Na sexta-feira (13), a TV Comunitária de Brásilia ou TV Cidade Livre completou 24 anos. Sua criação, inauguração e trajetória marcam a luta por uma comunicação livre, libertária, inclusiva, dedicada a cobrir os temas da luta de classes.  O dia 13 de agosto de 1997 foi a data que materializou o sonho de instituir, na capital do País, a semente de uma televisão popular. Nessas mais de duas décadas, a TVComDF se consolidou na resistência a todo tipo de ataque e perseguições. Nesses 24 anos, experimentou a repressão e centenas de tentativas de silenciamento. Os governos liberais fizeram de tudo para impedir suas transmissões.

 

 

“Nascemos de uma luta árdua, sofremos perseguições raivosas, fomos processados, presos, tivemos equipamentos apreendidos pela Polícia Federal (PF), incluindo aí a do governo Lula, o que é ilegal, pois a lei permite apenas lacrar e não apreender, muitos menos destruir, e, no governo Lula, a PF destruiu o equivalente em R$ 147 milhões em equipamentos de rádios comunitárias”, conta Beto Almeida, jornalista, diretor da TV Cidade Livre Comunitária.

 

 

Ele relata que a TV Comunitária nunca foi apoiada pelos governos progressistas, enquanto Globo, Record, SBT e outros periódicos, como a revista Veja, dentre outros, receberam verdadeiras fortunas para mentir para o povo.  “A TV Cidade Livre de Brasília, o Canal Comunitário do DF, nasceu há 24 anos como rebelião prática e concreta à ditadura midiática, imposta desde sempre pelos magnatas da comunicação, ditadura nem sequer questionada mesmo durante os governos progressistas que tivemos, e que, por isso mesmo, terminaram vítimas daquilo que não combateram”, lembra o jornalista, que está presente desde os primeiros momentos de sua criação.

 

 

Também declara que os governos, sobretudo os progressitas, poderiam e tinham tudo nas mãos para apoiarem o fortalecimento das TVs Comunitárias, das TVs Educativas, das TVs Universitárias, das Rádios Comunitárias. “Nós nascemos sempre enfrentando penúria, limitação de recursos, mesmo quando observamos governos progressistas enriquecerem os magnatas da mídia. Todas os temas sonegados e censurados pela ditadura da mídia encontraram espaço livre de debate e análise pela TV Cidade Livre, inclusive  a necessidade de defesa da Petrobrás, da reestatização da Vale do Rio Doce, da Reforma Agrária, da Integração Latino-americana, com explicações aprofundadas sobre a Revolução Cubana, Venezuelana, Nicaraguense, sobre a necessidade do Mercosul Social e Libertário, e também denunciamos as manipulações famigeradas do jornalismo da Globo, que terminou levaram à Lava Jato, à derrubada do governo democrático de Dilma e na prisão de Lula”, informa.

 

 

Almeida conta que, nestes 24 anos, “assumimos um compromisso de reconhecer o Direito de Antena (um de nossos programas) de todas as parcelas amordaçadas na sociedade do DF e do Brasil e também da América Latina.  Abrimos espaços para a Revolução Angolana, para a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, para a Independência e Soberania do Timor Leste, para a revolução anti-imperialista do Irã, países que visitamos e documentamos o seu avanço sócio econômico, seu imenso progresso tecnológico, a força de seu cinema talentoso.  Na tela da TV Cidade Livre Comunitária cabem todas as pautas e temas proibidos pela mídia do capital, cujo editor está no departamento comercial. Nossos editores estão nas ruas, ao lado da luta do povo, da juventude, dos trabalhadores, dos artistas da cidade. Nosso objetivo e nossa missão é informar para educar a cidadania. Nosso olhar é rebelde, brasileiro, popular e ecológico, sem solidário com os oprimidos, projetando a construção de uma sociedade em brutalidades e opressões!”

 

 

E conclui: “Além de cobrir as lutas da classe trabalhadora pela reforma agrária, a defesa das estatais, a defesa da CLT, a TV Cidade Livre de Brasília sempre foi uma ferramenta na defesa de mudanças concretas na comunicação brasileira, como, por exemplo, pela instalação dos Canais da Cidadania, conforme prevê lei 5820, de 2006, que garante uma TV digital sinal aberto em cada município brasileiro. Essa lei foi esquecida, mas a TV Comunitária de Brasília sempre manteve esta bandeira içada, pois é uma necessidade para construir uma democracia verdadeira no Brasil, que não pode ser alcançada sem democratizar a comunicação”.