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Pule de 10, Leandro vai vencer Ibaneis na corrida para o Buriti

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Poucos conhecem tão bem a política e os políticos brasilienses quanto o jornalista e professor aposentado Hélio Doyle, que vive há 61 anos em Brasília e já ajudou, com seu trabalho, a eleger três governadores, dos quais foi secretário: Governo, de Cristovam Buarque; Articulação Institucional, de Joaquim Roriz; e Casa Civil, de Rodrigo Rollemberg.

 

 

Agora, Doyle está coordenando a campanha do deputado distrital Leandro Grass, do Partido Verde, ao governo do DF. Grass é apoiado por Lula, que Doyle conhece desde 1978, quando ambos eram dirigentes sindicais: Lula, dos metalúrgicos de São Bernardo, e Doyle dos jornalistas de Brasília. Doyle foi um dos fundadores do PT e integrou sua executiva nacional nos quatro primeiros anos do partido. Desfiliou-se em 1998.

 

 

Embora seja um dos fundadores do Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político (Camp), que reúne profissionais de todo o país, Doyle não gosta que o chamem de marqueteiro. “Marqueteiro não reflete a complexidade de nosso trabalho e ganhou uma conotação negativa”, explica. Até maio, ele era o diretor da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) em Brasília e há pouco mais de um mês foi admitido na Academia Brasileira de Direito Eleitoral e Político (Abradep).

 

 

Doyle é sócio majoritário da WHD Comunicação, que inclui a WHD Pesquisa e Estratégia e a Editora Meiaum, que editou um de seus livros, Assim é a Velha Política. Seu romance Interregno foi editado pela Chiado, em primeira edição, e pela Geração Editorial, em segunda edição. Documentarista bissexto, com três filmes premiados, Doyle dirigiu, em 2019, Chiquinho, o livreiro da UnB.

 

 

Na entrevista a seguir, exclusiva para Notibras, Hélio Doyle abre o jogo e garante: Leandro Grass será o próximo ocupante do Palácio do Buriti. Leia os principais trechos:

 

 

Leandro Grass pode derrotar o governador Ibaneis Rocha?
Pode, claro. E vai derrotar, pode me cobrar em outubro. Não digo isso só porque sou responsável pela estratégia da campanha dele, falo como profissional de comunicação política e que acompanha de perto ou de dentro as eleições em Brasília desde a primeira, em 1986. Leandro é o candidato com mais condições políticas e eleitorais para ir para o segundo turno contra Ibaneis. E no segundo turno, quem sabe com Lula já eleito, terá o apoio de outros candidatos que se opõem à reeleição do governador e será eleito.

 

 

Por que Leandro tem mais condições de ir para o segundo turno?
Leandro é o candidato que mais conhece o Distrito Federal e seus problemas e o que mais enfrentou e enfrenta Ibaneis e seu desgoverno. Tem feito um excelente mandato na Câmara. É um jovem maduro, muito bem preparado para ser candidato e para ser governador. É corajoso e decidido. Bater de frente com Ibaneis e sua turma, denunciar corrupção e irregularidades, exige coragem. Além disso, Leandro conta com a força política e militante da federação que reúne seu partido, o Verde, ao PT e ao PCdoB. E é o candidato apoiado por Lula no Distrito Federal.

 

 

Mas estar junto com o PT e ser apoiado por Lula não pode ser ruim para ele? O PT e Lula têm rejeição alta no DF…
Têm rejeição e têm aprovação! Tem os dois lados. O mesmo raciocínio pode ser aplicado a Ibaneis: o apoio de Bolsonaro não pode prejudicá-lo, devido à alta rejeição dele? Temos visto que o eleitorado brasiliense está bem dividido entre Lula e Bolsonaro, em empate técnico. Há uma faixa que não quer nenhum deles. O PT é ao mesmo tempo o partido mais aprovado e mais rejeitado. Eu acho que Lula crescerá mais no DF e ganhará aqui. E isso ajudará as eleições de Leandro ao governo e da Rosilene ao Senado.

 

 

Mas o que ouvimos é que nenhum dos dois têm chances reais, pois Ibaneis e Flávia Arruda são muito fortes, têm as máquinas dos governos federal e distrital, muito dinheiro para suas campanhas.
Eu também ouço e leio bobagens como essas. Geralmente são ditas por quem nada entende de eleição e campanha ou por quem trabalha ou faz lobby na imprensa ou nas redes sociais para Ibaneis e Flávia, ou outros candidatos. “Fulano não tem chance”, “Sicrano já ganhou” e “Beltrano é imbatível” são frases que quem entende de política e de eleição não diz antes de sequer começar a campanha eleitoral. Claro que há candidatos sem chance mesmo, que já se lançam sabendo que não se elegerão, mas isso não pode ser dito só porque o candidato está com pontuação baixa em pesquisas feitas um ano, ou meses antes da eleição. Aliás, em 1994 eu ouvi demais que Cristovam não tinha chance contra Valmir Campelo, e em 2014 ouvia que Rollemberg não tinha chances contra Arruda.

 

 

Mas Arruda não pôde disputar a eleição…
Aí colocou o seu vice Jofran Frejat para governador e sua mulher Flávia como vice. Sabe que eu tinha mais medo do Frejat do que do Arruda? Eu sabia, pelas pesquisas que fazíamos, que Arruda não derrotaria Rollemberg no segundo turno, pois tinha um teto que nunca ultrapassava 40%. E não sabia como seria com Frejat, que não tinha a rejeição elevada que Arruda tinha, e tinha imagem de honesto. Tenho muitas testemunhas: eu tinha certeza de que Rollemberg ganharia aquela eleição, com ou sem Arruda. Nunca duvidei.

 

 

Arruda não ganharia agora se fosse candidato?
Não necessariamente, ainda mais se Ibaneis também fosse candidato. Há um mito sobre Arruda, de que é imbatível. Ele tem mesmo muitos votos, há muita gente que endeusa sua gestão por causa de obras que fez e deixa de lado as gravíssimas denúncias de corrupção. Mas as pesquisas qualitativas mostram claramente que ele tem uma rejeição muito alta e um teto que dificulta vencer no segundo turno.

 

 

Tinha certeza da vitória do Cristovam também?
Não, achava difícil, mas possível. Não tinha certeza. Naquele tempo o PT largava com 25% dos votos, Cristovam tinha 2%. Nossa tarefa era fazer Cristovam crescer pelo menos no piso do PT e ir para o segundo turno, e conseguimos mais do que isso com a campanha. Valmir, com apoio de Roriz, era o “imbatível”, e os raros que admitiam segundo turno achavam que Maria de Lourdes Abadia é que iria. Cristovam “não tinha chance”…

 

 

Diziam que ele não decolava, que era desconhecido…
O desconhecido se torna conhecido com a campanha, e decolar é questão de tempo. Ibaneis era um desconhecido, e decolou. Há inúmeros outros casos. E um teco-teco decola rapidamente, mas voa baixo e com pouca autonomia de voo. Um Boeing demora a decolar, mas voa alto e vai muito mais longe. Tinha jornalista que escrevia que o candidato deveria ser o Chico Vigilante, que tinha uns 15% quando Cristovam tinha 2%. A questão, porém, era outra: Chico tinha 15%, mas não chegaria a 50% no segundo turno, Cristovam passaria disso. Para analisar uma pesquisa você tem de ver o conjunto dela e os cruzamentos, não basta olhar intenção de votos. E tem de ir além das pesquisas, tem de fazer uma análise do momento político para poder traçar uma estratégia.

 

 

Pesquisas então não servem para definir quem deve ser o candidato quando os partidos têm vários pretendentes?
Servem, em parte, se a pesquisa for confiável e você souber analisar isentamente os dados das quantitativas e as percepções das qualitativas. Não serve se a pesquisa é contratada por um candidato que paga para ser “ajudado”, se só olhamos para dois ou três dados ou interpretamos a qualitativa do jeito que nos interessa. Eu disse em parte porque as pesquisas não podem ser o critério para a decidir, mas um instrumento para ajudar na decisão política.

 

 

Você estava na campanha em que Roriz derrotou Geraldo Magela, do PT, por pouco, quando se dizia que ele ganharia no primeiro turno. O que aconteceu?
Eu sempre dizia que Roriz não ganharia no primeiro turno, porque havia muitos candidatos, entre os quais o Magela, que na época era forte eleitoralmente, e seria impossível ter mais votos do que todos eles. Só que os puxa-saco, que eram muitos na campanha, ficavam dizendo ao Roriz que ele ganharia no primeiro turno, e ele acreditou. Quando viu que haveria segundo turno, ele se preocupou muito, convocou uma reunião e mudou o comando da campanha. Ganhou por muito pouco.

 

 

Você achava que Ibaneis venceria em 2018?
Achava sim, e disse isso a várias pessoas, inclusive a ele e a colegas jornalistas. Em 2018 eu não estava em nenhuma campanha, atuei como jornalista escrevendo artigos diários para o Metrópoles. No final de 2016 eu estive com Ibaneis e disse a ele que tinha uma pesquisa qualitativa, encomendada pela Fecomércio, que mostrava com clareza o perfil do candidato desejado: distante da política tradicional, sem mandato, bem-sucedido em outras atividades, com discurso contra a velha política. Ele me disse que pensava em se candidatar e iria fazer uma qualitativa também. Já em 2017 ele me mandou o relatório dessa quali, praticamente igual ao da que eu tinha feito. Quando ele se lançou, eu vi que poderia ganhar, pois preenchia o perfil que o eleitorado desejava. Mas depois vimos que era enganação…

 

 

Só ele tinha o perfil desejado?
Não, havia mais três: o general Paulo Chagas, pela extrema-direita, o empresário Alexandre Guerra, do Novo, à direita, e a professora Fátima Sousa, do PSol, à esquerda. Todos em partidos pequenos e dois deles sem tempo na TV e participação nos debates. Ibaneis era o chamado centro, tinha um partido grande com muito tempo na TV e gastou muito dinheiro na campanha, como todos sabem. E enganou muita gente com promessas que não cumpriu.

 

 

Dinheiro não é fundamental em uma campanha?
Infelizmente é muito importante, mas felizmente não decide eleição. Já tivemos muitos milionários e candidatos de partidos ricos sendo derrotados por candidatos sem dinheiro. Mas é muito difícil fazer campanha com poucos recursos, e isso beneficia os ricos, os empresários e o establishment em detrimento de pessoas que fariam mandatos muito melhores, mas que não têm recursos financeiros próprios ou roubados dos governos, ou que são de partidos pequenos. A legislação eleitoral brasileira beneficia os ricos e os corruptos, isso é inegável. Sou um crítico radical de nosso sistema político e eleitoral, que estudo e comparo com o de outros países. Acho que é péssimo em inúmeros aspectos, inclusive nesse.

 

 

Por que você optou por trabalhar na campanha do Leandro?
Considero que estou trabalhando na campanha da federação, para que Lula seja o mais votado no DF, para eleger Leandro para o governo, Rosilene para o Senado e um ou dois deputados federais e o máximo de distritais que permitam ao Leandro ter uma boa bancada na Câmara. Sou coordenador da campanha do Leandro, e essa é uma opção política, não profissional, como foi com outros candidatos com quem trabalhei. Já trabalhei profissionalmente em várias campanhas, para governador, senador, deputado, prefeito. Nesta eleição, meus conhecimentos e experiência profissionais estão focados para derrotar Ibaneis, que para mim é pior governador que o DF já teve e que se aliou a Bolsonaro, que considero fascista e responsável pela destruição política, econômica, social, cultural, ambiental e ética do Brasil nos últimos anos. A tarefa principal, para mim, é derrotar Bolsonaro e o bolsonarismo, aqui representado principalmente por Ibaneis e Flávia Arruda. E eleger Lula, Leandro e Rosilene.

 

 

Não seria melhor se os partidos que querem isso tivessem se unido aqui no DF, como se uniram pela eleição do Lula?
Claro que seria, mas infelizmente não foi possível. Sempre defendi que os partidos deveriam firmar sua identidade política lançando candidatos a presidente e governador. Mas esta agora não é uma eleição normal, e não é difícil entender isso. É democracia versus ditadura fascista, humanidade versus barbárie. Trata-se de uma oportunidade, nos marcos constitucionais, de impedir a continuidade de um projeto fascista de poder, representado por Bolsonaro e, aqui no DF, sobretudo por Ibaneis e Flávia Arruda. Deveríamos estar unidos para derrotá-los.

 

 

E por que não foi possível?
Entendo que a compreensão que houve em nível nacional não houve aqui, assim como não houve em vários estados. Como se a unidade fosse fundamental para derrotar Bolsonaro, mas não para derrotar governadores e candidatos bolsonaristas, como Ibaneis, e uma ex-ministra do Bolsonaro, como a Flávia. Eu me empenhei muito por essa unidade, conversei muito com gente de todos os partidos, inclusive presidentes nacionais. Cheguei a escrever uma carta aos presidentes locais dos partidos pedindo a unidade. Demos um enorme passo com a federação PT-PCdoB-PV, uma lição de unidade, mas não conseguimos nos unir nem aos demais partidos que apoiam o Lula.

 

 

Mas por que essa unidade deveria ser em torno do Leandro?
Porque ele é o melhor candidato, nas atuais circunstâncias, neste momento, para derrotar Ibaneis. No meu entendimento, é o que tem mais condições de crescer eleitoralmente e polarizar com Ibaneis, pelas suas qualidades políticas e pessoais e porque está na federação que reúne três partidos, entre os quais o maior partido de esquerda do Brasil, o PT. Dizer isso não é desmerecer os demais postulantes, é uma análise pragmática e baseada em pesquisas, conhecimento, experiência e instinto. Eu me ofereci a todos os partidos para explicar, isentamente, porque acho isso. E se eu achasse que o Leandro não é o melhor candidato, não teria trabalhado para que fosse escolhido, trabalharia para que fosse escolhido quem tivesse melhores condições. Mas é ele e estamos nesta para ganhar!

 

 

Você sempre achou que Leandro era o melhor candidato?
Não, eu o conhecia desde 2014, mas não o suficiente. Em 2020, quando começamos a conversar sobre a eleição de 2022, eu pensava em outras pessoas, que não vou citar. Chegamos a conversar nessa perspectiva. Mas aí vi que faltava a essas pessoas o conhecimento sobre Brasília que Leandro tem, a disposição e o tesão para enfrentar Ibaneis e as dificuldades da eleição e para governar o DF. Foi um processo natural que levou a Leandro.

 




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