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Retrato do artista quando realizado

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Ao fundo foto da professora Rosa Magalhães. Foto: Biblioteca Campensina/Santa Maria da Vitória-BA
Ao fundo foto da professora Rosa Magalhães. Foto: Biblioteca Campensina/Santa Maria da Vitória-BA

 

Dedico o texto que se segue a duas brilhantes jovens. Márcia Nasareth, professora, quem involuntariamente e por vias transversais me instigou a escrever as linhas abaixo; e Thaise Diamantino Coelho, coordenadora da Casa da Cultura Antonio Lisboa de Morais-Biblioteca Campesina, graduanda em Letras, com o talento e a rapidez que lhe são peculiares, ela digitou meus hieróglifos.

 

Quando, naquele longínquo ano de 1956, ele, guiado pelas mágicas mãos da Mestra, meteu os pés na prancha e embarcou no vapor, a saber se foi Benjamin Guimarães, Fernão Dias, Saldanha Marinho, Alfredo Viana, São Salvador, Halfeld, com seus 17 anos de idade, nem de longe poderia imaginar que o futuro lhe reservaria trajetória promissora, vitoriosa na Pauliceia Desvairada.

 

 

Audálio Dantas apreciando pintura de Jurandi Assis. Foto: Biblioteca Campesina/Santa Maria da Vitória-BA
Audálio Dantas apreciando pintura de Jurandi Assis. Foto: Biblioteca Campesina/Santa Maria da Vitória-BA

 

E lá se foi o gaiola margeando Sambaíba, curvando o Corrente, descendo: Domingão, Buriti, Lavandeira, Volta da Pedra, Porto Novo, Sítio do Mato, lá onde o nosso rio desagua no Velho Chico.

 

Cinco dias, cinco noites subindo o rio da unidade nacional. Pirapora enfim, de onde seguem de trem rumo a Sampa.

 

Na maior cidade da América do Sul ele foi levado pela Professora Imortal ao Instituto Presbiteriano Mackenzie, ela buscando emprego para o ex-aluno.

 

Quando o diretor do instituto perguntou a Jurandi que religião adotava, Dona Rosa Magalhães saltou na frente: “ele é protestante, professor!”, antes que o futuro funcionário dissesse que era católico praticante, emprego poderia ir pras cucuias.

D. Alzira, Jurandi Assis, Jacinta Correia, Clodomir Morais. Foto: Biblioteca Campesina/Santa Maria da Vitória-BA
D. Alzira, Jurandi Assis, Jacinta Correia, Clodomir Morais. Foto: Biblioteca Campesina/Santa Maria da Vitória-BA

 

Colocação, sobreviver era preciso.

 

No batente de dia. Nas noites, madrugada adentro, dedicação à arte, ao desenho pra começo de conversa.

 

Jurandi Assis com Pepeu Gomes. Foto: Biblioteca Campesina/Santa Maria da Vitória-BA
Jurandi Assis com Pepeu Gomes. Foto: Biblioteca Campesina/Santa Maria da Vitória-BA

Talento latente, em vazão.

 

Tempos depois, publicitário autodidata, vai trabalhar no departamento de arte da Avon.

 

Aprofundamento de técnica em ascensão. Como se diz no jargão artístico, muita inspiração mesclada com muito mais transpiração.

 

Depois de uma longa estrada, exatamente em 19 de setembro de 2000, o grande salto de qualidade na carreira: O Inventário do Cotidiano é lançado na Casa da Fazenda do Morumbi, com a presença de figuras exponenciais da arte e da cultura brasileiras, dentre eles o jornalista Audálio Dantas, quem inclusive escreveu uma linda crônica intitulada Jurandi e Guarany, num poético enlace entre pintor e escultor.

 

Com apresentação de ninguém menos que Jacob Klintowitz, bambambã dentre os críticos de arte brasileiros, intercalada com depoimentos de Jurandi Assis, a obra reúne grande parte da produção do pintor, são dezenas em grafite e óleo sobre tela. Edição bilíngue, primorosa, sem sombra de dúvida.

 

Chegamos a 2012 e o público toma conhecimentos de que nosso consagrado camarada enveredou pelos caminhos da literatura.

 

O Arqueiro de Prata, romance infantojuvenil, foi editado, sendo na sequência imediata adotado em várias escolas paulistanas, autor convidado a fazer palestras em algumas delas, Colégio São Bento, por exemplo. Atendendo solicitação de Jurandi Assis, encarei prazerosa e orgulhosamente a empreitada de atuar como revisor desse livro estreia.

 

Quatro anos se passaram e o filho de Nerina e Otílio protagoniza nova conquista literária. Lança A realização de um sonho, autobiográfico, relato tim-tim por tim-tim do percorrido de Jurandi pelos movimentos do mundo.
A leitora e o leitor viajam com leveza pelas páginas desse livro de arte, ricamente ilustrado, se inteirando da caminhada de um homem persistente, perseverante, nascido à beira da margem esquerda do Rio Corrente.
Assim foi: chegou, viu e venceu na mesma metrópole que antes abrigou Clodomir Morais nos anos 40’s.

 

Entre a publicação do 2° e 3° livros, Jurandi marcou presença em vários volumes da Antologia intitulada genericamente O Conto Brasileiro Hoje.

 

A realização de um sonho, do qual também me foi dada a honrosa missão de revisar, traz à luz em linguagem acessível ao grande público o relato minucioso de vida e obra de um artista plástico que tem razões e emoções de sobra pra se sentir transbordante de contentamento.

 

 

(*) Por Joaquim Lisboa Neto
Biblioteca Campesina, 1º setembro 2022.

 




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