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Um “presidente” à beira de um ataque de nervos

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Foi chamando Lula de “ladrão” e Fernando Henrique Cardoso de “vagabundo” como Bolsonaro reagiu ao histórico encontro dos dois mais importantes ex-presidentes do período democrático pós-ditadura, um encontro apoiado pelo governador Flávio Dino.

 

Lula e FHC representam duas versões opostas da Constituição de 88: a versão popular, que aprofunda nos planos econômico e social as liberdades, os direitos do povo e a soberania nacional e a versão neoliberal, que restringe a democracia ao voto formal periódico e retira os direitos democráticos da Constituição e o povo do orçamento público.

 

Mas, mesmo com toda essa visão conservadora e as pernadas de sua grande mídia, a disputa eleitoral era respeitada, até que o próprio partido de FHC, desesperado por perder a quarta eleição sucessiva, e por meio da triste figura de Aécio Neves, não reconheceu a legítima vontade das urnas e com isso abriu caminho para o golpe contra a presidenta Dilma e a posterior eleição do fascista Bolsonaro.

 

Como autêntico fascista, Bolsonaro se voltou contra quem lhe criou a oportunidade de chegar à presidência, aqueles que criaram e alimentaram o tribunal de exceção da Lava Jato para prender Lula e retirá-lo da disputa eleitoral de 2018.

 

A política genocida de Bolsonaro de não combater o coronavírus, a destruição física, econômica, social, cultural, ambiental, moral do Brasil que promove a toque de caixa, bem como a transformação do país em pária internacional, tudo isso mudou a agenda da maioria da sociedade e reforçou a luta da esquerda pela volta da democracia e do resgate dos direitos.

 

O almoço de Lula e FHC simboliza o pacto contra a morte feito na cratera do vulcão Brasil prestes a explodir. Visa derrotar a ultradireita fascista e recolocar o país de volta ao respeito à Constituição e à responsabilidade do governo para com a vida do povo.

 

Nessas condições de rápida ampliação da frente nacional antifascista em torno do nome de Lula, torna-se possível até mesmo a sua vitória no primeiro turno. Nesse caso a eleição assumiria o caráter plebiscitário contra a tragédia do bolsonarismo.

 

Essa ampla e não orgânica frente nacional antifascista atuaria não somente para eleger Lula como também para garantir a sua posse contra qualquer tentativa golpista do derrotado Bolsonaro. Além disso, no início do governo Lula será necessário o compromisso do bloco antifascista para limpar os órgãos públicos do aparelhamento bolsonarista que continuará poluindo o Estado brasileiro se não houver uma ação para jogá-lo no lixo.

 

Porém, com o cumprimento das tarefas da frente nacional para derrotar o governo bolsonarista e limpar as instituições estatais de seu entulho fascista, o antagonismo entre o campo popular da centro-esquerda e o campo conservador da centro-direita volta a dominar a dinâmica da conjuntura nacional.

 

A burguesia liberal e sua grande mídia concentrarão novamente a sua artilharia contra Lula e o PT visando a retomada das rédeas do poder, preferencialmente por meio das disputas eleitorais, ou se for impossível, tentando novo golpe.

A preparação da esquerda para esse enfrentamento estratégico começa desde já, na retomada da luta de massas nas ruas contra Bolsonaro, por vacina para todos, aumento do auxílio emergencial para 600 reais e por uma política de geração de emprego e defesa da soberania nacional.

 

Fazendo a mobilização das massas populares, em especial das juventudes, das mulheres e coletivos antirracistas vamos fortalecer a musculatura do povo consciente necessária para a guerra prolongada de transformação estrutural do país a partir de um novo governo petista, com vistas ao aprofundamento econômico e social da democracia popular como condição para a construção do socialismo no Brasil.

 

 

Val Carvalho – escritor e militante de esquerda

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