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Silêncio empresarial alarma Bolsonaro e favorece Lula

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Silêncio gritante antibolsonarista

 

 

O silêncio dos empresários depois do jantar com o presidente Bolsonaro foi um fato gritante; Maria Cristina Fernandes, no Valor, revelou que “Grande empresariado rejeita percepção de que Bolsonaro tem seu apoio”; a palavra de ordem na classe empresarial é “me tira fora dessa”; ninguém teceu comentários depois do convescote entre milionários e bilionários desesperados com o titular do Planalto; estão diante da possibilidade de seus negócios irem para o buraco na pandemia com a política negacionista; ela está perdendo interesse para o eleitorado bolsonarista formado pela classe média, candidata à miséria, à recessão e ao desemprego neoliberal; a proletarização dela entra em choque com o negacionismo bolsonarista quanto mais aumentam o número de vítimas na pandemia, propulsora miséria que ronda por todos os lados; nesse cenário, as pesquisas do mercado financeiro já dão Lula 2022 na cabeça caminhando para mais de 40%; por que o silêncio, então? Ninguém quer se comprometer e escorregar diante do capitão presidente; todos têm medo de represálias; normalmente loquazes, depois de encontros com presidentes, naquela de puxa-saquismo explícito, os empresários mostram-se otimista; não foi isso que aconteceu nesse jantar de quarta feira, em São Paulo; ficaram, em relação a Bolsonaro, excessivamente, silentes.

 

 

 

Vacina contra recessão

 

O desejo ardente dos empresários, que Bolsonaro não está atendendo, é um só: vacina para recuperar os negócios; querem-na, no curtíssimo prazo, para manter suas ações competitivas na bolsa; o negacionismo à ciência virou risco alto; isso passou a ganhar corpo, especialmente, depois que Lula entrou em cena como candidato virtual em 2022, autorizado pelo STF contra Lavajato antilulista; quanto mais se evidencia a candidatura Lula, com grandes chances, mais os empresários se preparam para se posicionar diante daquele que tem mais chances eleitorais; o empresariado discute nesse momento mais a nova política fiscal e monetária que Lula executaria, se voltar ao poder, do que a que está em curso, condenada por 9 entre dez economistas e pela totalidade dos trabalhadores; Lula, se eleito, seria esse arrocho recessivo monetarista de Guedes e Bolsonaro ou será o que os próprios economistas confiáveis aos empresários estão dizendo, ou seja, com Lula a economia giraria e sairia do atoleiro, para garantir consumidores aos empresários?

 

 

 

Nova expectativa

 

A perspectiva Lula cria novas expectativas; Delfim Netto, a voz do empresariado e de todos os governos da Nova República, menos Bolsonaro, já se posicionou a favor de Lula, considerando-o imprescindível ao momento nacional; com a terapia Guedes-BC, que seca o dinheiro na praça para pagar juro e amortização da dívida, enquanto não sobra nada para o consumo e a produção, não se ganha eleição; o Plano de Reconstrução Nacional lulista é, nesse momento, debatido amplamente nas redes sociais por trabalhadores e empresários; vai virando bíblia pré eleitoral; junto com o Plano petista, discute-se, também, “Projeto Nacional – O Dever da Esperança”; ambos do mesmo teor; Ciro e Lula se confrontam nesse momento, nas apresentações dos seus programas sociais democratas; e aí: Lula ou Ciro? Quem conquistará os empresários, desencantados com o bolsonarismo em debacle que apoiaram para fugirem do PT? O pragmatismo empresarial certamente fala mais alto, no momento; Ciro tem, de acordo com as pesquisas, 3% do eleitorado; Lula, caminhando para os 40%, no caos da pandemia; quem vai brigar com os números? Os empresários realistas e pragmáticos seriam os últimos a fazê-lo, para desespero antecipado de Ciro.

 

 

(*) César Fonseca é jornalista e editor do site Independência Sul Americana

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