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Quando a curva é o foco!

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Em tempos de pandemia, os holofotes estão voltados para a curva que representa o comportamento do vírus ao longo do tempo. Inevitável, posto que se torna a figura central para tomadas de decisões, sobretudo governamentais, a fim de conter a disseminação da doença.

 

Vamos então tentar dissecar essa trajetória que, por hora, representa o real risco de contaminação e como é importante a prevenção social, o duro e penoso isolamento, já que não estamos acostumados a um forçado confinamento, devido às medidas sanitárias.

 

A todo momento nos surpreendemos com os novos e aparentemente ávidos números que representam a evolução do contágio, por meio dos gráficos, diariamente mostrados nos telejornais. É nesse momento que o que mais nos interessa é saber quando tudo voltará à normalidade, se é que será possível falar em restituição sem ranhuras sociais.

 

Matematicamente, as curvas são representações gráficas de fenômenos observados ou experimentados que se modelam por meio de expressões algébricas, compostas por variáveis que, por se tratarem de relações sociais e virais, são complexas. Sem perder a ênfase da métrica da ciência, a curva em questão trata de dois parâmetros: um é relacionado ao número de infectados pelo vírus e o outro é nada mais que a linha do tempo.

 

A linha do tempo, independente das nossas vontades, é infinita, tornada finita apenas por nossas trajetórias nesta vida. Ela foi pontuada por dias, por conta da velocidade do contágio da doença, o novo covid.

 

O eixo que representa o número de infectados, vertical, este sim, merece nossa atenção, pois nos representa enquanto sociedade suscetível. É nesse eixo que os sujeitos, quando viram pacientes, alimentam a trajetória da curva.

 

Então, podemos ver o desenho da curva que se mostra num modelo exponencial, por meio de “saltos” que tem nos tirado a paz! Como toda curva, a subida nos dá um bom referencial de como ela irá se comportar. Pois bem, mas a descida não traz simetria com a subida. Ela sobe com muita velocidade e desce muito suavemente, sem pressa, se alimentando dos incrédulos que insistem em quebrar as regras de prevenção.

 

Sendo estudiosa dos comportamentos das curvas, diariamente sou questionada de quando será o fim desta pandemia e a minha resposta é sempre pontual: depende de cada um de nós! Uma coisa é certa, não será breve, a menos que haja uma vacina amplamente distribuída em pouco tempo.  Ainda teremos alguns meses de risco de contaminação. Enfim, do jeito que a curva tem se mostrado, ela está sem pressa de se encontrar com o seu zero. O que nos resta é crer que dias melhores virão!

 

Fernanda Cristina Silva Gomes Vieira é Matemática e Mestre em Educação e professora do Departamento de Matemática – IFMA/ Campus São Luís – Monte Castelo
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