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Polícia Federal intima professora líder sindical por outdoors contra Bolsonaro em PE

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Segundo a professora, a campanha foi financiada por entidades  - Divulgação/Aduferpe
Segundo a professora, a campanha foi financiada por entidades Imagem: Divulgação/Aduferpe

 

 

O governo Jair Bolsonaro (sem partido) está usando a Polícia Federal para intimidar brasileiros que denunciam a má gestão da pandemia do novo coronavírus pelo governo federal.

 

Só neste mês de março, várias pessoas, entre professores, estudantes e jornalistas  foram presos por emitirem opinião contra seu governo nas redes sociais ou fora delas.

Nesta quinta-feira (11), uma professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) foi intimada a prestar depoimento à Polícia Federal em um inquérito criminal aberto para apurar a publicação de outdoors em 2020, com críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e sua condução no combate à pandemia do novo coronavírus.

Erika Suruagy é vice-presidenta da Aduferpe (Associação dos Docentes da Universidade Federal Rural de Pernambuco), mas presidia a entidade no período de divulgação dos outdoors.

Segundo a PF em Pernambuco, o caso está sendo apurado pela PF em Brasília. O UOL procurou a assessoria da PF na capital federal para obter mais detalhes do inquérito, mas não obteve retorno até agora.

O outdoor em questão trazia os dizeres: “O senhor da morte chefiando o país / No Brasil, mais de 120 mil mortes por COVID19 / # FORABOLSONARO”.

 

Segundo Erika, o depoimento aconteceu de forma virtual no último dia 26, quando foi questionada sobre a campanha publicitária.

 

A suspeita que estaria sendo apurada é a acusação de que os outdoors teriam ferido a honra do presidente. O dono da empresa de outdoors também foi chamado e prestou depoimento.

 

A campanha, explicou Erika, foi financiada por uma série de entidades no estado, que pagaram juntas pela veiculação da peça que critica a postura do presidente.

 

“Deixei claro no depoimento que estava na minha atividade sindical como representante, não eram dizeres proferidos por mim, pessoa física. E não era um ataque pessoal, à honra, mas um questionamento político à gestão da pandemia, à época ainda com 120 mil mortes”, disse.

 

Em nota, a UFRPE expressou solidariedade a Erika. “Reafirma-se o direito legítimo a manifestações públicas, sejam de origem do movimento sindical ou de qualquer outra, ressaltando-se o caráter inconstitucional e inadmissível da censura.”

 

A Andes (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior) também se manifestou em repúdio à convocação.

 

“O Governo Bolsonaro segue com medidas antidemocráticas que cerceiam a liberdade de expressão de lutadores e lutadoras sociais”, afirma. “Eles continuam tentando, mas nós não vamos recuar e nem nos calar. Toda a solidariedade à ADUFERPE e a Erika Suruagy.”

 

A Aduferpe também criticou o ato e disse que recebeu com “surpresa e indignação” a convocação da vice-presidente.

 

“Trata-se de um brutal ataque à mais elementar liberdade de expressão garantida constitucionalmente. É uma tentativa de calar opiniões e intimidar o legítimo e livre exercício da atividade associativa. Por outro lado, no mérito, a crítica ao governo federal externada no outdoor – e que pode facilmente ser estendida a outras esferas de governo – revelou-se desgraçadamente justa: à época eram 120 mil mortes a lamentar, hoje já são quase 300 mil”, afirmou.

 

Ainda em nota, a entidade alegou que a assessoria jurídica “está segura de que não há nenhuma base legal para que um processo seja instaurado”.

 

“O fato de a professora Erika Suruagy ter sido convocada e de ter que prestar depoimento na Polícia Federal é de inteira responsabilidade de Jair Bolsonaro. Ele está claramente tentando intimidar sindicalistas, cientistas, professores, servidores públicos, artistas, intelectuais e cidadãos que discordam da política do governo. Não conseguirá!”, afirmou a entidade.

 

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