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Trabalhar e ser sujeito da sua História

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Os sujeitos históricos, em sua vida cotidiana, agem, se orientam e desenvolvem

 

os seus afetos também pelo trabalho. O trabalhar gera consciência de si, a medida em que, no ato de exercer suas tarefas, o sujeito planeja todo o processo de maneira singular. O trabalho se apresenta numa dimensão de realização de si, de viver juntos, de construção de histórias individuais e coletivas.

 

Na atualidade, o contexto de trabalho é marcado, ainda mais, pela precarização, terceirizacão e retirada de direitos. Estamos presenciando a implantação de uma reforma trabalhista que vem legalizando o “bico”, com a implantação do trabalho intermitente e a institucionalização da hiperexploracão na era do capitalismo de aplicativos.

 

Frente às circunstâncias atuais e a primordialidade do campo de pesquisa que atuo “Trabalho, Subjetividade e Práticas Clínicas, o LATRASA (Laboratório de Pesquisa, Trabalho, Sofrimento e Ação) do Programa de Mestrado e Doutorado em Psicologia da UCB, coordenado por mim, está engenhando espaços coletivos de escuta clínica do sofrimento no trabalho.

 

O foco da clínica do trabalho, em nosso laboratório, é a estruturação de um lugar público que impulsiona a palavra, a voz dos sujeitos que trabalham, para que, no coletivo, possam pensar, sentir e agir com vistas a potenciar a cooperação e a reciprocidade.

 

Os valores sociais vigentes no capitalismo financeiro neoliberal, impelem a hiperindividualização. Observa-se que os sujeitos estão isolados no seu local de trabalho e enfrentam as adversidades contemporâneas do trabalhar como responsabilidades individuais. Com isto, os trabalhadores e trabalhadores adoecem e se sentem culpados.

 

Deste modo, a escuta clínica do sofrimento que oferecemos é pesquisa e intervenção com a finalidade de construir coletivos de trabalhadores e trabalhadoras para pensar juntos sobre a vida no trabalho, construir afetos, realizar o imprevisível e o improvável frente à sociedade de urgências, do descarte e do exarcebado individualismo da atualidade.

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