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Tudo muda

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Nada é igual.

 

Tudo muda.

 

Lembro de uma manifestação na parada 59 na vizinha Cachoeirinha, nos primórdios do PT.  Minha turma para mostrar força discutia que palavra de ordem cabia na faixa. Dali a pouco levantamos a dita faixa com “PT sem patrões!”

 

O PT nascia como partido “dos trabalhadores”. Ponto.

 

Mas no comboio já vinham estudantes e intelectuais às pencas, mas era o Partido dos Trabalhadores.

 

Ainda estávamos no ciclo do aumento de postos de trabalho no chão de fábrica e na construção civil.

 

Levas migraram do interior para a cidade.

 

Mas este Brasil que criou o PT não existe mais.

 

Novas formas de trabalho surgiram.

 

Os bancários que aqui formavam uma força construtiva do PT quase não existem mais.

 

Como reunir os estudantes de um Centro Universitário que tem 80 por cento de seus cursos em EAD?

 

Panfletagem e passar em sala de aula como dantes nem pensar.

 

Aqui, em 1988 ajudamos a fazer uma Constituição cidadã, com um cardápio de direitos de bem estar social, quando já fazia uma década que estava em declínio no mundo o Estdo de bem estar social.

 

Tudo aqui sempre foi mais lento.

 

Fomos os últimos a libertar nossos escravos.

 

Houve a Revolta da vacina em 1904 e agora há ainda “revoltosos” do atraso, do negacionismo e do terraplanismo.

 

O PT, partido que nasceu sem pedir licença ao Golbery, veio se forjando nos espaços do capitalismo tacanho e buscando o poder por ousadia de Lula e seus seguidores.

 

Fosse por certos setores estaríamos engalfinhados em debates de firulas das esquerdas tradicionais.

 

Mas fizemos a diferença.

 

Ganhamos nosso primeiro mandato com o presidente Lula e um grande empresário como seu vice.

 

O PT soube se aliançar com a burguesia não imperialista e impor uma política desenvolvimentista sonhada por Jango e Celso Furtado.

 

Incrementou a educação pública na esteira da tradição de Anísio Teixeira, Florestan Fernandes, Darci Ribeiro e Paulo Freire.

 

Aos trancos, honrou a memória do ambientalista Chico Mendes.

 

As cisternas garantiram água ao sertanejo onde só havia poeira e calor.

 

O SUS foi não só sustentado como aperfeiçoado.

 

O Brasil viu a grife dos países periféricos e vestiu com nossas cores a África, o Oriente Médio e a China.

 

Formamos os BRICs.

 

Era demais para o velho e carcomido capitalismo.

 

Não fosse Obama achar que Lula era “O cara” não chegaríamos tão longe.

 

É preciso enxergar e escutar.

 

Política se cria na construção. Não se cria nada no vácuo.

 

E a “aliança para o progresso ” deles juntou mais uma vez os golpistas, não mais milicos truculentos, mas os moleques da Lava Jato como agora já se fala e fomos colhidos pelo vendaval do Golpe.

 

Está o PT a caminho dos seus 42 anos. E é preciso entender o mundo líquido no qual estamos vivendo.

 

Nada é igual como então.

 

Muito mudou em 42 anos.

 

Pois, tudo muda.

 

Ou mudam jeitos e formas de organizar um partido de massas golpeado ou o

PT vira um partido tradicional de esquerda.

 

Para voltar a ser a estrela guia das esquerdas, marca de ousadia, sinal de vanguarda é preciso saber escutar as múltiplas vozes sufocadas, armar formas de combater o fascismo com o povo compreendendo novamente nossas palavras de ordem, sabendo que elas mudaram, porque tudo muda.

 

Deve o PT mudar como sabia mudar na sua formação e nos anos de construção, antes de chegar ao governo central.

 

Nada é igual.

 

Tudo muda.

 

Adeli Sell é bacharel em direito, consultor e escritor

 

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