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Sem o SUS, seria a barbárie: mais recursos para a saúde já

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Há no Brasil uma tempestade trágica que faz com que nosso país seja a maior ameaça global da Covid-19 neste momento e vou listar quatro fatores que explicam porque chegamos nessa situação.

 

A primeira é a postura genocida de Bolsonaro que, desde o início, criou obstáculos para qualquer ação de controle. Em segundo lugar, exatamente pelo descontrole da pandemia, começaram a surgir novas variantes do vírus no Brasil, com maior poder de transmissão e acometendo os mais jovens.

 

Terceiro é plano de vacinação extremamente lento, o que é particularmente muito grave para o Brasil, porque sempre tivemos uma tradição de um programa nacional de vacinação amplo. E o quatro e mais assustador, é o corte nos recursos emergenciais que foram criados pelo Congresso Nacional em 2020 porque Bolsonaro acreditava que a pandemia iria se encerrar em dezembro de 2020.

 

O orçamento anunciado por Bolsonaro para 2021 na prática corta 60 bilhões de reais para a saúde em comparação com o orçamento que o Ministério da Saúde teve no ano passado, isso somado a não revogação da cruel Emenda Constitucional nº 95 que retira bilhões de investimentos em saúde.

 

Com isso, leitos e hospitais de campanha foram fechados. Além do corte do recurso emergencial de renda para as famílias mais pobres, obrigando as pessoas a terem que se expor na busca por atividades para recuperar renda e não morrer de fome. E também do corte de apoio aos pequenos e médios empresários. Esses fatores foram determinantes para o aumento brutal do número de casos.

 

Cortar investimento para saúde pública diante da maior tragédia humana que o país já enfrentou é genocídio. É inaceitável perdermos vidas por ausência de atendimentos. Também é inaceitável o sucateamento e o descompromisso de qualquer governo com o SUS e com a saúde do povo. Sem o SUS, seria a barbárie e este projeto de desfinanciamento deve ser interrompido. Precisamos aumentar o financiamento do SUS e enfrentar o teto de gastos.

 

Estados e municípios têm resistido às duras penas a descontinuidade dos investimentos e perderam os recursos do governo federal garantidos em 2020 no combate a pandemia. Ainda neste ano, além de lidar com a pandemia, terão que reorganizar os exames e tratamentos de milhões de pessoas que tiveram seus procedimentos paralisados no ano passado.

 

Até agora, Bolsonaro, ao invés de controlar o surto, moveu suas forças para consolidar o discurso do desprezo à vida, aos pobres, aos frágeis e à ciência. Em três meses de vacinação contra a Covid-19, o número de doses aplicada é vergonhoso.

 

Na pandemia de H1N1 o Brasil vacinou mais de 80 milhões de pessoas em três meses, se Bolsonaro tivesse seguido o que foi feito à época, nós já teríamos mais de 80 milhões de pessoas do grupo prioritário vacinadas.

Acionei o Tribunal de Contas da União para sejam apuradas as indefinições do Ministério da Saúde com relação a coordenação do plano nacional de imunização, sobre a interrupção da divulgação do cronograma da chegada de vacinas e pela falta de campanhas de orientação na aplicação das doses. Muitas pessoas não estão indo tomar a segunda dose da vacina claramente por falta de orientação e incentivo do Ministério da Saúde.

 

O Brasil só vai se superar da Covid-19 com mais vacinas e mais investimentos para SUS.

 

(*) Alexandre Padilha é médico, professor universitário e deputado federal (PT-SP). Foi Ministro da Coordenação Política de Lula e da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde na gestão Fernando Haddad na cidade de SP.

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