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Sindicato denuncia surto de Covid-19 na Repar

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Levantamento do Sindipetro PR e SC dá conta de que entre os meses de maio e junho deste ano foram confirmados 28 casos de infectados e quatro mortes em decorrência de complicações da Covid-19

 

 

A quantidade de trabalhadores da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) contaminados pelo novo coronavírus preocupa o Sindicato dos Petroleiros. Desde o início dos serviços de parada de manutenção da unidade, em meados de março, foram registradas sete mortes de trabalhadores por coronavírus (confira relação abaixo). As últimas quatro ocorreram entre os meses de maio e junho.

 

 

De acordo Luciano Zanetti, secretário de saúde, segurança e meio ambiente do Sindipetro PR e SC, os números confirmam um surto de Covid-19 na refinaria. “Extraoficialmente, chegou ao nosso conhecimento que desde o dia 13 de maio são 28 casos confirmados de contaminações. Desses, cinco estão intubados. São trabalhadores terceirizados e estão na UTI”.

 

 

A empresa não está cumprindo o acordo mediado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-PR) que encerrou a greve sanitária na unidade, realizada entre os dias 12 e 16 de abril. Um dos principais compromissos assumidos pela Repar era o de divulgar boletins epidemiológicos periodicamente, com informações sobre o quadro vigente de casos confirmados, suspeitos, recuperados e internações hospitalares decorrentes da Covid-19. No entanto, quando a gestão apresenta algumas informações, os dados são incompletos. “Enquanto a categoria lamenta a série de mortes, a gestão da refinaria mantém uma postura de descaso ao sequer informar a força de trabalho sobre as vítimas”, disse Zanetti.

 

 

O procedimento de parada de manutenção incluiu mais dois mil trabalhadores na rotina da unidade e causa, invariavelmente, aglomerações no parque industrial. “Os gestores fingem crer que as medidas sanitárias adotadas na Repar são infalíveis. Querem fazer acreditar que a refinaria é zona livre de coronavírus, mesmo com as aglomerações da parada de manutenção”, argumentou o sindicalista.

 

 

Segundo a estimativa da “Nota Técnica COVID-19: Avaliação de risco para Araucária, no estado do Paraná” (em anexo), emitida no dia 05/04 por pesquisadores científicos do INPA e UFMG, o fluxo de pessoas vindas de outros estados e municípios para a parada de manutenção tende a propiciar uma maior circulação viral, prevendo a partir de junho, pelo menos 35 mortes na cidade.

 

 

Sobre as potenciais vítimas, a Nota Técnica apontou os trabalhadores da parada, com o agravante de envolver “risco de transmissão cruzada de diferentes variantes, dado que se estima receber pessoas de vários estados com circulação de variantes que atualmente não circulam no Paraná. O estudo sugeriu a postergação do procedimento até a imunização via vacina de 70% de toda população de Araucária, no limiar de imunidade de rebanho.

 

 

O Sindipetro PR e SC entende que a Petrobrás poderia ter adiado a parada de manutenção como fez nos 3 exemplos abaixo:

 

 

1. Em 29/10/2020 a Petrobrás comunicou o Sindipetro PR e SC que em decorrência da crise provocada pela proliferação do vírus COVID-19 no território nacional, estavam concedendo extensão no prazo de inspeção de segurança interna de 55 equipamentos de processo. Informaram ainda que os equipamentos cujos prazos foram postergados foram avaliados por profissional habilitado do SPIE (Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos) da Repar, não sendo encontrados impedimentos do ponto de vista da integridade dos mesmos.

 

 

2. Em 12/03/2021 a Petrobrás comunicou o Sindipetro PR e SC que numa análise de cenário interno e externo e os limites de prazo para realização da intervenção foi definida a postergação da parada de manutenção para 12/04/2021.

 

 

3. Mais recentemente, em 01/06/2021, informou ao Sindipetro PR e SC a postergação da data de inspeção de segurança periódica da caldeira GV-5604 da Repar para 02/08/2021, considerando análise técnica e o cenário da pandemia.

 

 

Segue em anexo: Ferrante et al. Nota técnica Araucária.

:: Vítimas de coronavírus na Repar
Rodrigo Germano, de 36 anos, faleceu em 22/03;
Marcos da Silva, de 39 anos, em 25/03;
Carlos Eduardo, de 45 anos, morreu em 01/04;
Valdir Duma, de 49 anos, em 14/05;
Daniel Cristiano Müller, de 43 anos, foi à óbito em 15/05;
Ernani Nunes, de 54 anos, em 01/06;
Célio Alves da Cruz, 55 anos, faleceu em 03/06.

 

 

 

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