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Quem é o padrinho político do ex-secretário de Saúde de Ibaneis, acusado de desviar milhões na pandemia

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Como a maioria dos deputados distritais (veja a lista dos parlamentares a seguir) rejeitou no mês passado instaurar a CPI da Covid no DF, para investigar desvios na Saúde no governo de Ibaneis Rocha (MDB), a CPI do Senado aprovou nesta semana a convocação do ex-secretário da pasta, Francisco Araújo, que esteve preso por 83 dias no desdobramento da operação Falso Negativo. Toda a cúpula da secretaria foi presa no ano passado.

 

Francisco, que tem ligação histórica com dirigentes do MDB, é investigado por suspeitas de irregularidades na contratação de hospitais de campanha e fraudes na compra de testes sem nenhuma eficiência para o novo coronavírus. Ele foi flagrado combinando os termos de licitações com empresários para a compra de testes e insumos para o enfrentamento da Covid a preços superfaturados. A Polícia e o Ministério Público investigam desvios na ordem de R$ 46 milhões. Ele foi preso e denunciado à Justiça por peculato, fraude e organização criminosa.

 

Antes de ser secretário de Saúde no DF, pasta que tem orçamento anual de R$ 7 bilhões, Francisco foi eleito vereador na pequenina cidade de Cajueiro, que tem 20 mil habitantes, e fica em Alagoas. Lá chegou a ser secretário de Saúde.

 

Em 2009, Francisco foi convidado pelo então prefeito de Maceió, Cícero Almeida (MDB), para assumir a secretaria de Assistência Social da capital alagoana. Deixou a pasta acusado de desviar R$ 50 milhões. No fim do ano passado foi condenado por improbidade administrativa.

 

Convocado à CPI do Senado especula-se agora quem é o padrinho político de Francisco. Após o escândalo em Alagoas, Francisco veio a Brasília onde assumiu um cargo de assessor nomeado pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (MDB). No governo Temer (MDB), assumiu um cargo no Ministério das Cidades.

Em 2019, a convite de Ibaneis, assumiu a presidência do Instituto de Gestão Estratégica da Saúde, entidade cuja finalidade é a mesmo daquela que dirigiu em Alagoas, administrar verbas públicas. Depois assumiu a Secretaria de Saúde no DF.

 

Por meio de sua assessoria de imprensa, Ibaneis disse que conheceu Francisco no Ministério da Saúde, mas a pasta negou que Francisco já tenha trabalhado lá.

 

As ligações políticas de Francisco não param por aí. Ele foi candidato em Alagoas, em 2014, a deputado estadual pelo PRTB e apoiou a eleição de Renan Filho (MDB) ao governo do estado. Renan Filho e Renan pai negam ter vínculos com Francisco.

 

Um assessor do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) também foi preso na operação Falso Negativo. O PL no DF, que é presidido por Flávia Arruda, ministra da Secretaria de Governo, também negou ter ligações com Francisco.

 

Pelo jeito, apenas duas pessoas podem esclarecer quem é o verdadeiro padrinho político de Francisco, ele mesmo ou o governador Ibaneis Rocha. A CPI do Senado pode trazer à tona essa verdade, uma vez que a Câmara Legislativa do DF se recusou a investigar os desmandos na Saúde no DF.

 

Distritais que foram contra a CPI da Covid

 

Agaciel Maia (PL)
Cláudio Abrantes (PDT)
Daniel Donizet (PL)
Delmasso (Republicanos)
Hermeto (MDB)
Iolando Almeida (PSC)
Martins Machado (Republicanos)
Rafael Prudente (MDB)
Reginaldo Sardinha (Avante)
Robério Negreiros (PSD)
Roosevelt Villela (PSB)
Valdelino Barcelos (PP)

 

Distritais que foram a favor à CPI

 

Arlete Sampaio (PT)
Chico Vigilante (PT)
Eduardo Pedrosa (PTC)
Fábio Felix (PSol)
João Cardoso (Avante)
Júlia Lucy (Novo)
Leandro Grass (Rede)
Reginaldo Veras (PDT)

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