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Profundo luto político às vésperas de um Oito de Março

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Enquanto as mulheres pelo mundo e nós, aqui no Distrito Federal, preparamos celebrações e atos para o Oito de Março, o Brasil atingiu a triste marca de 250 mil mortes resultantes da Covid. Resultantes, principalmente, de injustiças graves, clamando por enfrentamento. Certamente, todos vamos morrer, mas essas 250 mil pessoas lutaram para superar o adoecimento. Sucumbiram e tiveram uma morte cruel, com asfixia, uma morte solitária, pois, para evitar contágios, essas pessoas foram mantidas afastadas de seus familiares. E foram veladas e sepultadas com toda brevidade, sem direito a rituais, com despedidas rápidas.

 

Diante desse quadro desolador nos cabe assumir um luto político, fazendo oposição permanente a um governo que, sem racionalidade nem constrangimento, busca minimizar o caráter desumano e dramático dessa situação. Luto político como resistência diante de uma vergonhosa banalização de mortes em série – diariamente acima de mil mortos. Mobilizar um luto político exige indignação diante de um Ministro da Saúde sem programa de imunização, pretendendo normalizar a situação trágica em que estamos mergulhados. Mobilizar um luto público inclui manifestar solidariedade a 250 mil famílias que perderam não só afetos, mas muitas delas, perderam aquela pessoa que lhe oferecia apoio material, importante para a própria sobrevivência de incontáveis famílias. #VacinaEAuxílioEmergencialJá

 

Foi possível atingir a marca de 250 mil óbitos porque o Estado brasileiro adotou políticas de morte, necropolíticas, políticas irracionais, por ação e por inação. Um governo desprezando a vida, vem deixando a população em completo desamparo. Faltam testes, falta oxigênio, faltam vacinas, falta coordenação e planejamento, falta valorização da ciência e da pesquisa, falta gestão, faltam atitude e exemplos de respeito aos protocolos sanitários pelas autoridades do país. É o absurdo e o irracionalismo vigorando.

 

Tristemente o Brasil ultrapassou também a marca de 10 milhões de pessoas atingidas por uma doença que, definitivamente, não é uma gripezinha e pode deixar sequelas graves e danos nos pulmões, no pâncreas, no fígado, no coração, no próprio cérebro. Os conhecimentos em torno dessa doença estão sendo produzidos pela ciência, em cima dos acontecimentos. É uma doença nova, com considerável transmissibilidade e letalidade. Sabemos que em todo nosso país, esse vírus mutante, atingiu e fragilizou em algum grau uma população de 10 milhões de pessoas, comparável a toda a população de Pernambuco (9,6 milhões) ou do Ceará (9,1 milhões). Ou de Mato Grosso (3,5 mi), Alagoas (3,5 mi) e Distrito Federal (3 milhões) juntos. Paralelamente, menos de 3% da população do país foi imunizada. A verdade é que não temos um Ministério da Saúde fazendo frente a esse quadro dramático.

 

#PelaVidaDeTodasAsMulheres


As mulheres manifestamos nossa total inconformidade com os crimes por negligência sistêmica, por omissões que conduziram a essas 250 mil mortes. Há um ano, números vêm sendo repetidos diariamente, mas não nos habituamos com tamanho descalabro. Não aceitamos um governo falar em imunidade de rebanho e assumir a política de deixar morrer tant@s brasileir@s. 250 mil pessoas é muita, muita gente. Para uma comparação: a população de 95% dos municípios brasileiros fica abaixo dessa marca.[1] 250 mil é mais do que toda a população de municípios como Novo Hamburgo-RS (247 mil) ou Sete Lagoas-MG (241 mil) ou Rio Verde-GO (241 mil). E lembremos: mantida essa (im)postura do governo, continuarão morrendo muitos mais.[2]

 

É necessário ter muito presente a gravíssima conclusão do estudo da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (Centro de Pesquisas e Estudos de Direito Sanitário – CEPEDISA) e da Conectas Direitos Humanos, anunciada em 21.01.2021, no Boletim Direitos na Pandemia – Mapeamento e Análise das Normas Jurídicas de Resposta à Covid 19 no Brasil:[3]  “Nossa pesquisa revelou a existência de uma estratégia institucional de propagação do vírus, promovida pelo Governo brasileiro sob a liderança da Presidência da República.”

 

Com descontrole sanitário, o Brasil se transforma no epicentro da morte no mundo, por total descompromisso com a saúde e com a vida. #ForaBolsonaroESeuGovernoAssassino

 

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[1] Estimativa IBGE, 1º.07.2020. Link https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_munic%C3%ADpios_do_Brasil_por_popula%C3%A7%C3%A3o_(2020)

[2] Somente 5% dos municípios do país – 116 entre eles – têm população maior do que essa marca de mortos até aqui, nessa pandemia, que iniciou, transcorreu até aqui e poderá continuar sem nenhum gerenciamento.

[3] https://www.conectas.org/publicacoes/download/boletim-direitos-na-pandemia-no-2

 

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