O governo de Eduardo Leite (PSDB) deu mais um passo para privatizar o Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul). Desta vez, com a venda de um braço da companhia, a Banrisul Cartões. O anúncio foi feito para o mercado como uma operação para “captação de investidor” a esta subsidiária. Mas para o presidente da Frente Parlamentar em defesa do Banrisul, o deputado estadual Zé Nunes (PT), a história é outra. “Banrisul Cartões é uma parte muito atrativa do banco, é uma parte muito dinâmica e que tem dado resultados e hoje representa um quarto dos resultados do banco. O governo Leite não é um governo cumpridor da palavra, um governo que fez campanha fazendo vídeos na rua, videos objetivos, afirmativos dizendo que não privatizaria o Banrisul e a Corsan. A Corsan já está num processo para privatizar e o Banrisul, abriu este fato relevante. Eu não tenho dúvida que o governo quer privatizar o Banrisul. É um processo de esquartejamento do Banrisul que está em curso para reforçar os argumentos e logo ali na frente fazer a total privatização do banco”.

 

 

A venda do Banrisul já esteve na mira do governo de José Ivo Sartori (MDB), antecessor de Leite. Zé Nunes explica que “ele avançou muito na venda das ações, inclusive queria vender as ordinárias, as preferenciais que são ações mais relacionadas aos resultados do banco. “A venda foi brecada, na sua avaliação, por conta “de uma ação muito forte” no penúltimo ano de governo medebista. “Nós fomos ao Rio de Janeiro e fizemos uma denúncia na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 

 

O parlamentar enfatiza que a venda da subsidiária Banrisul Cartões representa um “esquartejamento do banco”.Exemplifica mostrando que o processo se dá por meio de um fatiamento de áreas da companhia, conforme o interesse do mercado. “A Banrisul Cartões é uma das fatias que o mercado tem interesse, que evoluiu muito nos últimos anos e que tem uma conexão muito forte com o comércio do Rio Grande do Sul. Esse discurso que eles estão dizendo que o momento está valorizado é sempre a mesma fala. Precisa vender porque depois vai perder valor, porque depois vai enfraquecer no mercado, é uma conversa que não se sustenta”, complementa.

 

 

 

Criar um ambiente para venda do Banrisul similar ao que fizeram com a CEEE

 

 

Na visão de Zé Nunes, esta ação só enfraquece mais o banco para “sustentar a visão ideológica desse governador “de tirar o Estado de tudo que ele puder tirar, este é o papel dele, independente das consequências”. Para o deputado petista, a estratégia faz parte de uma ação para criar um ambiente propício à privatização do Banrisul, similar ao que foi feito para a venda da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). “Querendo ou não na discussão da CEEE-Distribuição, que de fato tem passivos que vem lá da privatização do governo Britto, num processo que eles fizeram de criar três empresas, privatizar duas e deixar todo o passivo nas costas da CEEE que ficou. Mas nas costas da CEEE Distribuição eles venderam a CEEE Transmissão e Geração”. Zé Nunes destaca que esta é sempre a mesma tática, “vender patrimônio público lucrativo, que não há justificativa para ser vendido”. E ainda mais vender uma ferramenta potente como o Banrisul para implementar políticas de desenvolvimento, para setores produtivos da sociedade.”Ter um banco público faz muita diferença mas isto não está no horizonte deste governo, este é um governo que acha que o mercado vai resolver tudo.

 

 

Frente Parlamentar quer explicações do presidente do Banrisul sobre a venda da subsidiária

 

 

O presidente atual do banco, Cláudio Coutinho deve comparecer à Assembleia Legislativa para dar explicações quanto à venda da Banrisul Cartões, provavelmente no próximo dia 18 de agosto, porque a data ainda não foi confirmada. Nunes explica que recebeu a informação do presidente da AL, deputado Gabriel Souza (MDB). “O presidente Gabriel me disse que é um convite, convocação, foi feito um acordo. Ou vem por convite, ou vem por convocação, será uma reunião híbrida, semi-presencial e a minha ideia é estar aqui presencialmente para acompanhar e ouvir do presidente do banco esta situação posta”, finaliza.