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Setor cultural tenta diminuir impacto da pandemia realizando lives

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Retorno financeiro não é grande; artistas ganham com a visibilidade

 

 

O número de pessoas on-line aumentou e, em conjunto, também o volume de transmissões ao vivo — as chamadas lives. Segundo o Business Insider, o Instagram teve um aumento de 70% no uso das lives – tanto para transmissão quanto para consumo. Esse crescimento é um indicativo de que setores como a cultura estão tentando ficar mais próximos ao seu público para diminuir o impacto econômico.

 

“Diversos artistas de maior ou menor apelo popular começaram a utilizar o recurso para manter contato com o público e buscar, em casos pontuais, alguma forma de compensar a queda brusca nas receitas”, afirma Alysson Siqueira, professor mestre no curso de Licenciatura em Música do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

Segundo ele, o retorno financeiro imediato não é grande. “Os artistas estão colhendo mais frutos em relação à visibilidade, ao aumento de seguidores nas redes sociais. Isso sim, pode render dinheiro para os artistas em geral no futuro”, completa Siqueira.

 

Outras alternativas

 

Além das lives, muitos musicistas também são professores de instrumentos e de canto. Alguns se adaptaram para dar aulas a distância e, com isso, reforçar o orçamento. “Há diversas alternativas que auxiliam o profissional nesse sentido, e a nossa situação tem se mostrado uma oportunidade de aprender e de se adequar. Tenho certeza que muitos alunos e professores deverão optar por continuar a ter aulas a distância mesmo depois da pandemia”, afirma.

 

Mas Siqueira alerta para o fato de muitos profissionais da área estarem passando por dificuldade, especialmente aqueles que dependem de cachês de bares, festas e bailes. Segundo o professor, o apoio a que eles têm acesso é o mesmo que qualquer autônomo está recebendo — a ajuda de custo do Governo Federal. Além disso, há alguns editais que oferecem cachês em troca da permissão para a exibição de produção audiovisual. “Um exemplo é o programa FCC Digital da Fundação Cultural de Curitiba, que oferece cachê para os artistas locais veicularem seus vídeos relacionados a diversas expressões artísticas”, comenta.

 

Retomada

 

Siqueira acredita que a cultura é um setor que tem potencial de retomada assim que a pandemia da Covid-19 passar. Mas ressalta que para isso acontecer, é preciso vontade política. “É difícil saber se os governantes olharão para a retomada de forma ampla, percebendo que além de retomar o trabalho, as pessoas precisarão voltar a sorrir, dançar, jogar, correr, cantar, enfim, elas precisarão retomar práticas que construíram as próprias personalidades enquanto seres sociais”, finaliza.

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