Integrantes do Comitê Nacional contra as atuais Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) da Educação Física protocolaram nesta semana novo documento no Conselho Nacional de Educação (CNE), onde criticam resoluções que prejudicam a qualidade do ensino no Brasil. Em novembro de 2019, o mesmo Comitê protocolou documento apontando graves problemas com as DCNs, o que até hoje não foi respondido pelo CNE.

 

A carta protocolada agora ao presidente da Câmara de Educação Superior no CNE, Joaquim José Soares Neto, é assinada por representantes de 58 entidades ligadas à educação. O documento denuncia que a Resolução 06/2018 rebaixa a qualidade do ensino superior em Educação Física na medida em que limita o conhecimento de professores e estudantes. É o que explica a professora da Universidade Federal da Bahia (UFB) e representante do Comitê Nacional, Celi Taffarel.

 

“A Resolução 06/18 é um crime, porque limita conhecimento e rebaixa o currículo dos alunos e professores. Querem colocar qualquer pessoa para dar aulas e isso desqualifica a educação e desvaloriza os docentes em todo o País”, critica Celi.

 

Além disso, segundo os professores, as novas DCNs editadas pelo CNE para os Cursos de Graduação em Educação Física restringem a participação de profissionais de ensino e alunos nas decisões que venham interferir nas instituições de ensino, nos cursos de educação física e na formação qualificada dos trabalhadores que atuarão na área no futuro.

 

De acordo com o último Censo do Inep de 2020, as novas Diretrizes afetam mais de 376 mil alunos matriculados nos cursos de Educação Física de licenciatura e bacharel em todo o País.

 

Entre os cursos de licenciatura para formação de professores, no ranking dos 15 maiores cursos de graduação em número de matrículas, a Educação Física – que tem 153.527 inscritos – só fica atrás do curso de Pedagogia, que possui 815.743 pessoas matriculadas. Em 3º lugar aparece Matemática, com 95.789.

 

Na avaliação da professora de Educação Física e diretora do Sindicato dos Professores no DF (Sinpro), Carolina Muniz, essas diretrizes estão ligadas ao avanço neoliberal no Estado brasileiro para que o setor empresarial abocanhe a formação dos professores, esvaziando a grade curricular e impondo uma formação tecnicista, sem reflexão.

 

“Essa é uma lógica do mercado fitness e não garante uma formação consolidada e ampla para que os professores possam entender a realidade que vão enfrentar na escola ou nas academias”, aponta Carolina. “Essas diretrizes além de retirar conteúdos, enxugam o currículo, submetendo esses alunos para uma educação voltada para o mercado e não para superar os desafios e os problemas da realidade brasileira”, acrescenta Carolina.