“Ninguém solta a mão de ninguém”. Essa frase se tornou um viral, após as eleições de 2018, tomou conta das redes e, imediatamente, foi assimilada por todos e todas que compreenderam a gravidade do resultado das eleições daquele ano. Não demorou muito, já nos primeiros passos do governo eleito, a frase ganhou mais sentido e materialidade e foi incorporada às lutas da classe trabalhadora.

 

 

Em março de 2021, quando o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) completa 42 anos de existência, a frase se revela sinônimo de resistência e esperança asseguradas pela luta radical, diária e incessante da entidade sindical do magistério público da capital do País.

 

 

O sindicato lançou, no domingo (14), dia do aniversário de sua fundação, um vídeo em homenagem às mais de 4 décadas de luta diária e incansável pelo direito à educação pública, gratuita, laica, democrática, emancipadora e de qualidade socialmente referenciada; pelo direito à liberdade de organização sindical; e pelos direitos sociais e trabalhistas do magistério e da classe trabalhadora.

 

 

O vídeo é uma produção do Sinpro-DF e conta com a participação de professores(as), que tocam e cantam a música “Mão na mão”, de autoria de Márcio Faraco e arranjo e direção musical do professor Joaquim França, que fala da importância, histórica, de ninguém soltar a mão de ninguém: “unidos até a vitória”.

 

 

 

 

“Para mim, como maestro e professor da rede pública do DF, foi um grande prazer e honra participar na direção musical desse vídeo em homenagem aos 42 anos do Sinpro. Essa instituição merece tão bela homenagem por ser um dos sindicatos mais representativos e atuantes do Brasil, estando sempre ao lado dos professores na resistência e na luta por melhores condições de trabalho e por uma educação de qualidade”, afirma França.

 

 

Participam do vídeo os(as) professores(as) cantores: Abiail Alecrim, AssisNGato, Bené Valadares, César Oliveira, Ceiça Simões, Flávia Luiz, Haila Ticiany, Hélia Mara, Luciana Dias, Mila, Zeni Rainha, Wellington Fagundes, Fernando Sanglard, George Lacerda. Professores(as) músicos(as): Taís Vilar, clarineta; Regiane Cruzeiro e Marcos Reis, violinos; Marie Novion, viola; Ocelo Mendonça, violoncelo; João Marinho, violão; Fernando Nantra, baixo elétrico; George Lacerda, percussão. Edição do vídeo: Emânuel Camarão.

 

 

Uma breve passagem pela história

 

Fundado em 14 de março de 1979, durante um dos governos mais violentos da ditadura civil-militar, o Sinpro-DF entrou em cena  justamente quando o Brasil estava numa situação muito parecida com a que vive hoje, em pleno ano de 2021: mergulhado numa crise econômica e política sem precedentes; com uma inflação que, na época, batia 150% ao ano; com uma dívida externa que chegava a US$ 100 bilhões; o desemprego alastrado e nas alturas; a fome entre as classes mais empobrecidas em franco crescimento; e os salários cada vez mais arrochados pela política econômica liberal. Hoje, além de tudo isso, a precarização da educação se aprofunda pela ausência de política pública de combate à pandemia do novo coronavírus e a falta de vacinação em massa, o que fragiliza o magistério e traz mais desigualdade de acesso aos(às)  estudantes à educação pública.

 

 

“É por isso que, este ano, o Sinpro-DF está de luto, juntamente com a população e com os mais 300 mil brasileiros(as) que perderam entes queridos para a Covid-19 em consequência da falta combate à pandemia pelo governo eleito em 2018, que não investe o dinheiro público na política de saúde e na defesa da vida para atender aos interesses do mercado. Assim, o sindicato não fará nenhuma live comemorativa, com atrações musicais, como é a nossa tradição, em respeito à memória dos mortos”, informa Eliceuda Silva França, coordenadora da Secretaria de Assuntos Culturais do sindicato. A diretoria colegiada, segundo ela, entende que este não é um momento festivo e decidiu que a homenagem deve se limitar, este ano, ao vídeo postado no final deste texto.

 

 

No fim dos anos 1970, enquanto militares brasileiros e empresários nacionais e estrangeiros se enriqueciam, ávida e enormemente, com as riquezas da nossa Nação – e, para isso, impuseram o regime de perseguição política, com terrorismo de todo tipo para intimidar qualquer reação ou organização da classe trabalhadora que combatesse a tirania e, sobretudo, a rapinagem –, os(as) professores(as) se reorganizaram e constituíram, na raça e na marra, o único instrumento capaz de dar um basta na festa marginal e de recomeçar as lutas necessárias para garantir conquistas para a classe dos professores, orientadores educacionais e especialistas da educação da rede pública de ensino.

 

 

Naquela época, a categoria entendeu que não havia outro jeito senão “ninguém soltar a mão de ninguém” e que somente unida numa entidade sindical forte poderia enfrentar, denunciar e combater o terrorismo de militares e empresários, sustentados por países e governos estrangeiros. Entendeu que o sindicato seria, sim, um dos caminhos certos para estancar a entrega para estrangeiros dos nossos patrimônios naturais, biológicos, minerais e demais riquezas nacionais, defender a educação pública ameaçada pelo plano MEC-USAID e assegurar uma vida melhor para os(as) trabalhadores(as) da educação e demais categorias profissionais.

 

 

Há 42 anos, o Sinpro-DF se posicionou à frente na luta, no Distrito Federal e no Brasil, para defender a Nação brasileira, a democracia e resgatar todos os direitos usurpados por uma facção subserviente e colonialista das Forças Armadas, pela Fiesp e outras organizações empresariais nacionais e estrangeiras, exatamente as mesmas que deram o golpe de Estado de 2016 e nos impõem, a cada dia, mais arrocho salarial, demolição de direitos retirados pela ditadura e resgatados após a democratização do Brasil, pela Constituição Federal de 1988.

 

O Sinpro-DF é uma das principais entidades que lideram, desde o fim dos anos 1970, o resgate da liberdade de organização e expressão numa época em que sindicatos e outras organizações sociais eram invadidos, passavam por intervenções e suas diretorias eram perseguidas, trabalhadores eram presos, torturados e até assassinados. Não é agora que vamos fugir da luta! Hoje, como nunca, ninguém solta a mão de ninguém! Feliz aniversário ao sindicado e à categoria que mantém a luta em defesa do Brasil e da educação! Juntos e juntas somos muito mais fortes!

 

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