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Sociedade brasileira em perigo

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Ambiente tóxico, intimidação, medo e milícia nas eleições deste ano no Brasil, consta no relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA).

 

 

O colunista Vicente Nunes, do Correio Braziliense, trouxe semana passada a informação de que o filho do presidente Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, teria se reunido com hackers na Rússia, especialistas em propagação de fake news.

 

 

Essa agenda secreta do vereador do Rio de Janeiro (Carlos) deveria ser investigada pelo judiciário eleitoral brasileiro. Já que o número 2 do presidente sempre foi responsável palas campanhas nas redes sociais do pai.

 

 

Segundo a matéria do “DCM”, “as reuniões foram organizadas pelo assessor especial da presidência Tercio Arnaud, um dos integrantes do Gabinete do Ódio. Ele chegou antes em Moscou para preparar a chegada da comitiva”.

 

 

Entenda, já fora noticiado pelo “DCM” que o presidente da República iria para a Rússia com outro objetivo, o de conhecer como funciona a atividade dos hackers na Rússia, na propagação de fake news. “O país do leste-europeu é conhecido por ter o melhor sistema de propagação de mentiras falsas” do mundo. E o presidente brasileiro (Jair Bolsonaro e seus filhos) tenta fazer com que alguns grupos façam parte da sua campanha.

 

 

Vamos ao relatório da OEA: a organização expressou profunda preocupação em relação a esse ambiente tóxico, de medo, intimidação e milícia nas eleições brasileiras deste ano. O relatório foi enviado ao Tribunal Superior Eleitoral, e entre os dados da violência coletados pelos observadores da OEA estão “a ocorrência de ameaças de morte, violência física e psicológica, assédio sexual, difamação, ameaças e insultos”.

 

 

Meu Deus! Matéria publicada no portal UOL Notícias, em 20 de fevereiro, informa que o ex-presidente Lula tem sido alvo de ataques “… não só de Bolsonaro, mas também do Moro e do Ciro Gomes”, já que o ex-presidente se mantêm na primeira colocação das pesquisas eleitorais. Os dois “patetas” brigam pela posição da “terceira via”, via essa, às margens do terceiro lugar e poupando o atual presidente Jair. Estratégia ou parceria?

 

 

Resta saber porque o PT não reagiu há altura, utilizando os mesmos espaços das redes sociais que as milícias digitais vem atuando com o claro objetivo de confundir a cabeça da sociedade, com mentiras e falsas informações. O contra-ataque não deve ser só do próprio candidato, ex-presidente Lula, tem que ser de toda a sociedade, no combate às notícias falsas, à desinformação e à milícia.

 

 

Este ambiente tóxico repercute em vários setores da sociedade, como prática costumeira no dia a dia, deputados e vereadores lançam mentiras, um verdadeiro picadeiro as sessões e prefeitos (enganação).

 

 

Governos fingem não ver milícia nos seus estados, as bandas podres nas polícias pensam que estão acima da lei, o Ministério Público parece que perdeu a tinta da caneta, o judiciário sempre no pedestal como se fosse rei.

 

 

Ora, não podemos mais permitir a destruição do nosso, país, dos valores éticos, morais e humanos. Este ano teremos eleições e temos o dever de olhar e entender o que estamos passando, para não nos arrependermos depois, como agora.

 

 

Em artigo anterior, falamos do relatório da ONU – Organização das Nações Unidas, que alerta para o desmonte dos programas de proteção, sejam de defensores públicos, dos Direitos Humanos ou de simples programa de testemunhas, ou pessoas ameaçadas de alguma forma. Durante o Governo de Jair Bolsonaro, os órgãos de defesas e de proteção vêm sofrendo diminuição de orçamento, falta de compromisso e dedicação aos mecanismos de proteção aos ativistas ameaçados.

 

 

A ONU, além de denunciar a violência, chama a atenção para a importância dos programas de proteção, alertando que “os existentes no Brasil vivem falhas profundas”.

 

 

Se a ONU expressou profunda preocupação em relação a esse ambiente tóxico, de medo, intimidação e milícia nas eleições brasileiras deste ano, a quem devemos recorrer, aos programas de proteção, controlados pelo poder público do governo da milícia?

 

 

O Brasil registrou a morte de 2.074 indígenas, entre 2009 e 2019, segundo dados do Atlas da Violência de 2021. Jornalistas e ativistas dos Direitos Humanos vêm sendo perseguidos, assassinados, sofrem assédio judicial e ainda os filhos do presidente insistem em adquirir programas de espionagem e da propagação de notícias falsas!?

 

 

Armas entram no país pela porta da frente, distribuídas pelo Brasil afora sem que a Polícia Federal tenha registro e conhecimento. Tem algo errado em tudo isso, claro. O comandante em chefe deve saber das andanças de seus filhos 01, 02 e 03, ou não?

 

 

Permitam uns parágrafos. Caso inusitado, semana passada, após sofrer cinco (05) processos, assédio judicial, a jornalista Alana Rocha, apresentadora do Jornal da Gazeta FM na cidade de Riachão do Jacuípe, interior baiano, foi usada por parlamentares municipais com uma moção de aplausos, sabendo eles que não passaria pelo plenário da Câmara em sessão legislativa. Tudo orquestrado.

 

 

Sem ligar para a vaidade, a jornalista segue fazendo suas críticas e mostrando a verdade, dando voz à comunidade e espaço ao contraditório. Devem ser os que se omitem na fiscalização da coisa pública, seu verdadeiro dever.

 

 

Respeitável público! Tem palhaço no picadeiro? Tem!

 

 

Em outro caso, para não perder nosso papel de informar, proteger, criticar e sugerir soluções, o coletivo IBI — Inteligência Brasil Imprensa recebe diariamente denúncias de assédio moral, sexual, racismo, perseguição, ameaça, cerceamento do dever de informar, na tentativa de calar a Imprensa, comunicador, jornalistas, radialistas e repórteres.

 

 

Já vi de tudo, ou quase nada, diante de tanto absurdo neste país, mas assessor de imprensa, que ao invés de manter o bom relacionamento com imprensa, opte por pressionar comunicador, jornalista e dono de veículos de imprensa, na tentativa de cercear o direito de crítica, é um pouco estranho. Esse assessor parece ser contra a sua assessorada. Relacionamento com a imprensa é fundamental para a função.

 

 

Por fim, seguimos com nossa árdua tarefa de cobrar, denunciar toda e qualquer forma de desrespeitos à nossa dignidade e democracia. Na tentativa de dias melhores para todos. Sugiro e reflexão: “Não existe história muda. Por mais que a queimem, por mais que a quebrem, por mais que mintam, a história humana se recusa a fechar a boca”. — Frase de Eduardo Galeano que encerra o filme “Mães Paralelas”, de Almodóvar.

 

 

(*) Por Fábio Costa Pinto, jornalista de profissão, formado pela ESPM do Rio de Janeiro, com MBA em Mídia e Comunicação Integrada pela FTE/UniRedeBahia. Membro da Associação Brasileira de Imprensa-ABI (Sócio efetivo), Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Associado) Sindicalizado,  Sinjorba / Fenaj.

 




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