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Vereadores pedirão CPI e impeachment de Crivella

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Assim que foram divulgadas na imprensa as denúncias de que o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), havia contratado uma equipe de “guardiões” para impedir que a população fizesse críticas ao sistema municipal de saúde, vereadores deram início à coleta de assinatura para abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) e um processo de impeachment por responsabilidade administrativa.

 

Para o vereador do PT, Reimont Luis, “é estarrecedora a denúncia do jornal RJTV, da Globo. É muito grave que funcionários da prefeitura se organizem em grupos de WhatsApp, incluindo o próprio prefeito, e façam plantão em frente aos hospitais para impedir que a população fale sobre os problemas da saúde e que a imprensa trabalhe”.

 

Vereador do PT, Reimont Luis

 

Reimont não tem dúvida de essas denúncias justificam não só uma CPI, mas a abertura de um processo de impeachment. “Vivemos em uma democracia, onde as pessoas podem reclamar e cobrar seus direitos. E a imprensa noticiar. Os assessores da prefeitura deveriam trabalhar a favor do povo e não contra ele”, concluiu o vereador.

 

A bancada do PSol na Câmara de Vereadores também quer formalizar o pedido de impeachment do prefeito Crivella. O requerimento será assinado pela direção do partido e pela deputada estadual Renata Souza, pré-candidata à prefeitura. A vereadora Teresa Bergher (Cidadania) deve apresentar um pedido para Câmara de Vereadores instaurar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação dos funcionários da prefeitura.

 

O PSol considera que Crivella cometeu crime de responsabilidade por conduta incompatível com o cargo. O crime está previsto no artigo quatro do decreto-lei 201 de 1967, que regulamenta o impeachment de prefeitos.

 

“Marcelo Crivella estaria organizando e participando ativamente de uma mobilização para impedir a população de denunciar o sucateamento da saúde. O fato é gravíssimo em todos os seus ângulos: envolve o uso de dinheiro público para fins escusos, impede o livre exercício de imprensa, e silencia as queixas legítimas da população em um momento de grave crise sanitária”, disse ao jornal O Globo o vereador Tarcísio Motta (PSol).

 

Os contratados de Crivella cercam os jornalistas e os entrevistados para impedir que as matérias sejam realizadas. Esses “guardiões” do Crivella sempre dão um jeito de desviar o foco do assunto, mas nem sempre conseguem.

 

A TV Globo mostrou que na porta do Hospital Rocha Faria, em Campo Grande, em 20/8, dona Vânia se queixava da falta de vaga para transferir a mãe, que tem câncer, para um atendimento especializado. Aos gritos, dois homens atrapalharam a entrevista, que precisou ser interrompida. Uma rotina de casos semelhantes para impedir críticas e reportagens sobre o caos na saúde do Rio, agravado pela pandemia do novo coronavírus, chamaram a atenção do “RJ TV” da Rede Globo.

 

 

 

 

Os repórteres descobriram que o grupo tem nome, Guardiões do Crivella, obedece a uma rígida escala de serviço e, o mais grave, ganha salário pago com dinheiro público — em torno de R$ 4 mil — só para criar confusão na entrada de unidades de saúde e inviabilizar denúncias ao serviço público municipal.

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