Na calada da noite, sem diálogo com a categoria, os vereadores de Porto Alegre aprovaram a extinção da profissão de cobradores de ônibus em Porto Alegre, nesta quarta-feira, 1º de setembro. O projeto, que chegou a ser rejeitado no ano passado, voltou à pauta do Legislativo, por meio de uma manobra da vereadora Comandante Nadia (DEM) da base aliada do prefeito Sebastião Melo (MDB).

Os rodoviários já se manifestavam há bastante tempo na capital, contra esta proposta e a extinção da Companhia Carris, e seguiram nesta terça-feira na parte externa ao plenário. Ao saberem que o projeto tinha entrado na ordem do dia de votação, representantes do Sindicato dos Rodoviários foram impedidos de entrar por soldados da Guarda Municipal, que de forma truculenta usaram spray de pimenta em cima dos trabalhadores.

“Estávamos pedindo para acompanhar o projeto que pretende acabar com os cobradores do transporte coletivo. Com tudo liberado na cidade, queriam que apenas cinco representantes nossos entrassem por causa da Covid. A Guarda Municipal chegou e atingiu a gente com gás pimenta”, destacou o presidente da Associação Única dos Rodoviários Aposentados RS (Aura), segundo o jornal Correio do Povo.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sandro Abadi precisou ser atendido na enfermaria da Câmara Municipal, porque ficou sem enxergar. O vereador Jonas Reis (PT) destacou que “vamos pedir as câmeras de segurança e abrir investigações para ver o que aconteceu; O que aconteceu é um absurdo”. “Na calada da noite, de surpresa, sem diálogo, uma perversidade construída, serão três famílias que ficarão sem trabalho e o governo tem coragem de dizer que foi pensando no melhor para esses trabalhadores. Um grande equívoco”, destacou a vereadora Laura Sito (PT), no fim da sessão, em um vídeo publicado no seu Facebook: https://www.facebook.com/laurasitoII/videos/640947130208318

https://fb.watch/7MZI1DjOhL/

A crueldade do projeto de autoria do Executivo, pelo prefeito Sebastião Melo (MDB) vai colocar na rua 2,6 mil trabalhadores. A proposta é que a função seja reduzida a zero até janeiro de 2026. Com a justificativa que a tarifa cobrada nos ônibus poderia cair até 75 centavos, sem o cobrador. O que não deve ocorrer tão cedo, como alertou o vereador Pedro Ruas (PSOL), líder da oposição, “um projeto desnecessário e cruel votado em plena pandemia, e que não faz a menor diferença na tarifa”.

Os rodoviários paralisaram as atividades nesta quinta-feira, 02 de setembro e mantiveram 65% da frota em circulação, em acordo com o Ministério Público.