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Reflexões em torno da Encíclica Fratelli Tutti

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O Papa Francisco, demonstrando ser, mais do que uma autoridade religiosa, um dos principais estadistas do século XXI, traz sua palavra sobre o que denominou “fraternidade e amizade social”. Ou seja, da situação coletiva, do homem social.

 

Já aí, neste destinatário, se vê o contraponto necessário ao pensamento único, dirigido ao homem individual, desvinculado de tudo e todos, até mesmo familiares. É este homem liberal, do pensamento único, que está em permanente guerra com todos os demais. E Papa Francisco invoca o Santo, com seu mesmo nome, que “semeou paz por toda parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados”.

 

Precisa palavra: descartados. Assim somos todos tratados no liberalismo que busca se impor pela força das armas e pela pedagogia colonial em todo mundo neste século. A pandemia covid-19 apenas realçou as consequências liberais: mais de um milhão de mortes em menos de um ano, dez meses, contados desde 24 de janeiro. Em 12/10/2020, 1.081.295 mortos.

 

Papa Francisco trata da colonização cultural, uma desconstrução do passado ou uma reescrita da história, bem no modelo da distopia de George Orwell (1984). A bem pensar, o que construiu o liberalismo desde quando, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), determinou o fim da história, poderia ser designado o descarte mundial.

 

“Partes da humanidade parecem sacrificáveis em benefício duma seleção que favorece a um setor humano digno de viver sem limites”, e também nas palavras do Pontífice, há os que “ainda não servem” e os que “já não servem” ao poder financeiro, à banca, dominadora do poder no ocidente e a ameaça da vida no oriente.

 

E o descarte se exprime, nas palavras de Francisco, pela “obsessão por reduzir custos laborais” sem dar conta do desemprego, alargando as fronteiras da pobreza. Além do descarte assumir ”formas abjetas”, como o racismo. E acrescenta “a solidão, os medos e a insegurança de tantas pessoas” criam um “terreno fértil para as máfias”, para os “interesses criminosos”.

 

Parece que o Papa escreveu diante do mapa do Brasil Bolsonaro.

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