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Presidente da Anvisa diz que rejeitou mudar bula da cloroquina: ‘Não tem cabimento’

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Em depoimento na CPI da COVID-19, nesta terça-feira (11), o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou que rejeitou a proposta de alterar a bula da cloroquina em reunião no Palácio do Planalto.

 

“Esse documento foi comentado pela Dr. Nise Yamaguchi. Quando houve uma proposta, isso me causou uma reação mais brusca. Isso não tem cabimento, isso não pode”, afirmou Torres após pergunta do senador e relator da CPI Renan Calheiros (MDB-AL).

O presidente da Anvisa disse que não sabe de quem efetivamente partiu a proposta: “Não tenho informação de quem era o autor, quem teve a ideia”.

 

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENADO Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

 

Torres afirmou ainda que, em sua avaliação, não se deve usar a cloroquina como tratamento precoce contra a COVID-19.

 

“Estudos apontam a não eficácia [da cloroquina]. Até o momento, as informações vão contra o uso”, ressaltou.

 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, é um dos maiores defensores do medicamento, desde o ano passado.

 

Na última sexta-feira (7), Bolsonaro voltou a defender o remédio contra a COVID-19 e criticou aqueles que rejeitam sua posição.

 

 

 

Foi o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta quem revelou a realização da reunião no Planalto em que se falou sobre a mudança da bula da cloroquina.

 

Em seu depoimento à CPI, na terça-feira (4) da semana passada, Mandetta também disse que rejeita o uso do medicamento como tratamento precoce. Ele afirmou que recomenda o remédio “apenas para uso compassivo” e em pacientes em estado grave.

 

 

Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPIPANDEMIA) realiza oitiva do diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO
“Vi um papel, mas sem papel timbrado, sem nada, à frente de todos na reunião, que era uma sugestão de minuta. Estava o ministro Jorge Ramos [na verdade Jorge Oliveira, então ministro da Secretaria-Geral da Presidência] e eu perguntei: ‘Mas ministro, isso daqui é um decreto para quem, para o presidente?’ Ele falou: ‘Não, não, pensaram aí, mas isso aqui está fora de questão. Já falei que juridicamente isso aqui não existe’. Foi a única coisa. Alguém teve essa ideia, mas não saberia dizer quem teve”, contou Mandetta.

Sputnik V

 

O presidente da Anvisa também foi questionado sobre a negativa da agência para a importação da vacina russa Sputnik V.

Segundo ele, a autorização para uso emergencial do imunizante ainda está em análise, mas o processo está parado, aguardando documentação.

 

“É uma questão regulatória. Não está em questão a relação entre Brasil e Rússia. Não espero, de maneira nenhuma, que impacte o entendimento entre os países”, afirmou.

No caso da Covaxin, uma visita in loco não atestou boas práticas de fabricação por parte da Bharat Biotech, empresa responsável pelo imunizante.

Perguntado por Calheiros se houve “preciosismo” por parte da Anvisa na análise dos produtores, Torres foi enfático: “”Não. Em absoluto”

“É muito importante que se entenda que essa negativa de autorização excepcional de importação não deve somar a essa marca Sputnik V nenhum pensamento negativo. Essa é uma marca do processo. O que conclamo é que, tão logo essa situação seja, e esperamos que seja resolvida, que não se credite a essa vacina nenhuma característica ruim”, afirmou o ministro.

Pressão sobre a Anvisa

Torres foi perguntado se há pressão para a liberação das vacinas, e afirmou que a Anvisa vê, por meio da mídia, manifestações de agentes públicos a favor da aprovação dos imunizantes.

Fachada do edifício da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em Brasília.
Fachada do edifício da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em Brasília. © FOLHAPRESS / FREDERICO BRASIL/FUTURA PRESS

“Para a aprovação, a pressão é a que está na mídia. É essa que recebemos todo dia. É através da mídia. Todos nós temos assistido aos telejornais, em que os agentes públicos, desejosos de atender sua população, têm cobrado. Lógico que isso exerce uma pressão, é ostensiva e pública”, completou.

O ministro ressaltou que não sofreu pressão do presidente Jair Bolsonaro.

Do Sputnik Brasil

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