Mais de 150 representantes assinaram carta divulgada nesta segunda-feira (6/9), na qual criticam os protestos organizados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para o Dia da Independência, que, segundo eles, aumentam “os temores de um golpe de Estado na terceira maior democracia do mundo”

As manifestações bolsonaristas previstas para o Dia da Independência e o incentivo dado pelo presidente Jair Bolsonaro aos atos, com reiteradas ameaças de ruptura institucional, viraram alvo de repúdio de 165 políticos de 26 países diferentes. Em uma carta publicada, nesta segunda-feira (6/9), ex-presidentes, ex-primeiros-ministros, ex-ministros de Estado, deputados e senadores alertam que, no feriado de Sete de Setembro, nesta terça-feira, “uma possível insurreição colocará em perigo a democracia no Brasil”.

Assinaram o documento políticos da América do Sul, da América do Norte, da Europa e da Oceania, como os ex-presidentes Fernando Lugo (Paraguai), Ernesto Samper (Colômbia), Rafael Correa (Equador), Martín Torrijos (Panamá); e o ex-primeiro-ministro da Espanha José Luis Rodriguez Zapatero. Alguns brasileiros também deram respaldo à carta, como o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim e os deputados Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Perpétua Almeida (PCdoB-AC). Também participam do manifesto intelectuais como Cornell West e Noam Chomsky.

No texto, eles destacam que “Bolsonaro e seus aliados — incluindo grupos supremacistas brancos, a polícia militar e funcionários públicos em todos os níveis de governo — estão preparando uma marcha nacional contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso em 7 de setembro, aumentando os temores de um golpe de Estado na terceira maior democracia do mundo”.

“Estamos profundamente preocupados com a ameaça iminente às instituições democráticas do Brasil — e estaremos vigilantes em defendê-las antes e depois de 7 de setembro. O povo brasileiro tem lutado durante décadas para garantir a democracia contra o domínio militar. Não devemos permitir que Bolsonaro os tire agora”, frisa a carta.

O texto foi divulgado pela Internacional Progressista, uma organização internacional que junta ativistas e organizações progressistas de esquerda.

A carta destaca os ataques de Bolsonaro “contra as instituições democráticas” e afirma que congressistas brasileiros acreditam que os planos do presidente foram inspirados nos acontecimentos de 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos.

Na ocasião, apoiadores do então presidente Donald Trump invadiram o Capitólio incentivados por uma falsa alegação de fraude nas eleições que terminaram com a vitória de Joe Biden.

A agência de notícias Bloomberg  diz que o Brasil está “no limite

Veículos de comunicação de fora do Brasil destacam o 7 de setembro bolsonarista com atenção. A rede de televisão Al Jazeera afirma que as manifestações têm como objetivo “incediar a base de extrema direita” de Bolsonaro, que registra seu pior momento nas pesquisas de opinião.

agência de notícias Bloomberg publicou texto em que também destaca a queda de Bolsonaro nas pesquisas de opinião e diz que o evento será uma espécie de termômetro das chances de reeleição do atual inquilino do Palácio do Planalto.

“Bolsonaro vê o dia 7 de setembro – Dia da Independência do Brasil – como uma oportunidade de reunir sua base e demonstrar que mantém o apoio de grande número de eleitores, segundo quatro pessoas que têm acesso ao presidente e seus filhos”, afirma o texto da Bloomberg.

“É uma chance de mostrar que ele não está sozinho para enfrentar os maiores desafios do país, disseram as pessoas”, destaca a agência de notícias.

Já a revista The Economist diz em texto, que aborda as “reformas econômicas” do governo federal, que os atos de 7 de setembro foram convocados por Bolsonaro após o voto impresso ser rejeitado no Congresso e o atual presidente ameaçar as eleições de 2022.

Leia a íntegra da carta

Nós, representantes eleitos e líderes de todo o mundo, soamos o alarme”: Em 7 de setembro de 2021, uma possível insurreição colocará em perigo a democracia no Brasil.

Neste momento, o Presidente Jair Bolsonaro e seus aliados — incluindo grupos supremacistas brancos, a polícia militar e funcionários públicos em todos os níveis de governo — estão preparando uma marcha nacional contra o Supremo Tribunal Federal e o Congresso em 7 de setembro, aumentando os temores de um golpe de Estado na terceira maior democracia do mundo.

Bolsonaro tem intensificado seus ataques às instituições democráticas do Brasil nas últimas semanas. Em 10 de agosto, ele organizou um desfile militar sem precedentes pela capital, Brasília, e seus aliados no Congresso impulsionaram reformas radicais no sistema eleitoral do país, amplamente considerado um dos mais confiáveis do mundo. Bolsonaro e seu governo têm — repetidamente — ameaçado cancelar as eleições presidenciais de 2022 se o Congresso não aprovar essas reformas.

Agora, Bolsonaro convoca seus apoiadores para viajar a Brasília em 7 de setembro, num ato de intimidação das instituições democráticas do país. De acordo com uma mensagem compartilhada pelo presidente em 21 de agosto, a marcha está em preparação para um “necessário contragolpe” contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. A mensagem afirmava que a “Constituição comunista” do Brasil havia retirado o poder de Bolsonaro, e acusava o “Poder Judiciário,a esquerda e todo um aparato, inclusive internacional, de interesses escusos” ao conspirar contra ele.

Parlamentares do Brasil advertem que a mobilização de 7 de setembro tem sido moldada pela insurreição na capital dos EUA em 6 de janeiro de 2021, quando o então presidente Donald Trump incitou seus partidários a “parar o roubo” com falsas alegações de fraude eleitoral nas eleições presidenciais de 2020.

Estamos profundamente preocupados com a ameaça iminente às instituições democráticas do Brasil — e estaremos vigilantes em defendê-las antes e depois de 7 de setembro. O povo brasileiro tem lutado durante décadas para garantir a democracia contra o domínio militar. Não devemos permitir que Bolsonaro os tire agora.

Do Correio Brasiliense e Brasil de Fato