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Venezuela vai produzir Sputink V e Brasil, ainda sem uma decisão, com mil mortes por dia

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Um dia depois de o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, sigla em russo) anunciar que a Hungria e os Emirados Árabes aprovaram o uso emergencial da vacina Sputnik V, o governo húngaro anunciou que comprará 2 milhões de doses do imunizante.

A Sputnik V já está aprovada para uso emergencial na Argentina, Bolívia, Argélia, Sérvia e Palestina. A chanceler Angela Merkel, anunciou, nessa quinta-feira (21), que a Alemanha está disposta a ajudar a Rússia a desenvolver a vacina russa. Mais de 1,5 milhão de pessoas já foram vacinadas com a Sputnik V no mundo até a primeira quinzena de janeiro.

 

Em meados de janeiro, a Venezuela também firmou acordo com a Rússia para o fornecimento e produção do imunizante russo no país ainda no primeiro trimestre de 2021. A informação foi divulgada no Twitter da vice-presidente Delcy Rodríguez. Segundo ela, o acordo firmado entre o governo Nicolás Maduro e o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo).

 

O Brasil é um dos únicos no mundo que encontra resistência da Presidência da República para compra e produzir vacinas contra a Covid-19. “A estratégia do governo Bolsonaro é não investir o dinheiro público na gestão da pandemia da Covid-19 e, para isso passar despercebido pelo público, todo dia ele mesmo ou alguém do seu governo cria espetáculos negacionaistas ou colocam as vacinas e qualquer coisa realmente séria para combater a pandemia que necessite de investimento do dinheiro público sob suspeita”, critica a professora aposentada do Distrito Federal Joelita Oliveira.

 

Nesta semana, apesar da aprovação emergencial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) das vacinas CoronaVac/China e AstraZeneca/Oxford, Bolsonaro foi para as redes sociais colocar a eficiência da CoronaVac sob suspeita. Enquanto a campanha da vacinação não deslancha, o Brasil é um dos únicos países a registrar mais de 210 mil mortes por Covid-19 em menos de um ano e uma média de mil mortes por dia.

 

O imunizante russo já poderia estar em fabricação e em uso emergencial no Brasil. Contudo, apesar da certificação da Organização Panamericana de Saúde (Opas) e da comprovação de que a eficácia da Sputnik V é superior a 90%, com proteção total contra casos graves de Covid-19, a Anvisa ainda analisa protocolos para avalizá-la. Se a agência não aprová-la, toda a produção já em andamento no Brasil será enviada para a Argentina, que começou a sua campanha de vacinação com esse imunizante.

 

Indagado sobre essa possibilidade, Rogério Rosso, diretor de Negócios Internacionais do Grupo União Química, laboratório responsável pela fabricação da Sputnik V no Brasil, disse que sim, acrescentando que o laboratório tem capacidade de produzir 8 milhões de doses da vacina por mês.

 

O governo venezuelano já havia anunciado o registro da vacina russa para uso emergencial como parte de uma cooperação estratégica com a Rússia. Em novembro, Caracas e Moscou assinaram um acordo para a aquisição de dez milhões de doses do imunizante russo. Atualmente, a Venezuela participa da terceira fase dos testes clínicos da Sputnik V: dos 2 mil voluntários, 1,5 mil receberão a vacina, enquanto as outras 500 receberão uma injeção com placebo.

 

Em meados de janeiro, o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo) informou que iria disponibilizar dez milhões de doses da vacina Sputnik V contra a Covid-19 para o Brasil no primeiro trimestre de 2021. Mas, apesar da ação judicial do Estado da Bahia ajuizada no Supremo Tribunal Federal (STF) e de o ministro Ricardo Lewandowski ter dado 72 horas para a Anvisa informar sobre análise da Sputnik V, o Brasil continua na espera.

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