do governo federal já ter apresentado o plano nacional de vacinação contra a Covid-19, não há no mesmo a precisa informação de quando as etapas vão acontecer e quanto tempo vão durar. A Advocacia-Geral da União também foi intimada sobre o pedido de informações.

 

O Brasil caminha a reboque do mundo nessa crise pandêmica. Lideramos, desde o início, o negacionismo. Era só uma gripezinha. Nos atrasamos na estrutura inicial de combate com o tratamento adequado. Corremos atrás de respiradores e montamos leitos de UTIs quando o número de infectados já estava incontrolável. Levantou-se a possibilidade da miraculosa cloroquina, que logo ficou demonstrada como ilusão.

 

Mesmo com todos os sinais de uma nova onda assombrando a Europa e o mundo, continuamos acreditando que os números em queda aqui no Brasil se manteriam pra sempre e agora a tal da segunda onda parece estar nos nossos calcanhares, mostrando mais uma vez que fomos retardatários em nos prevenir diante de todos os alertas que essa pandemia não cansa de nos emitir.

 

Mas o último mês do ano, dezembro, reacendeu as esperanças com as primeiras pessoas vacinadas na Inglaterra. Um país que desenvolveu a vacina um tanto quanto silenciosamente e já começa a dar respostas à sua população. A vacina é a maior e melhor notícia que se tem sobre o combate ao vírus nesse nebuloso ano de 2020. E o melhor ainda, é que o mundo já vem testando mais de uma. Tem a russa, a chinesa, a americana, etc.

 

A decisão do ministro do STF joga pressão no governo federal. Já não era sem tempo. O presidente do Brasil é o líder do negacionismo e a todo momento faz piada com o assunto mais sério dos últimos anos: a pandemia. Chegou a comemorar de certa forma, quando um dos voluntários dos testes morreu, afirmando que tinha razão quanto à falta de eficácia da vacina, mesmo sem saber que a morte nada tinha a ver com os testes.

 

A vacina que está sendo desenvolvida no Brasil já sofreu todo tipo de ataque tendo como pano de fundo a vinculação com a China. O governo brasileiro não se cansa de deixar transparecer o incômodo e a sensação de derrota se a CoronaVac der certo, primeiro por conta da China e depois, por conta do apoio que a mesma possui do governo do estado de São Paulo.

 

Todos os erros e atropelos já foram cometidos. Chegamos a um beco sem saída. Ou partimos para derrotar o vírus com a vacina ou ele nos derrotará. A sociedade, assim como a justiça, precisa agir, pois o governo federal se escora, agora, no argumento da vez de que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA ainda não tem nenhum pedido de registro da vacina. Essa é a maior prova do despreparo do presidente e da sua equipe, pois reduz o governo a um balcão de carimbo e esquece que deve ser protagonista na busca de soluções. A população não quer saber se já existe algum pedido de vacina sendo analisada. Se o governo não foi capaz de produzir ou liderar o processo de produção de uma vacina até agora, o que queremos é que ele se levante da cadeira e corra o mundo, buscando, encontrando e nos trazendo uma solução através de uma vacina, urgente, pois essa parece ser a única forma de continuarmos acreditando na vida e não nos rendermos à morte.

 

 

 

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