Rodoviários de Porto Alegre tomaram as ruas da capital gaúcha, nesta quinta-feira (12), com um protesto contrário à privatização da Companhia Carris Porto Alegrense – empresa municipal gerida pela Prefeitura que opera diversas linhas de ônibus na capital – e à demissão de cobradores.

 

 

Projeto da gestão do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB, 2017-2021) e que o atual prefeito, Sebastião Melo (MDB), deu prosseguimento na sua administração. Os trabalhadores percorreram as avenidas João Pessoa, Osvaldo Aranha e Farrapos, por dentro dos corredores de ônibus, em direção às ruas centrais até a sede da Administração Municipal na Praça Montevidéu.

 

 

“Não temos como ir para a frente de uma fábrica, temos de ir para onde o trabalhador está. É ali que vamos manifestar nossa indignação quanto a este projeto que tem muitas pontas soltas. Está para o vir o desemprego do cobrador e dos trabalhadores”, explicou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários, Sandro Abadde.

 

 

Recebidos em audiência por Melo, o prefeito, cujo mandato neoliberal visa a instituir o Estado mínimo e seguir as diretrizes da Escola de Chicago, que não deu certo em nenhum lugar do mundo, defendeu a desestatização da Carris com os mesmos falsos argumentos que políticos neoliberais usam para privatizar as empresas estatais lucrativas e o patrimônio público brasileiro: “Hoje os dois maiores desafios dos gestores envolvem o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus e o transporte público. O atual sistema faliu e, mesmo sem dinheiro em caixa, a Prefeitura aportou recursos para não parar as linhas de ônibus, contudo não há mais condições de manter este modelo. Não irei mais colocar dinheiro na Carris enquanto a população passa fome”, alegou.

 

 

“A Companhia Carris Porto-Alegrense é a mais antiga empresa de transporte coletivo do País em atividade. Nasceu graças à autorização do imperador Dom Pedro II, via decreto, publicado em 19 de junho de 1872. Em 1930, a Carris passou a oferecer também o transporte por ônibus para as localidades onde as linhas de bonde não chegavam”, destaca o advogado Adeli Sell, em artigo publicado no Jornal Brasil Popular, dias após a Prefeitura protocolar o Projeto 013/2021, na Câmara de Vereadores, que autoriza a desestatização ou a extinção da companhia.

 

 

“Estudos feitos e apresentados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE/RS), realizados em 2018, identificaram que os problemas da Carris foram causados por anos de má-gestão administrativa e financeira. Nestes estudos, o Tribunal aponta as medidas necessárias para o saneamento das contas da empresa e, dentre elas, não há indicativo de sua privatização, ou seja, a Carris pública é viável, reforça mais uma vez o advogado e especialista em mobilidade Mauri Cruz”, segundo a publicação.

 

 

Já o Projeto 016/2021, enviado ao Legislativo em 7 de julho, pela prefeitura propõe a extinção gradativa da função de cobrador de ônibus. Com isso seriam permitidas viagens entre 22h e 4h, sem a necessidade deste profissional.