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Pró-Brasil e uma terapêutica amadora

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Na correspondência de Monteiro Lobato com Godofredo Rangel (A Barca de Gleyre) há uma frase que é toda uma análise sociopolítica. “Napoleão dizia que o maior dos milagres era os pobres não massacrarem os ricos, tal o grande número daqueles e o pequeno número destes. Mas a coisa virou, e em vez de massacrá-los, os pobres resolveram tomar nas mãos o poder e refazer a sociedade”. Carta de 16 de dezembro de 1945.

 

Vargas fora deposto em 29 de outubro de 1945 e Lobato dizia que a força de Getúlio estava em Hugo Borghi (1910-2002), “um verdadeiro gênio de psicologia humana”. Nada mal para o empresário, pioneiro dos slogans políticos, que criou o “Ele disse”, para eleger Eurico Dutra, e o “votos dos marmiteiros” para derrotar Eduardo Gomes.

 

Ricardo Bergamini, economista liberal, em sua análise das contas públicas, em 27/05/2020, demonstra que a saída de capitais durante os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, com sua política financista e antinacional, atingiu US$ 22,2 bilhões. Neste curto prazo de governo de Paulo Guedes, o Brasil já foi depenado em US$ 57,4 bilhões.

 

Jair Messias Bolsonaro convoca uma reunião ministerial para, em 22 de abril, dia da chegada de Cabral ao Brasil, aniquilar o único plano de governo surgido depois de 16 meses da posse, o Pró-Brasil. E a reunião foi uma verdadeira explosão de egos e preconceitos, frases loucas e agressivas, mentiras infantis, um Big Brother Brasil para excluir os militares do protagonismo governamental. E empoderar o centrão, que vem, desde 1985, ocupando lugar de destaque na administração nacional.

 

Mas surpreendente mesmo, embora fosse o fulcro do encontro, foi a desmoralização das Forças Armadas que o Paulo Guedes deixou clara. E estas pareciam já estar em clima oriental, preparando-se para o mundo que poderá vir. Como o poder chinês, milenar, nenhuma ação açodada se observa. Tudo vem a seu tempo, ordenado, classificado como na visão holista dos Han.

 

“O Céu não tem apenas uma única estação, a Terra apenas uma única riqueza, o Homem apenas uma única atividade. Assim não há profissões sem multiplicidade de técnicas, não há percursos sem multiplicidade de direções. Tudo tem uma função apropriada à sua natureza, cada coisa tem sua utilização apropriada” (Huainanzi, século IV a.C.).

 

Como há a expectativa que ao fim da covid19 os desempregados e subempregados atinjam metade da população, talvez as Forças Armadas estejam esperando que não se dê o milagre napoleônico e elas encabecem o novo poder. Será?

 

A cada dia, as pessoas menos ideologizadas pelo neoliberalismo, vão se dando conta que a saúde não é uma commodity, não é um bem que fique ao sabor dos retornos financeiros. A saúde é um bem e um direito de todos e só o Estado Nacional pode prover, pode garantir integralmente e a qualquer tempo à população. Saúde é para todos não só para quem pode.

 

E o que fez Paulo Guedes (PG)?

 

Em 2017, do orçamento da União, coube à saúde 15,77%; em 2018, 14,51%, em 2019 (primeiro ano de PG), 13,54%. Para este ano ele cortara, pré-corona vírus, R$ 20,19 bilhões. Ou seja, mesmo sem a epidemia, a situação de uma obrigação estatal já seria descumprida.

 

Artigo 196 da Constituição Federal: A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

 

O que mais está sendo observado na epidemia ao redor do mundo é que os estados mais fortemente neoliberais, os países onde o Estado é mínimo, deixa-se ao lucro financeiro e imediato dirigir a nação, o indicador morte por milhão atinge os maiores números. Bélgica, 817 mortes/milhão de habitantes; Espanha: 580; Reino Unido: 557; Itália: 545; França: 425; Suécia: 405; Holanda: 340; EUA: 302 – dados da statista em 27/05/2020.

 

Por outro lado, países onde o Estado Nacional está presente, não deixa o lucro dirigir suas ações, as mortes por milhão de habitantes, assim se comportam: Venezuela: 0,4; Quirguistão: 2; China: 3; Cuba: 7; Rússia: 27; Irã: 90 – dados de 27/05/2020 da worldometers.info.

 

E agora Jair? A eleição acabou, o Paulo assumiu, a governança se espalhou e o povo desempregado e mais pobre está morrendo. Agredindo as Forças Armadas quem vai garanti-lo. Lembre-se de um grande Presidente, que trouxe para o Brasil a energia nuclear, o desenvolvimento da informática e a bioenergia: “não se pode governar sendo contra”. O Pró-Brasil, demolido pelo Paulo Guedes e por uma explosão de ódios irracionais e de si mesmos, era a possibilidade de ter algo para ser a favor. Você não entendeu, o centrão entrou, a festa acabou.

 

Pedro Augusto Pinho, avô, administrador aposentado.

 

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