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SUS tem queda de mais de 900 milhões de procedimentos durante a pandemia

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A pandemia do novo coronavírus impactou os procedimentos realizados pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Houve redução de mais de 900 milhões de atendimentos e ações no período.

 

 

Os dados são de um levantamento da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Para comparação, foram usados dados pré-pandemia, de janeiro de 2018 a junho de 2019, e durante a pandemia, de janeiro de 2020 a junho de 2021.

 

 

Foram 4,058 bilhões de procedimentos no período pré-pandemia contra 3,114 bilhões durante a pandemia. A redução total é de 23,25%.

 

 

Estão incluídos no levantamento oito grupos de procedimentos que vão desde ações e promoção à saúde, exames, procedimentos cirúrgicos e clínicos, transplantes de órgãos até a implantação de órtese e prótese.

 

 

Nos dados é possível observar que todos os grupos, com exceção da implantação de órteses, próteses e materiais especiais, tiveram queda brusca logo após o início da pandemia e ainda não voltaram ao nível anterior.

 

 

O Ministério da Saúde foi procurado, mas não respondeu até a conclusão desta reportagem.

 

 

O grupo de cirurgias foi o mais prejudicado. A queda foi de 53,47% comparado ao período pré-pandemia, com 36,7 milhões de procedimentos a menos.

 

 

Até mesmo o grupo de procedimentos diagnósticos, mesmo com o aumento do número de testes para detecção da Covid-19, que não eram contabilizados antes da pandemia, teve queda de 12,8%.

 

 

A comparação mostrou ainda redução de 9,9% no total de internações eletivas e de urgência, o que representa cerca de 1,7 milhão de registros a menos do que antes da pandemia.

 

 

Quando esses dados de internação são separados por classe de doenças, somente o grupo de “algumas doenças infecciosas e parasitárias”, que comporta as internações por Covid-19, apresentou aumento expressivo, de 86%.

 

 

Diego Xavier, pesquisador do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz e responsável pelo levantamento, disse que a queda de procedimentos traz grande impacto para o SUS e reflete o problema de represamento que o país terá de enfrentar.

 

 

Para ele, a consequência é que as filas irão aumentar, o que exigirá investimento para identificação de problemas que não puderam ser diagnosticados durante a pandemia. Isso inclui, por exemplo, contratar mais equipes e realizar mutirões específicos para determinados procedimentos.

 

 

“Há muitas doenças que nem foram descobertas por causa da pandemia e podem nem ser tratadas por conta disso”, afirmou.

 

 

O levantamento mostra também a distribuição de medicamentos do SUS. Esse tipo de procedimento não está incluído no montante total de procedimentos.

 

 

Foram 239,6 milhões de medicamentos a mais entregues à população, crescimento de 16,45%. Nesse grupo, há cápsulas, comprimidos e ampolas.

 

 

Os dados foram coletados do SIA (Sistema de Informação Ambulatorial), SIH (Sistema de Informação Hospitalar), SIM (Sistema de Informação sobre Mortalidade), SIVEP-Gripe e do Painel Coronavírus do Ministério da Saúde.

 

 

Segundo Xavier, a observação de dados de diferentes sistemas de informação ajuda a entender o quadro de desassistência em saúde que o país enfrentou durante a epidemia de Covid-19.

 

 

Para ele, é necessário monitorar a longo prazo os impactos indiretos que serão decorrentes da Covid-19, sobretudo em casos que não puderam ser atendidos em momento oportuno.

 

 

Um possível reflexo desse represamento seria, por exemplo, em relação às cirurgias eletivas por glaucoma e catarata que tiveram queda. Se realizadas em momentos oportunos evitariam o agravamento do problema, caso contrário pode ocorrer a cegueira.

 

 

O Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) afirmou, em nota, que progredir nas políticas públicas de saúde e normalizar os atendimentos e procedimentos cirúrgicos não será possível com menos recursos para a área e sem esforços coletivos.

 

 

Segundo o conselho, a retomada das cirurgias represadas por causa da pandemia da Covid-19 tem sido pauta permanente nas assembleias do Conass e levada para as reuniões da Comissão Intergestores Tripartite do SUS.

 

 

“O Conass tem ressaltado a preocupação dos gestores estaduais para as reuniões com o Ministério da Saúde e Conasems [gestores municipais], especialmente em relação o financiamento de procedimentos e leitos e a disponibilização de recursos para as cirurgias eletivas. A incorporação de leitos UTI na rede de atenção também é pauta constante”, afirmou, em nota.

 

 

Fatima Marinho, médica epidemiologista e especialista sênior da Vital Strategies, disse que pode haver aumento de mortes por outras doenças nos próximos anos por causa de diagnóstico tardio.

 

 

“Muitos pacientes que poderiam se beneficiar de um tratamento precoce, resultando em aumento da sobrevida e da cura, vão ter diagnóstico tardio com redução da sobrevida e aumento da mortalidade”, afirmou.

Apuração da Folha mostrou que pandemia e a alta do dólar travaram ainda mais as cirurgias cardíacas no SUS.

 

 

A SBCCV (Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular) estimou que cerca de 50 mil pessoas aguardam na fila por operações desse tipo. Esse número de atendimentos cai a cada ano.

 




 

 

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