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Venezuela e Cuba criam remédio para tratamento e vacina contra a Covid-19

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No esforço global por tratamentos eficazes para pacientes com Covid-19 e pela vacina para imunizar a população mundial contra o novo coronavírus, dois países latino-americanos estão no páreo, disputando lado a lado com os países mais ricos do mundo.

 

Na corrida planetária contra a Covid-19, Cuba e Venezuela alcançam os hegemônicos e, em alguns casos, até ultrapassam na busca por solução para maior crise sanitária desta primeira metade do século 21. A doença, que já causou, até esta quarta-feira (10), 2,3 milhões de mortes em todo o mundo, e recolocou a ciência em seu papel de protagonista, tem mobilizado pesquisadores de todas as áreas da pesquisa.

 

Diante do caos, Cuba e Venezuela entraram para valer na mobilização e na corrida por uma solução. Nessa terça-feira (9), por exemplo, a comunidade científica de Cuba anunciou a produção do primeiro lote de 150 mil da vacina Soberana 02 contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), que causa a doença Covid-19.

 

Apesar dos embargos econômicos impostos pelos países imperialistas, Cuba e Venezuela superaram grandes dificuldades para desenvolveram não só vacinas, mas também remédios, realmente eficazes e comprovados cientificamente, para o tratamento da Covid-19.

 

4 vacinas: as soluções cubanas para a Covid-19

Há quatro candidatas a vacinas contra o novo coronavírus fabricadas, inteiramente, em Cuba. Falta pouco para serem aprovadas. Trata-se das Soberana 01, Soberana 02, Abdala e Mambisa. Cuba é a primeira nação latino-americana a desenvolver seus próprios projetos de vacinas. Os ensaios clínicos da Soberana 01 começaram em agosto de 2020. Seguiram-se, então, a Soberana 02, Abdala e Mambisa.

 

“Ter vacinas próprias garantiria a soberania nacional, por isso se chamam Soberanas e Abdala e Mambisa, os nomes das duas últimas estão ligados a questões patrióticas, e a possibilidade de não depender de financiamento para compra de vacinas estrangeiras no momento em que o bloqueio se tornou mais forte ao extremo e a própria pandemia é acompanhada por graves problemas econômicos”, informa ao Jornal Brasil Popular Pedro Monzón Barata, cônsul geral de Cuba em São Paulo.

 

Ele diz que a produção própria garantiria um rápido acesso às vacinas e não dependeria do fornecimento estrangeiro em um momento em que as vacinas não são suficientes para a população mundial e alguns países as monopolizam. A comunidade científica cubana trabalhou quatro vacinas, simultaneamente, e não apenas uma porque a ilha caribenha não pode correr riscos por uma única opção.

 

“Se alguma das vacinas não for eficaz, você deve ter opções disponíveis”, diz. Segundo ele, essa produção simultânea se deve também ao fato de ser garantida uma maior capacidade de produção sincrônica de vacinas e porque diferentes variantes do imunizante permitirão que sejam direcionadas a diferentes grupos de pessoas, como crianças, convalescentes, etc.

 

Vantagens e segurança dos imunizantes cubanos
Na pesquisa contra a Covid-19 do país caribenho, os candidatos às suas vacinas têm várias vantagens, dentre elas, destacam-se o fato de os imunizantes não serem baseados em um vírus vivo, mas em parte dele; de serem seguros com quase nenhum efeito adverso; serem armazenados em temperaturas não tão baixas, de 6 a 8 graus, e poderem até ficar em temperatura ambiente por um tempo.

 

“Não é o caso de outras vacinas no mundo que requerem temperaturas muito mais baixas. Para um país pobre, essa é uma grande vantagem. Todas as vacinas cubanas passaram nas Fases pré-clínicas e na Fase I”, informa o cônsul.

 

Vacinas atendem às definições científicas
Ele explica que as definições da Fase pré-clínica da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) é o momento em que são gerados resultados experimentais sobre a eficácia e a tolerância em modelos animais e apoia a pesquisa subsequente em humanos. Os estudos pré-clínicos usam cultura de tecidos ou sistemas de cultura de células e testes em animais, que podem ser camundongos ou macacos, para avaliar a segurança da vacina candidata e sua imunogenicidade, ou capacidade de induzir uma resposta imune.

 

A Fase I, por sua vez, geralmente, testa uma nova vacina em estágio experimental em um pequeno número de humanos, normalmente, menos de 100 adultos, com o objetivo de avaliar, inicialmente, sua segurança e efeitos biológicos, incluindo aí a imunogenicidade. Esta fase pode incluir estudos de dose e via de administração.

 

Soberana 02 e a vacinação de turistas
Trata-se de uma variante da Soberana 01 com resultados mais promissores. A Fase II B ampliada dos ensaios clínicos começou, em 18 de janeiro, em cerca de 900 pessoas, entre 19 e 80 anos, pertencentes a duas policlínicas de Havana. A Fase III começa em breve (no início de março), que incluirá 1.500 voluntários com grupos vulneráveis ​​e residentes em áreas de alto risco de Havana. Esta é a última fase antes da aprovação.

 

“A Soberana 02 é uma vacina “conjugada ”, na qual o antígeno do vírus está, quimicamente, ligado ao toxóide tetânico”, explicam os pesquisadores. Os resultados foram positivos e iniciais (em 14 dias). De acordo com seus resultados, deve começar a ser aplicado em massa no primeiro semestre deste ano para cobrir toda a população cubana.

 

“Dentro dos planos (e temos instalações industriais suficientes), o objetivo é produzir 100 milhões de doses da Soberana 02, em 2021, o que permitirá a sua exportação e utilização na vacinação dos turistas que chegarem à ilha e decidirem pagar preços moderados. Isso só será possível depois que os ensaios clínicos mostrarem que as vacinas são seguras e geram imunidade suficiente, que será divulgada em tempo hábil”, afirma Monzón Barata. “Um teste será realizado ainda neste mês de fevereiro para proteger as crianças com a Soberana 02”, completou.

 

Soberana 01: para fortalecer a imunidade de quem já teve a Covid-19

A Soberana 01 também está na Fase 2 de um ensaio clínico e já está começando a ser usada em pessoas que tiveram uma doença com o objetivo de estender a imunização. As vacinas serão necessárias para este fim e para reforçar outras com menor capacidade imunizante.

 

Mambisa e Abdala: aplicação nasal e intramuscular

As duas vacinas já concluíram sua Fase I. Mambisa é aplicado nasal, considerada uma aplicação mais “amigável”. Abdala, por sua vez, é de aplicação intramuscular e já passou para a Fase II do ensaio clínico com resultados encorajadores. Está sendo aplicado em Santiago de Cuba.

 

“Se as vacinas nas quais estamos trabalhando não protegem contra novas cepas do vírus, deve haver a capacidade de incluir novos antígenos. A aprovação de seu uso para emergências (antes mesmo do término da Fase III), bem como a aprovação final da vacina para Cuba, seria concedida pela autoridade reguladora nacional: o Centro de Controle Estatal de Medicamentos, Equipamentos e Dispositivos Médicos (CECMED), uma instituição muito rigorosa e vai garantir a qualidade exigida”, assegura Pedro Monzón.

 

O cônsul geral de Cuba no Brasil informou que Cuba deverá ser totalmente imunizada em 2021. “Não somos uma empresa multinacional em que o retorno financeiro é o motivo número um. A gente trabalha ao contrário, criando mais saúde e o retorno é uma consequência, nunca será a prioridade”, afirma.

 

Ele disse que há vários países interessados ​​em adquiri-la, como Vietnã, Irã e Venezuela, entre outros, e com os quais a ilha caribenha tem acordos de colaboração, incluindo Paquistão e Índia. Para o ensaio três da Soberana 02, há, segundo ele, um acordo com o Irã, com o Instituto Pasteur. O Irã tem mais de 82 milhões de habitantes e maior prevalência da doença.

 

Alba adota vacinas de Cuba e Instituto Pasteur fecha acordo
No dia 8 de janeiro, o Finlay Vaccine Institute de Cuba e o Pasteur Institute, da nação persa, assinaram um acordo de transferência de tecnologia e ensaios complementares da Soberana 02 clínicas. “Além de imunizar sua população e destravar atividades econômicas desaceleradas pela pandemia, o país poderia entrar no mercado com esse produto biotecnológico. E teria uma plataforma para desenvolvimentos futuros”.

 

Para combater a Covid-19 serão necessárias muitas vacinas porque há uma demanda mundial muito alta de bilhões de doses, entre as quais, potências como o Canadá e a Inglaterra já garantiram cobertura para mais de 300% de sua população. Cuba pode desempenhar um papel importante no abastecimento.

 

A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América – Acordo de Comércio dos Povos (Alba-TCP) – anunciou, em 19/2, a criação de um fundo humanitário de US$ 2 milhões para adquirir vacinas e outros suprimentos médicos para os países-membros, especialmente as pequenas ilhas do Caribe. A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, durante recente visita a Havana, disse que a vacina de Cuba será a vacina da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba).

 

“A América Latina e o Caribe, onde um terço de seus 650 milhões de habitantes vive na pobreza, além de apresentar altos índices de iniquidade social, até o momento registrou mais de 18,3 milhões de infecções e mais de 580 mil mortes por causa do novo coronavírus. Eles vão precisar de vacinas acessíveis e a cubana é uma delas”, assegura o cônsul.

 

Carvativir: o tratamento venezuelano para a Covid-19

Se em Cuba há quatro vacinas, na Venezuela há um remédio, comprovado cientificamente, que bloqueia e interrompe a ação do vírus no corpo atacado pela Covid-19, impedindo a doença de evoluir. Cientistas venezuelanos criaram o Carvativir: um medicamento testado e aprovado por laboratórios estadunidenses para o tratamento da Covid-19.

 

O remédio já foi disponibilizado à Organização Mundial da Saúde (OMS) para análise. Pesquisadores venezuelanos confirmaram que o Carvativir, desenvolvido no país, têm efeitos potencialmente positivos na saúde dos pacientes infectados pelo Covid-19. O médico Héctor Rangel, especialista em virologia, que lidera estudos sobre potenciais drogas contra a SARS-CoV-2, no Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica (IVIC), afirma que o Carvativir tem demonstrado atividade antiviral “in vitro”.

 

“Avaliamos diferentes concentrações desse composto em células infectadas com SARS-CoV-2. Com o aumento das concentrações de Carvativir, foi observada uma diminuição na formação de placas líticas. Isso indica uma atividade antiviral. Repetimos o teste algumas vezes e encontramos o mesmo comportamento “, disse Rangel.

 

Orégano e tomilho: isotimol que combate a Covid-19
Carvativir é uma experiência de uma linha venezuelana de pesquisa para avaliação de compostos naturais e sintéticos contra o SARS-CoV-2. “A origem do Carvativir é o isotimol, como princípio ativo natural, isolado do orégano e do tomilho”, confirma a bióloga e ministra da Ciência e Tecnologia, Gabriela Jiménez.

 

O efeito antiviral do Carvativir foi avaliado em células infectadas para determinar se o provável mecanismo de ação do isotimol sobre o vírus estava focado no receptor, na proteína spike, na protease e na replicação afetada. O resultado é que Carvativir “bloqueia” ou “interrompe” a infecção viral de maneira dose-dependente.

 

A pesquisa científica da Venezuela
A investigação venezuelana sobre o Carvativir incluiu isolamento e identificação de princípios ativos, modelagem molecular, estudos “in vitro” e testes “in vivo”, estabilidade química, estudos clínicos de 4 meses em pacientes com Covid-19 positivos e sintomas comprovados, avaliação estatística nos EUA.

 

Alexander Briceño, doutor em química com mestrado em química aplicada pela Universidade de Los Andes (ULA), informa que o Departamento de Química Medicinal do IVIC realizou uma série de testes e análises químicas para avaliar a estabilidade de isotimol no Laboratório de Bioequivalência e Biodisponibilidade.

 

“Validamos os componentes da formulação do Carvativir e as relações em que se encontram, bem como a estabilidade das emulsões desenvolvidas ao longo do estudo. Esses testes coincidiram com outras experiências feitas em outros países ”, destacou Briceño.

 

Confidencialidade, ensaios clínicos e a prova da eficácia
As informações sobre o Carvativir foram tratadas de forma confidencial e avaliadas com rigor. “Os pesquisadores não sabiam o que era o isotimol. Veio como um exemplo de problema. Posteriormente, na cromatografia e no espectro de massa, foi confirmada a presença do isotimol ”, informa Gabriela Jiménez, bióloga e ministra de Ciência e Tecnologia.

 

A análise dos ensaios clínicos do Carvativir, foram utilizados em dois laboratórios privados em razão das dificuldades de acesso a reagentes e equipamentos de medição, impostas pelo bloqueio econômico dos países ricos e para obtenção de uma terceira opinião, de grande prestígio no estrangeiro.

 

A Mayo Clinic, nos EUA, avaliou os níveis de citocina no plasma sanguíneo de pacientes que receberam Carvativir e daqueles que receberam placebo. “Os pacientes tratados com Carvativir apresentaram efeito imunomodulador”, diz a ministra. Após medir o efeito antiviral e imunomodulador do carvativir, a saturação e a capacidade respiratória foram monitoradas.

 

Os resultados são encorajadores, na avaliação dos cientistas. Os estudos pré-clínicos e clínicos sobre a eficácia do Carvativir sugerem que se trata de um medicamento com “efeito positivo” que pode ser usado como tratamento para a Covid-19. Os artigos para uma revista científica revisada por pares e os relatórios para a Organização Mundial da Saúde (OMS) já estão disponíveis.

 

“Esse exercício que a Venezuela tem feito mais do que agregar capacidades, é vontade. Há capacidade, há talento e há vontade ”, frisou a ministra Jiménez, referindo-se à situação do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos.

 

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