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Sou só um número

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Este ano de 2020 está sendo um mar de surpresas. O carnaval de todas as lamúrias e desistências. A bagunça desterrada das filas de banco. Poder-se-á conceder qualquer adjetivo sem medo de julgamentos errôneos. Ademais, está sendo um ano inesquecível.

 

Por conseguinte, até as campanhas partidárias tomaram forma e continência diante do cenário atual. Todavia, algo inusitado se amostrou: como não é permitido os comícios tradicionais -para evitar aglomerações- a melhor forma de lembrar do candidato é sua numeração correspondente. Conquanto, as mais variadas estratégias foram acertadas.

 

Por um lado, é positivo. Caso seja levada em conta a crise sanitária atual. Além de evitar aglomeração de pessoas, evita aglomeração de “santinhos” no chão, nos bueiros e nos pátios alheios. Por outro, perdeu-se a identificação nominativa para numerativa. O candidato tal se identifica, oficialmente, por numeração tal. A candidata tal é a numeração tal. E, assim, vice-versa. Por conseguinte, os eleitores nem lembram – quando questionados – quem é o sr. candidato tal, tão somente que corresponde uma numeração.

 

Em suma, há as duas faces da moeda. De um lado menos poluição, de outro menos identificação. Embora as novas descobertas tecnológicas me acesso à informação de forma rápida, será que não me tornei apenas um número em meio a tantos outros?

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