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Reservatórios hidrelétricos estão sendo esvaziados para beneficiar geradoras privadas

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Trabalhadores da Eletrobras param por 72 horas

 

No início da pandemia, em maio de 2020, o armazenamento nos reservatórios das hidrelétricas chegou alcançar um patamar de 60,5%. Apesar da queda no consumo de eletricidade e sem alterações significativas na intensidade das chuvas, após um ano de pandemia, os lagos estão com 42% de água, a segunda pior situação desde a privatização dos anos de 1990.

 

 

A denúncia foi feita pelos especialistas Dalila Calisto e Gilberto Cervinski, integrantes da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Segundo eles, os lagos estão sendo esvaziados para beneficiar empresas privadas de geração.

 

“A atual crise hidrelétrica repete a mesma política de Fernando Henrique Cardoso e seus apagões. Primeiro pela ideologia neoliberal que tira do Estado para entregar a particulares necessidades básicas da Nação como energia e água. Assim apenas onde há lucro financeiro e grande haverá o interesse privado. Apagões de eletricidade e falta d’água passam a ser comuns. Em seguida, pelo entreguismo dos governantes, pela corrupção ou pela ideologia, que entregam a interesses estrangeiros importantes e estratégicos setores da economia brasileira. Esta junção maléfica que estamos, mais uma vez, assistindo no governo Bolsonaro”, afirma Pedro Pinho, administrador aposentado e conselheiro do Jornal Brasil Popular.

 

No caso de Itaipu, foi autorizada, no início da pandemia, a abertura das comportas, o que levou a usina à pior geração de eletricidade dos últimos 20 anos, com 25% a menos (2.500 MWmédios). “Essa situação beneficiou todas as usinas privadas situadas acima de Itaipu. Assim, as principais hidrelétricas de acumulação de água da Bacia dos rios Grande, Paranapanema, Tietê e outros aceleraram sua produção ao máximo. Ao final de um ano, elas tinham menos de 10% de água nos reservatórios, mas faturaram alto, mesmo com consumo em queda”, afirmam no artigo “Um poderoso tarifaço na conta de luz atingirá o povo brasileiro”.

 

 

Além de favorecer as empresas privadas proprietárias de hidrelétricas, a medida, ao mesmo tempo, beneficiou os proprietários de térmicas, que são os mesmos donos das hidrelétricas, já que em nome de uma suposta “crise hídrica” o ONS e a Aneel autorizaram o funcionamento das usinas térmicas caras, com preços por quilowatt cinco vezes mais caros. “Essa diferença de custo acaba sendo transferida nas contas de luz”, afirmam Calisto e Cervinski.

 

 

Nesta terça-feira, os trabalhadores do Sistema Eletrobras entrarão em greve por 72 horas. “A paralisação é uma resposta ao agendamento da MP 1031 no Senado, que prevê a privatização da Eletrobras. É também uma resposta ao descumprimento do ACT Nacional, à não renovação de ACTs específicos e às demissões de dirigentes sindicais”, afirmam as entidades organizadoras da greve.

 

 

O vice-presidente da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU), Nailor Gato, explica que “a população não será prejudicada pela nossa luta. Mas é necessário entender que a soberania nacional está em jogo, que haverá aumentos de preços, caso a Eletrobras seja privatizada, e serão os consumidores que pagarão por tudo isso”.

 

 

A Medida Provisória 1031, da privatização, já foi aprovada na Câmara dos Deputados e tem até o dia 22 de junho para ser aprovada também pelo Senado, caso contrário o texto vai caducar e perderá seus efeitos. A MP entrará na pauta do Senado nesta quarta-feira.

 

Do Monitor Mercantil com edição do Jornal Brasil Popular

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