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Venezuela tem domingo tranquilo na eleição de deputados para Assembleia Nacional

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Elizabeth dos Santos, na Universidade Bolivariana de Managas. Às 6 horas da manhã, na abertura da urna.
Foto de Paulo Miranda

 

Neste domingo (6), a Venezuela deu um grande exemplo de democracia durante as eleições de deputados para a nova formação da Assembleia Nacional para os próximos cinco anos. Mais de 20 milhões de eleitores estavam habilitados para votar em 14.221 candidatos, em mais de 30 mil centros de votação, e escolher os 277 deputados para a nova legislatura. Após o horário de fechamento das urnas, 17h (18h de Brasília), os centros de votação permaneceram abertos até que fossem atendidos todos os eleitores que estavam nas filas. Ainda no fim desta noite ou início da madrigada os resultados serão conhecidos.

 

Diversos observadores internacionais dos cinco continentes, com 300 representantes de mais de 30 países, estiveram presentes na Venezuela. Diferentes organizações sociais, representantes de organismos internacionais, dirigentes de partidos políticos e líderes sociais de diversas correntes políticas acompanharam todo o processo eleitoral e elogiaram o dia de democracia exercido pela população venezuelana neste domingo.

 

Entre os observadores internacionais mais conhecidos mundialmente, está o ex-presidente de governo da Espanha, José Luis Rodriguez Zapatero, que falou da importância dessas eleições na Venezuela e disse que deseja ver a União Europeia fazer uma reflexão que avalie a política de sanções contra o país sul-americano. Ele defendeu também um tom de “não ingerência” por parte da comunidade internacional sobre a Venezuela.

 

Manu Pineda, deputado espanhol no Parlamento Europeu, disse que a União Europeia deveria reconhecer as eleições de hoje na Venezuela, que, segundo ele, teve um processo eleitoral impecável.

 

Um dos observadores brasileiros presentes na Venezuela é o jornalista Paulo Miranda, da TV Comunitária de Brasília. Ouvido pelo Jornal Brasil Popular, ele disse: “foi uma eleição muito tranquila em todas as mais de 20 seções que percorri, aqui onde estou na Maturín, estado de Managas. Todas com muita segurança e regras rígidas de distanciamento social, com a preocupação de, primeiro, defender a vida do eleitor”.

 

Outra grande questão de segurança mencionada pelo jornalista foi a tecnológica: “uma eleição difícil por causa da votação em lista ou nominal, nacional ou regional, mas os eleitores dominavam a máquina, as regras e votavam rapidamente, em menos de um minuto. É um fato que despertou minha atenção.”

 

Uma curiosidade levantada por Miranda foi o fato de não ter visto ninguém reclamando da votação. “O eleitor que compareceu às urnas o fez com muita convicção e confiança num processo que envolve votação eletrônica, impressão do voto, depósito do voto na urna de papelão e identificação por digital”, ressaltou ele.

 

“Identifiquei uma aliança política com a tecnologia. A Venezuela ensina ao mundo como se pode utilizar a tecnologia para o bem. E quem duvidar do processo pode pedir a recontagem do voto. E ela poderá ser feita. Vi um observador internacional da Alemanha, meu colega, sonhar com a adoção de votação igual no seu país”, concluiu o observador brasileiro.

 

Uma parte da direita venezuelana – que já tentou derrubar os governos de Chávez e de Maduro por meio de golpes fracassados – trabalhou para boicotar as eleições e foi duramente criticada por outros oposicionistas ao governo que defendem o processo democrático como o caminho para resolver os problemas do país.

 

José Brito, líder do partido Primero Venezuela, que reúne candidatos a deputado que romperam com o líder golpista Juan Guaidó, defendeu o diálogo entre governo e oposição. Ele fez duras críticas à comunidade internacional que não quer reconhecer o resultado das eleições: “sejam parte da solução e não sejam parte do problema”. Brito criticou também grande parte da imprensa golpista venezuelana, que segundo ele trabalha contra o país.

 

Todo o dia de votação transcorreu tranquilamente e a apuração deve ser rápida devido ao uso de urnas eletrônicas, com uma diferença fundamental das eleições brasileiras em termos de garantia de recontagem de votos. Ao exercer o direito democrático de escolher seu representante, o eleitor confirma o voto na urna eletrônica e ele é impresso na mesma hora. O cidadão então pega o voto impresso e coloca numa urna física, sem que ninguém possa ver em quem ele votou. Caso alguém peça recontagem, então é acionada a votação impressa e os votos são recontados para certificar se não houve fraude na votação digital.

 

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