A pandemia despertou na população brasileira maior percepção do papel e da presença do Sistema Único de Saúde (SUS) no nosso cotidiano. Mesmo assim, muitas vezes quando se fala da importância da produção de vacinas pelo Instituto Butantan ou pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) não se fala do SUS.

 

Quando se fala da importância da doação de sangue, da qualidade dos nossos bancos de sangue com o cuidado da não transmissão de doenças etc, não se fala no SUS.

 

É comum matérias de jornais e revistas trazerem histórias bonitas de vidas salvas por cirurgias, tratamentos, transplantes ou pelo atendimento do SAMU e não aparecer a marca do SUS.

 

Infelizmente, é muito comum também a marca do SUS aparecer só em pautas tristes e negativas.

 

Por isto, para defendê-lo, para demostrar para a sociedade onde está o SUS e mobilizar todos para que juntos possamos fazer com que ele melhore e seja mais forte, aprovamos na Comissão de Mérito da Câmara dos Deputados o Projeto de Lei (PL) 3.644/20, de minha autoria, que transforma a bandeira do SUS  em um símbolo nacional, passando a ser obrigatória sua utilização em todas as unidades de saúde, materiais e propagandas de comunicação.

 

Junto com a Constituição Federal, o SUS completa 32 anos em 2021 e é tido como a política pública mais importante e ousada da redemocratização do país. Ele significa oferecer saúde universal e gratuita a todos os brasileiros.

 

Com o SUS, a saúde se tornou um direito das pessoas e um dever do Estado. Antes dele, a oferta de atendimento nos serviços de saúde eram restritos às pessoas que contribuíram com a previdência social, só quem tinha direito à saúde era quem possuía carteira assinada.

 

Sempre defendi que a bandeira do SUS fosse incluída como símbolo nacional, ainda mais no momento em que vivemos e com os desmontes já anunciados. Quando fui Ministro da Saúde,  padronizamos a logo do SUS na comunicação visual das ações do Ministério com objetivo de fazer do SUS um bem nacional e bandeira a ser defendida.

 

Na primeira campanha de vacinação que participei como Ministro, convoquei a equipe de comunicação e consultei o criador do Zé Gotinha para saber se podíamos fazer uma “tatuagem” da marca do SUS no principal personagem das nossas excelentes campanhas de vacinação. Ele concordou e ficou emocionado.

 

Além de transformar a bandeira do SUS em símbolo nacional, o objetivo deste PL é colocar  o SUS no lugar que ele merece e engrandecer ainda mais nossa identidade nacional. Isso não significa que achamos o SUS perfeito. Mas da mesma maneira que temos orgulho de usar a bandeira do Brasil, sabendo que muita coisa precisa ser mudada em nosso país, precisamos enaltecer o SUS como patrimônio nacional. O SUS também representa o povo brasileiro e precisamos defendê-lo.

 

(*) Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula, Ministro da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.