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Princípios do Nacionalismo – Civilização (Parte 1)

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Brasil é essencialmente futurista, de amplas possibilidades em aberto

 

Dos aspectos formadores da nacionalidade, a Civilização é o mais importante e de mais profundas consequências, pois se refere à essência da Nação, ao seu Ser, ao que a define como tal. A Civilização não é sobre o que a Nação tem, mas sobre o que ela é. Não diz respeito ao acervo físico e material em si, a tudo que é submetido às vicissitudes do tempo, mas aos princípios e fundamentos que, plasmados de forma consciente e inconsciente nas formas existenciais substantivas do povo, identificam e regem a Nação, balizando sua compleição e alicerçando seus valores e ideais.

 

Sem Civilização, uma Nação nada mais é do que um cadáver, um corpo sem vida, mero acessório de poderes externos, como se fosse objeto qualquer. A Civilização é para a Nação o que a alma é para o corpo: princípio vital que confere determinada feição essencial e orienta e determina tudo mais.

 

A Civilização abrange a cultura, os costumes, as crenças, os saberes e as tradições nacionais, incorporando-as em uma totalidade superior de ordem metafísica, em uma unidade transcendente imbuída de Eternidade, imune às contingências do devir histórico. A Civilização consubstancia o patrimônio imaterial coletivo na essência imutável da alma nacional, cuja permanência confere-lhe autenticidade e estabelece as possibilidades autóctones de realização da Pátria.

 

A Civilização possui caráter universal, não no sentido quantitativo de ser extensiva a todos os povos do mundo, mas no sentido qualitativo de abranger os fundamentos da nacionalidade e das perspectivas nacionais sobre os mais diversos elementos constitutivos da realidade. A Civilização é o esteio dos ideais nacionais, e eles, por sua vez, fundamentam os projetos de Nação, pelos quais a Nação planeja o seu futuro e controla o seu destino.

 

Sem o ideal civilizatório para conferir rumo e sentido, nada se faz, pois nada se quer fazer, e a Nação se deixa guiar passivamente por valores e interesses externos, abdicando, assim, da sua soberania. A independência nacional se alicerça na autonomia espiritual da Civilização autóctone.

 

A Civilização em si não é tangível, pois diz respeito às definições espirituais da nacionalidade, mas, por isso mesmo, ultrapassa e fundamenta a realidade material da Nação, constituindo a ordem superior e metafísica da qual os aspectos terrenos e físicos se arraigam, quando bem estabelecidos. O nacionalismo procura organizar a política, a economia e a defesa do país à luz da Civilização nacional, dos seus princípios e valores inerentes, do ideal que dela se alimenta e que norteia a ação coletiva.

 

Diferentemente dos grupos ideológicos, ele não procura fora da alma nacional as referências e os paradigmas de construção e de existência nacionais, pois sabe que a Civilização própria é o repositório das respostas para os desafios de hoje e de sempre. O poder, a riqueza e as instituições, necessários como são, representam dimensões genuínas da vida nacional somente na medida em que participem da Civilização pátria e nela finquem suas raízes.

 

Eles não são fins em si mesmos, sendo, mais exatamente, instrumentos e acessórios pelos quais a nacionalidade realiza a si própria e busca alcançar os objetivos que ela se coloca a partir do seu ideal. Quando organizados segundo paradigmas e referenciais estranhos aos fundamentos civilizatórios e ao Ser nacional, reduzem-se a elementos exóticos e artificiais incapazes de mover e animar a nacionalidade, tornando-se verdadeiros patógenos cujo “progresso” significaria o adoecimento e o declínio vital da Nação, com as consequências as mais funestas para todo o corpo coletivo.

 

O Brasil brasileiro é o valor e ideal supremo da Civilização brasileira. Sua característica fundamental é a continentalidade, não apenas geográfica, mas também, e consequentemente, existencial e espiritual. No Brasil, país monumental e faraônico, gigante pela própria natureza, tudo ganha uma dimensão monumental e faraônica.

 

Nada aqui pode existir e seguir adiante sem ser no superlativo, pois as próprias dimensões do país exigem tal amplificação. Seja a população, o Estado, a economia, a sociabilidade, tudo só pode ser autenticamente brasileiro se for colossal, se estiver ajustado aos imperativos de grandeza inerentes a um país continental e habitável em toda a sua extensão, abundante de todos os recursos necessários para a subsistência e o desenvolvimento humanos.

 

Por isso, o grande estadista Getúlio Vargas afirmou que “o sentido da brasilidade é a marcha para o oeste”, pois somente assim o Brasil realmente tomaria posse da sua continentalidade e encontraria a si próprio. O acanhamento e a miudeza definitivamente não combinam com o Brasil, da mesma forma que uma roupa infantil não cabe em um adulto de mais de dois metros de altura.

 

Porém o brasileiro nem sente o esforço de viver e trabalhar num país portentoso, porque a visão e alma nacionais já são dilatadas por adaptação ao meio e vocação à grandiosidade. Nascido e criado em uma casa de grandes dimensões, nas quais se vive e se respira Brasil ao longo de largas distâncias, que em outros continentes atravessariam vários e tão distintos e conflitivos países, o brasileiro nem se dá conta da estatura e do alcance do seu Ser, apenas o vive, impregnado das possibilidades que tal gigantismo lhe oferece. O Brasil é faraônico e só pode se manter de pé e prosperar se pensar, sentir e agir de maneira faraônica.

 

A fartura de espaço e a grandeza do Ser abrem as portas do futuro e convidam à criação e à invenção. A Civilização brasileira é essencialmente futurista, de amplas possibilidades em aberto, como não poderia deixar de ser em um país cuja inesgotável vastidão e abundância ainda está longe de ser devidamente explorada e aproveitada.

 

Tudo no Brasil é novo e tende à novidade, favorecendo o experimentalismo e, por vezes, mesmo a imprevidência, o que é rapidamente contornável pela amplitude de recursos à disposição para corrigir os rumos. A feliz expressão de Gilberto Freyre para designar o Brasil, o “novo mundo nos trópicos”, compreende muito bem esse aspecto, que se manifesta inclusive na nossa formação social, de caldeamento de vários povos em um dos mais vastos espaços nacionais do mundo.

 

Miscigenado e sincrético, herdeiro de civilizações de todos os continentes que aqui se uniram em uma só, o Brasil combina diferentes influências e características que se harmonizam e se complementam entre si, formando sínteses originais e fecundas, tanto no fenótipo quanto na cultura do povo brasileiro.

 

A alma brasileira se constitui de uma verdadeira diversidade na unidade, pois as tendências e configurações as mais distintas se mesclam e se compatibilizam no seio acolhedor da Pátria Mãe gentil. A hifenização da identidade – ítalo-, teuto-, afro- etc., natural aos povos anglo-saxões, avessos à mistura e à sintetização, é absolutamente estranha à brasilidade, que, em si, já absorve, retém e combina todas as contribuições civilizatórias, elevando-as a um patamar superior de qualidade.

 

A complexidade etnocultural brasileira, manifestação da grandeza essencial da brasilidade, proporciona, assim, uma plasticidade psicossocial absolutamente benéfica e enriquecedora no sentido de facilitar a construção dos caminhos pelos quais a nacionalidade pode realizar a si própria. Não importa o que seja e de onde venha, tudo que aqui se estabelece é incorporado ao nosso amálgama civilizatório e se brasilianiza definitivamente, deixando para trás antigas barreiras e se atualizando nas condições promissoras de um futuro plural e humano no seu mais elevado sentido.

 

A língua portuguesa é um fator estruturante de formação e integração civilizatória nacional. Falada e entendida de norte a sul e de leste a oeste do Brasil, sem que os sotaques e dialetos prejudiquem a sua unidade gramatical, ela é uma verdadeira argamassa do sentido amplo e inclusivo de brasilidade.

 

Idioma ibérico-latino, dotado de imensa versatilidade e de elevada capacidade de expressão e representação do mundo, o português ajustou-se muito bem à continentalidade brasileira e contribuiu decisivamente para expandi-la e integrá-la ao longo dos séculos.

 

O Brasil, filho de Portugal, criado por ele pela ocupação e cultivo do espaço territorial, tornou-se brasileiro pela vivência da língua, que não se furtou em incorporar as expressões dos ameríndios, dos africanos e de outros povos, sendo a língua portuguesa no Brasil tão mestiça e sincrética quanto os seus falantes. Por meio da língua portuguesa pensamos e vivemos o Brasil de forma propriamente brasileira, por meio dela somos brasileiros, somos alguém, possuímos uma identidade coletiva entranhada no solo e na alma nativos.

 

Outro fator central de formação e integração civilizatória nacional é o cristianismo, principalmente, mas não exclusivamente, na sua vertente Católica Romana, complementada e apoiada pelas mais diversas igrejas e missões protestantes que para cá sempre afluíram e encontraram generosa acolhida.

 

A mensagem salvífica evangélica, incorporada no Cristo Redentor, não à toa um dos principais ícones da brasilidade, plasmou todo um ideal nacional aberto à reconciliação e à possibilidade de recomeço dentro de uma convivência democrática e plural na qual as pessoas valem pelo seu caráter e não pela sua procedência familiar e social.

 

Até mesmo os antecedentes pessoais são relativizados se demonstrado sinceridade de mudança e de recuperação. O Brasil, nascido sob o signo da Ordem de Cristo, possui uma alma profundamente cristã, sempre disposta ao perdão, que sustenta a tendência tipicamente brasileira à reconciliação e à brandura dos costumes.

 

O Brasil, obra-magna do Renascimento europeu enquanto filho das Grandes Navegações e do desbravamento lusitano, porta, assim, um sentido verdadeiramente universal e humanista de humanidade, realizando o ideário humanista do Renascimento na escala ampliada da sua dimensão geográfica continental, preenchida em toda a sua extensão por condições físicas as mais favoráveis ao estabelecimento e à propagação da vida, constitutivas de uma terra onde, em se plantando, tudo dá.

 

Civilização jovem, recém-formada e sempre renovada pelo afluxo de emigrantes no decorrer dos séculos, não padece do desgaste e do embotamento da civilização ocidental propriamente dita, mas tende energicamente ao futuro, à realização das potencialidades até agora desperdiçadas da humanidade. O ideal brasileiro é o ideal do valor intrínseco do ser humano na humanidade reconciliada consigo própria, apontando, assim, para uma situação futura de abundância e liberdade compartilhadas.

 

A visão do Brasil como País do Futuro, tão mal compreendida, não se refere a uma posição jamais alcançável, mas à promessa de redenção universal que a brasilidade carrega no mais profundo do seu Ser, e que cabe a nós efetivar pela soberania e altivez com que pensemos, vivamos e sintamos a nossa Pátria.

 

(*) Por Felipe Maruf Quintas, mestre e doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

 

 

Artigo publicado, originalmente, no site Monitor Mercantil




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