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Protestos contra o governo mostram que eleições de 2022 possibilitarão um plebiscito nacional

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A exemplo do que citei em artigos anteriores, a democracia brasileira, ainda jovem e em processo de estruturação, não suportaria um novo processo de impeachment, como querem os partidos de oposição e os adversários do presidente da República.

 

 

Por mais sólida que seja, nenhuma democracia é capaz de sair incólume de três processos de impeachment no período de trina anos – o de Fernando Collor aconteceu em 1992, o de Dilma Rousseff, em 2016. Analisando o cenário político depois do afastamento de ambos, o saldo é negativo. Não estou a defender a corrupção ou a transgressão das leis, mas é preciso ir além do oportunismo político para qualquer avaliação.

 

 

O presidente Jair Bolsonaro continua desdenhando as manifestações contra o governo, como se a indignação popular nada representasse, mas não se pode ignorar os protestos que tomaram as ruas e avenidas brasileiras no último 19 de junho. Quem pensa em termos políticos com doses rasas de coerência sabe que a sorte está lançada. Isso significa que a radicalização e a polarização tendem a crescer.

 

 

Nos últimos dois anos e meio o Brasil deu largos e perigosos passos na direção do retrocesso, algo que os democratas não podem aceitar de maneira silenciosa. Reverter esse quadro faz-se urgente, mas a decisão de barrar o atual governo deve surgir das urnas de 2022. Qualquer medida mais radical até as eleições gerais representará um sério risco ao país, tanto política quanto economicamente.

 

 

Esse plebiscito que tanto esperamos precisa surgir a partir do voto consciente, sem que o eleitor se deixe dominar por teorias conspiratórias. A democracia brasileira está ameaçada, mas ainda é possível salvá-la. O Brasil, nas próximas eleições, precisa apostar em um rito de passagem, apostando todas as fichas em uma candidatura que permita uma transição pacífica e ordeira para que recuperemos o que foi perdido nos últimos meses.

 

 

O governo Bolsonaro ainda continua em pé por causa dos acordos espúrios firmados no Congresso Nacional com o sempre famigerado Centrão, que em troca de apoio político tem autorização para avançar sobre o dinheiro público e legislar em causa própria, dando às costas à opinião pública. No contraponto não se pode esquecer que o presidente da República prometeu combater o que agora autoriza e endossa sem um grama de vergonha.

 

 

Muito tem se falado em uma “terceira via”, mas até o momento não surgiu um nome capaz de convencer o eleitorado e principalmente os investidores. O apresentador Luciano Huck, da TV Globo, desistiu de concorrer ao Palácio do Planalto. João Amoêdo, do Novo, também jogou a toalha. O ex-juiz Sérgio Moro, fio de esperança dos adeptos do “vale tudo”, foi do céu ao inferno em questão de meses. Em suma, por enquanto não há um nome capaz de ungir a terceira via.

 

 

Alguém há de dizer que ainda falta muito tempo para as eleições de 2022, mas não é bem assim. Na verdade, estamos a um ano do início da campanha presidencial. Enquanto o tempo urge, os conchavos avançam nos subterrâneos do poder.

 

 

Muito além da eleição presidencial, a escolha do próximo ocupante do Palácio do Planalto passa obrigatoriamente pela disputa nos estados. É nesse ponto que está a chave do enigma.

 

 

Parlamentares que hoje engrossam a base do governo no Congresso têm interesses paroquiais, o que os obrigam a repensar o apoio a Bolsonaro. É uma questão de sobrevivência política.

 

 

Cito como primeiro exemplo o Piauí, atualmente comandado pelo petista Wellington Dias, um dos bons e destacados nomes do partido. Apoiador do presidente da República, o senador Ciro Nogueira (PP) acalenta o sonho de governar o estado. Para tanto, precisará do apoio do PT local, que nacionalmente é figadal inimigo de Bolsonaro.

 

 

Com o mandato parlamentar valendo até janeiro de 2027, Ciro Nogueira pode se aventurar em uma candidatura ao governo do Piauí, pois em caso de derrota terá mais quatro anos como senador. Caso seja eleito para governar os piauienses, Ciro manterá os tentáculos no Parlamento, uma vez que sua primeira suplente é a própria mãe.

 

 

Outro exemplo de sobrevivência política se põe no meu estado, o Maranhão. Há dias, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, anunciou o nome do senador Weverton Rocha como candidato do partido ao governo do Maranhão.

 

 

Integrante da base de apoio do governo de Flávio Dino, que recentemente trocou o PCdoB pelo PSB, Rocha precisará do apoio do PT maranhense para manter os planos políticos. Além disso, adotar discurso crítico a Dino dificultará seu projeto eleitoral. Isso significa abrir mão dos cargos que detém na máquina estatal.

 

 

Outro ponto sensível para Weverton é a cada vez mais certa candidatura de Ciro Gomes (PDT-CE) à Presidência da República. Com Ciro atacando de forma recorrente o ex-presidente Lula, candidato natural do PT, Weverton terá dificuldade para conseguir o apoio dos petistas maranhenses em sua caminhada ao Palácio dos Leões, sede do Executivo maranhense.

 

 

Flávio Dino, que tenta fazer do vice Carlos Brandão (PSDB) seu sucessor, trocou de legenda na esperança de fazer dupla com Lula. Essa composição não é tida como certa, mas Dino poderá chegar com facilidade ao Senado.

 

 

Disposto a lançar candidato ao Palácio do Planalto, o PSDB, com essa decisão, reforça o plano do tucano maranhense Carlos Brandão, que pela incontestável lealdade a Dino merece incondicional apoio do atual governador do Maranhão.

 

 

Como disse o imperador romano Júlio César, às margens do Rio Rubicão, “alea jacta est” (a sorte está lançada), mas o futuro do Brasil depende de um plebiscito nacional que somente as urnas de 2022 serão capazes de proporcionar.

 

 

(*) Waldir Maranhão

 

 

 

 

 

 

 

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