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Venezuela foi o único país a socorrer Manaus

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Flexibilização do isolamento social no fim de 2020 e negligência do governo federal levaram a saúde de Manaus ao colapso e à explosão de mortes por Covid-19. Mídia mundial faz sensacionalismo da situação e somente Venezuela se mobiliza para ajudar

 

Crédito da foto: Senado Federal

 

Jorge Arreaza, ministro das Relações Exteriores da Venezuela, disse em seu Twitter que os primeiros caminhões com carregamento de cilindros de oxigênio para socorrer Manaus e o Estado do Amazonas do colapso sanitário resultante da pandemia do novo coronavírus já saíram do seu país.

 

Além do oxigênio, o chanceler disse ainda que, no sábado (16), 107 médicos brasileiros e venezuelanos, todos graduados pela Escuela Lationamericana de Medicina em Caracas, formaram a Brigada Simón Bolívar, apresentaram-se no consulado, em Boa Vista, Roraima, e ofereceram seus serviços ao Estado do Amazonas, colocando-se à disposição do governador Wilson Lima (PSC).

 

A imprensa venezuelana informou que a chegada da Brigada Simón Bolívar faz parte da assistência humanitária que a Venezuela coordenou para ajudar Manaus, “que atravessa uma das crises mais severas para atender aos enfermos da Covid-19”.

 

 

Na sua conta do Twitter, o chefe da diplomacia venezuelana disse: “Ontem dei a boa notícia ao governador do Estado do Amazonas, que, hoje, [sábado (16)], os primeiros caminhões de cilindro com milhares de litros de oxigênio estão saindo da fábrica do SIDOR, em Puerto Ordaz, para Manaus”.

 

Lima, por sua vez, disse que apesar do alarde internacional, o único país que ofereceu ajuda foi a Venezuela. “O povo do Amazonas agradece”, escreveu o governador após conversar com Arreaza. O oxigênio venezuelano é proveniente da fábrica estatal do país vizinho.

 

Com recorde de internações por Covid-19, falta de médicos e profissionais da saúde, ausência de uma política de combate à pandemia, sem equipamentos e insumos médicos, até o sábado (16), o Estado do Amazonas havia registrado 6.138 mortes por Covid-19.

 

Médicos e familiares gravaram vídeos denunciando a falta de cilindros de ar. O estado registrou 3.816 novos casos de coronavírus em um dia, sendo 2.516 somente na capital. “Estamos demonstrando como não deixar isso acontecer com o resto do país. Aqui não é segunda onda, é o tsunami inteiro”, disse uma médica que atua na linha de frente das redes pública e privada de saúde de Manaus à imprensa. Ela não quis se identificar.

 

No auge do colapso pela falta de oxigênio para pacientes internados com Covid-19 em hospitais de Manaus, houve relatos de mortos por asfixia na quinta-feira (14). Ainda no sábado, segundo levantamento do consórcio de veículos de imprensa, o Brasil continua com alta nos casos de mortes pela doença. O País registrou 1.059 mortes por Covid-19 nas 24 horas entre a sexta-feira (15) e o sábado (16), das quais, 80, ocorreram só em Manaus.

 

Entre os dias 15 e 16 de janeiro de 2021 foram registrados 62.452 novos casos confirmados de Covid-19. Até as 20h de sábado, havia 210 mil óbitos desde o começo da pandemia, com 8.456.705 brasileiros já contaminados.

 

Nesse sábado, o mundo ultrapassou os 2 milhões de mortes pela doença. Apesar da ajuda da Venezuela, Manaus e Amazonas continuam em situação crítica porque o governo estadual, aliado do governo Jair Bolsonaro (sem partido), flexibilizou as medidas de isolamento social no fim de 2020. Além de omitir a flexibilização das medidas de contenção da pandemia, o governador Wilson Lima tentou pôr a culpa da pior crise sanitária da história do Amazonas na nova cepa do novo coronavírus recém-descoberta.

 

Depois do caos, o governador do Amazonas prorrogou, até o próximo dia 31, a vigência do Decreto nº 43.234, de 2020, que suspende o funcionamento de atividades econômicas não essenciais no estado.

 

Distrito Federal – Por causa do aumento recorde de internações por Covid-19 em Manaus e a falta de insumos e UTI para o devido atendimento, Manaus transferiu, até a manhã deste domingo (17), 235 pacientes com Covid-19 para sete unidades da Federação, dentre elas o Distrito Federal.

 

No Distrito Federal, o Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), Hospital das Forças Armadas (HFA) e o Hospital Universitário de Brasília (HUB), além de alguns hospitais da rede privada estão recebendo pacientes de Manaus.

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