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Polarização eleitoral é uma coisa, barbárie é outra

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Estamos vivendo numa espécie de universo paralelo, onde o respeito às escolhas do outro não existe. A morte de Marcelo Arruda, na noite do último sábado (09/07), em Foz do Iguaçu, em sua própria festa de aniversário, é um exemplo de barbárie a qual quem pensa diferente do bolsonarismo está sujeito. Marcelo era tesoureiro e militante do PT e foi morto por um apoiador do presidente Bolsonaro, que inflama, sucessivamente, o discurso de ódio e o desrespeito a ideias contrárias.

 

 

A morte do Marcelo causa profunda indignação em qualquer ser humano que tem um pouco de respeito e amor ao seu próximo. Essa situação que aconteceu aqui no Paraná, numa cidade que exerce o papel da integração latinoamericana, que respira diversidade sociocultural, que mostra, todos os dias, que é possível viver em harmonia mesmo com nossas diferenças, sejam elas políticas ou religiosas.

 

 

É inaceitável que bolsonaristas e determinados veículos de imprensa busquem resumir o fato como uma briga, como se cada uma das partes tivessem exercido o mesmo papel. O pronunciamento do vice-presidente da república, por exemplo, de que essa é “mais uma briga de fim de semana que acontece nas cidades” é um tapa na cara da democracia brasileira. É uma gargalhada sórdida que abocanha os direitos individuas e minimiza o ambiente de caos instalado pelo bolsonarismo.

 

 

Costumo dizer que não basta derrotar Bolsonaro, é necessário derrotar o bolsonarismo. E é essa vertente, que alimenta o ódio, que radicaliza o ideário de uns contra os outros, não como adversários políticos, mas como inimigos.

 

 

Gosto de lembrar que por décadas acompanhamos e protagonizamos uma divergência política saudável. Não existiam assassinatos entre tucanos e petistas. O que havia era uma divergência natural, dentro da normalidade democrática, que prezava pelo debate de ideias e pelo respeito.

 

 

Não podemos aceitar que utilizem esse crime, tão atroz, que foi o assassinato de nosso companheiro Marcelo Arruda, para vender uma narrativa de que há uma polarização política e uma radicalização ideológica dos dois lados. O que vemos é o extremismo bolsonarista, afinal, ninguém nunca viu uma história onde os papéis de agressor e vítima estejam invertidos, onde um petista tenha invadido a casa de um bolsonarista e ameaçado matar a todos.

 

 

Marcelo estava comemorando seu aniversário de 50 anos com sua família e amigos. Um homem que dedicou sua vida a lutar pelos direitos das pessoas, seja no trabalho, no sindicato ou no partido. Marcelo estava feliz ao expressar sua ideologia, sua realização de votar em Lula e foi esse o motivo de ter sido assassinado, ousar defender uma bandeira, ousar defender um projeto, ousar ter esperança de construir um novo Brasil.

 

 

Era sábado a noite, recebi em um grupo de whatsapp do partido, foto e vídeo do aniversário do Marcelo cantando parabéns com os enfeites do PT e Lula ao fundo. Era 22:21 quando recebi essa mensagem no sábado, uma mensagem que demonstrava felicidade, alegria dos amigos no vídeo, uma simples festa de aniversário.

 

 

Acontece que no mesmo grupo, às 2:40 do domingo, a mensagem era o relato do que tinha acontecido minutos após o parabéns. A mensagem era de que Marcelo estava em estado grave na UTI, e então as 4:42 a nova mensagem era de que ele havia falecido.

 

 

Estava tudo bem e de repente um extremista que se diz cidadão de bem, amante das armas e apoiador de Bolsonaro invadiu o local e prometeu uma chacina. Marcelo foi heroico em seu último ato de vida, defendeu a todos que estavam ali e impediu uma tragédia ainda maior.

 

 

Quantos bolsonaristas vemos se apresentando da mesma forma que o assassino nas redes sociais? A verdade é que o bolsonarismo abriu as portas para a barbárie, as pessoas perderam o receio de serem inescrupulosas. Este é o Brasil de Bolsonaro, de um presidente que defende o armamento em massa, que estimula o ódio e uma rivalidade estúpida, que ultrapassa qualquer limite.

 

 

É muito preocupante, pois a escalada da violência é real. Construíram um ambiente do caos, um verdadeiro ideário de guerra. Mas é fundamental que a gente tenha em mente que não existe guerra, precisamos levar a mensagem de que a polarização é eleitoral, apenas. Se há extremismo, se há o desejo de aniquilar aquele que pensa diferente, isto parte de apenas um polo, é unilateral, é comportamento do bolsonarismo.

 

 

Por isso, defendemos que este caso seja federalizado, porque não é pontual, este acontecimento colocou o dedo na ferida do que estamos enfrentando, expôs a violência e a sensação de perigo que está em nossa órbita. Mas existem outros casos, outros ataques, sejam físicos ou verbais, que precisam ser investigados, pois a impunidade certamente contribui com a potencialização da violência política.

 

 

E mais, este ano é eleitoral, em menos de 3 meses iremos às urnas no primeiro turno. A cada dia estamos mais vulneráveis diante do ódio propagado pelo bolsonarismo. Como cidadão, deputado, presidente do partido PT Paraná e pai, meu clamor é para que as instituições redobrem os cuidados quanto à segurança durante o período eleitoral.
A eleição é a festa da democracia, e não uma amostra de “Uma Noite de Crime: Anarquia”, filme em que a violência é liberada e incentivada. É o momento onde levamos milhões de brasileiros a refletir, debater e pensar sobre os rumos do país, e é imprescindível que possamos exercer a nossa cidadania com tranquilidade, sem precisar ter medo de sermos livres e podermos expressar nossas opiniões e preferências políticas.

 

(*) Por Arilson Chiorato, deputado estadual e presidente do PT-PR




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