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Sem Brasil, cúpula de chanceleres do G20 defende reforçar multilateralismo no pós-pandemia

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Os ministros das Relações Exteriores dos 20 países mais ricos do mundo se reuniram pela primeira vez presencialmente desde o início da pandemia nesta terça-feira (29) em Matera, sul da Itália. Eles consideraram “crucial” reforçar o multilateralismo para enfrentar a crise provocada pela Covid-19. O chanceler brasileiro Carlos França não participou do encontro.

 

A reunião, com a presença do secretário de Estado americano, Antony Blinken, aconteceu na emblemática Matera, patrimônio da humanidade por suas casas rupestres escavadas na rocha. “A cooperação multilateral será crucial para nossa capacidade coletiva de superar a crise global”, afirmou Blinken durante a cerimônia de abertura.

 

 

A declaração representa uma mudança radical de posição dos Estados Unidos em comparação com a administração anterior, de Donald Trump. “É um princípio que devemos aplicar a partir de agora para fortalecer a segurança da saúde mundial, de modo que possamos detectar, prevenir e responder da melhor maneira possível a futuras crises de saúde”, advertiu o chefe da diplomacia americana.

 

 

“Para acabar com a pandemia, precisamos de mais vacinas. A iniciativa multilateral Covax garante que as vacinas sejam distribuídas de maneira justa e cheguem aos países que mais precisam”, completou Blinken.

 

Ações urgentes

 

 

A reunião contou com a participação de uma centena de delegações, organizações e instituições internacionais, assim como representantes da África, um continente gravemente afetado pela pobreza e pela propagação do vírus. O acesso mundial a vacinas por doações é importantes, mas a produção local é necessária.

 

 

Convidado para a reunião, o ministro das Relações Exteriores da República Democrática do Congo, Christophe Lutundula, pediu “ações urgentes” para “reverter a tendência atual” na África. O ministro considera que é necessário “produzir as vacinas em nível local”, assim como aumentar “a capacidade de testes nos países que não possuem os produtos e não têm laboratórios adequados”.

 

 

“Apenas dessa maneira conseguiremos ajudar os países africanos a resistir ao impacto da Covid e a reativar suas economias pelo bem da comunidade internacional”, concluiu o chanceler congolês.

 

 

“Recuperação sustentável”

 

 

O encontro foi organizado pela Itália, que exerce a presidência rotativa do G20. O ministro italiano das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, também se pronunciou a favor de um “multilateralismo efetivo com a mediação da ONU”. Ele recordou que seu país foi “um dos primeiros a pedir uma aliança internacional contra a pandemia”.

 

 

“A presidência italiana do G20 (…) estabeleceu como objetivo, por meio do multilateralismo, combater o impacto sanitário, social e econômico da pandemia para promover uma recuperação sustentável, inclusiva e resiliente”, resumiu Di Maio.

 

 

As ausências mais notáveis do encontro foram as dos chanceleres de China, Brasil e Austrália. Já Rússia e Coreia do Sul enviaram como representantes seus vice-ministros das Relações Exteriores.

 

 

“Multilateralismo não pode ser só um slogan”

 

 

Em uma mensagem de vídeo aos membros do G20, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, pediu que “o multilateralismo não se reduza a um slogan ou a um pacote para lançar ações unilaterais”. “A China forneceu até agora mais de 450 milhões de doses de vacinas para 100 países. Pequim pede aos países que puderem para evitar restrições às exportações [de imunizantes], para ajudar a eliminar a desigualdade no acesso às vacinas”, declarou o chanceler chinês.

 

 

A segurança alimentar também foi parte de uma sessão conjunta entre os ministros das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, organizada pela primeira vez no âmbito de uma conferência ministerial do G20, com o objetivo de retomar a luta para erradicar a fome até 2030. A reunião de Matera constitui um ensaio geral do G20 de chefes de Estado e de Governo programado para outubro em Roma, quando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, irá se reunir pela primeira vez com o líder chinês Xi Jinping.

 

 

Do RFI com AFP

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