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Teatro Brasil apresenta “Coitadinho do Guedes”

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Nossa peça trata da globalização e de seus malefícios, como serão demonstrados com números oficiais, pois neste teatro tudo é verdade. Salvo se o Tesouro e a Receita federais, o Banco Central e o IBGE estiverem cobertos pelo manto diáfano da fantasia.

 

Deixemos de lado as traições e os interesses que presidiram a redemocratização do Brasil. Iniciemos pelo governo da banca – o sistema financeiro internacional – tão bem assentado que, ao que tudo indica, corrompeu os ínclitos parlamentares que concederam ao presidente em exercício mais um quadriênio. Afinal havia muitos bens brasileiros, um país riquíssimo, para alienação ao capital estrangeiro.

 

Examinemos as finanças brasileiras em suas relações com o exterior. Fica mais fácil identificar as “perdas internacionais”, expressão correta de Leonel Brizola.

 

De início, as dividiremos nas transações comerciais e nas financeiras, com valores dos períodos dos oito anos de FHC, de Lula e de Dilma/Temer, confrontando-os com os 18 primeiros meses de Bolsonaro (Guedes).

 

As transações comerciais são as exportações e importações brasileiras. Nestes períodos houve saldo positivo no comércio exterior, principalmente pelo preço das commodities na primeira década do século XXI, e, recentemente, pelo petróleo cru e pelo minério de ferro necessários à República Popular da China. FHC teve saldo positivo de US$ 66,9 bilhões; Lula US$ 307,4 bilhões, Dilma/Temer US$ 241,5 bilhões e Bolsonaro (ano e meio) US$ 44,8 bilhões.

 

As operações financeiras são aplicações e retornos dessas aplicações no Brasil, pagamentos de juros sobre empréstimos, amortizações e investimentos no exterior. Os saldos financeiros foram todos e sempre negativos, evasão de divisas. FHC com fuga de US$ 89,1 bilhões, Lula US$ 96,9 bilhões, Dilma/Temer US$ 175,8 bilhões e Bolsonaro US$ 105,3 bilhões (até junho 2020).

 

Uma conclusão é que Guedes, agindo com especial dedicação para banca, colocou a economia brasileira no buraco. Apenas FHC (déficit de US$ 22,2 bilhões) tivera resultado global desfavorável ao Brasil. Nestes 18 meses, Paulo Guedes já provocou o rombo de US$ 60,5 bilhões, deixando FHC com inveja e na oposição. Foram os saldos positivos de Lula e Dilma que permitiram os programas de transferência de renda para as regiões e pessoas mais carentes, mesmo protegendo os ganhos financeiros.

 

Estes números já explicam uma razão para o golpe na Dilma, embora colocasse no governo, entre outros, Joaquim Levy e Aldemir Bendine.

 

O vírus Covid 19 veio apenas fornecer uma explicação para o desastre que já se antevia ao fim de 2019, exceto nas amestradas páginas da mídia comercial.

 

“Capital Economics”, empresa britânica, criada em 1999 para auxiliar os interesses financeiros, em abril de 2020, portanto antes que o Covid nos mostrasse a pujança de sua ação, já previa a queda de 5,5% no Produto Interno Bruto (PIB) e a taxa de juros Selic, ao fim do ano, atingindo 0,25% a.a.

 

“Contudo, Guedes continua mantendo o otimismo para os interlocutores do mercado financeiro e insiste em afirmar que a economia brasileira vai apresentar uma recuperação em V”, escreveu, em 24/04/2020, o Correio Braziliense. Recordemos que a primeira morte pelo coronavírus no Brasil aconteceu em 12/03/2020.

 

Para bem compreender os acontecimentos é conveniente recordar os objetivos e principais recursos da banca.

 

A banca pretende que todos os ganhos, de qualquer origem, isto é, salário, lucro empresarial, aluguel, tributo etc, sejam convertidos em receitas financeiras. E, dentro do sistema financeiro, se promova a permanente concentração de renda. Deste modo a produção, o verdadeiro e materialmente computado crescimento econômico, não é objetivo. Logo há o decréscimo da produção, o aumento do desemprego, a redução do consumo e a menor arrecadação tributária. Em síntese: a recessão, o retrocesso.

 

Com a covid em alta, reduzindo consumos, produções, créditos, a economia, como uma das manifestações da sociedade, também perde. Os jornalões, especialmente os de São Paulo, ao colocarem em manchete que Guedes está sendo fritado, que Bolsonaro quer gastar, elevam o já combalido “Teto de Gastos” de Temer ao patamar de objetivo maior da sociedade, e não os cidadãos.

 

Os bancos já receberam sem qualquer compromisso, ou seja, sem contraprestação de benefícios à sociedade, cerca de dois trilhões de reais, que aplicaram nos títulos do tesouro, resultando em mais dívidas para Nação. Parece até piada, mais o governo (Banco Central) transfere dinheiro para os bancos comprarem títulos do Tesouro Nacional que obrigará o Governo a lhes pagar juros.

 

Na quinta-feira, 27/08/2020, o Conselho Monetário Nacional (CNN) com a presença de Paulo Guedes, aprovou a transferência de R$ 325 bilhões do Banco Central para o Tesouro a fim de pagar a Dívida Pública Mobiliária Interna. Veja o que já conseguiu o coitadinho do Guedes.

 

O 1º ato encerra com seis banqueiros devorando avidamente notas de 200 reais, com o seu lobo e tudo mais.

 

Porém, o que chega à banca é sempre pouco, nossa peça trata da privatização, melhor designada como entrega do controle e bens nacionais para o estrangeiro.

 

Vimos no 1º ato que a sede e fome da banca são enormes e apenas o Banco Central não consegue saciar. São necessárias emissões após emissões, entregues como os referidos dois bilhões, sem qualquer contrapartida.

 

Assim, além dos importantes aspectos geopolíticos, surgem as privatizações. Pouco importa que a empresa, como é o caso da Petrobrás, seja altamente rentável, tenha saldo de caixa de até dez vezes mais do que as elogiadas multinacionais – Exxon, Shell, Chevron, BP – e detenha tecnologia, obtida em seu centro de pesquisa e desenvolvimento, que nenhuma outra companhia possui. Ela deve ser privatizada para salvar o Brasil (sic).

 

E, deste modo, lá se vão nossos minérios, nosso petróleo, nossa indústria, nossa telefonia, nosso território, tudo para que mais dinheiro possa ser entregue aos bancos. E para que estes bancos comprem títulos do Governo, aumentando a dívida que empurrará a taxa de juros, endividando o país, deixando-o na mãos dos bancos. Mágica besta, não é mesmo, respeitável público.

 

O 2º ato termina com o Brasil num caixão, para ser enterrado, e a banca bebendo champanhe. Fora do palco, Bolsonaro e o coitadinho do Guedes se abraçam efusivamente. Aplauso para os atores.

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado.
Publicado no tabloide impresso ALTERNATIVA nº 208, Nova Friburgo (RJ), setembro/2020.

 

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