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Uma das minhas boas lembranças de repórter quando esta linda cidade completa 60 anos

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Quem vê hoje o Memorial JK, entre a Câmara Legislativa e o Palácio do Buriti, não faz ideia do que foi a novela da sua inauguração.

 

Os militares não aceitavam o monumento. O notável arquiteto Oscar Niemeyer criou uma torre que teria no alto uma estátua de JK, o braço erguido com o seu gesto habitual, a mão levemente curvada. A forma da própria torre lembrava esse gesto.

 

Para a mente criativa dos militares, aquilo era uma provocação do arquiteto. Lembraria o símbolo do comunismo: a foice e o martelo.

 

Pronto. A obra foi paralisada. O tempo passava e nada de inauguração. Até que Dona Sarah, a viúva de Juscelino, conseguiu uma audiência com o ditador, João Figueiredo, que suspendeu o impedimento.

 

Só que já corria 1981 e a obra já se deteriorava, exigindo grandes reparos.

Eu era repórter do Correio Braziliense e havia cumprido uma pauta com o notável fotógrafo Francisco Gualberto. Na volta, a Kombi contornava o terreno do Memorial e chamei a atenção dele. Criaram tanto caso e um operário dava vida ao que queriam impedir.

 

“Para!” Gualberto já mentalizava a imagem. Desceu da Kombi e fez esse flagrante monumental.

 

Mais tarde, passaria na minha mesa e confidenciaria que o editor vetou a publicação. Usei a amizade e pedi para “publicá-la” na sala de minha casa.

Que surpresa! Gualberto imprimiu essa beleza de imagem e a levou para mim.

 

Saudade de meu amigo Gualberto e das minhas andanças como repórter da editoria de cidade em Brasília.

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