De maneira econômica, mas direto ao ponto, o economista, pesquisador e professor da Universidade Estadual de Campinas, Márcio Pochmann, dispara petardos diários no twitter sobre o governo Bolsonaro. Assista à entrevista no final deste texto.

 

“Com o neoliberalismo no Brasil, o lado especulativo da economia rentista jamais perde. Para o recuo de 4,8% na renda média do brasileiro em 2020, o ganho com operações em dólares foi de 29,4%”, ele escreveu há algumas horas.

 

A situação é, de fato, desastrosa: com a vacinação contra a covid 19 avançando rapidamente nos Estados Unidos e o Banco Central de lá oferecendo dinheiro subsidiado, enquanto os juros no Brasil estão relativamente baixos, a fuga de capitais e do investimento direto deve prosseguir.

 

Dólar alto, por sua vez, turbina a inflação e corrói a renda do brasileiro.

 

Como o próprio Márcio observou em outro tuíte recente:

 

“Fracasso neoliberal segue imbatível no Brasil. Enquanto a economia encolheu 4,1%, com maior desemprego e queda de renda, o custo de vida (inflação) subiu 4,5% em 2020.”

 

Autor de meia centenas de livros, que cobrem de economia a políticas públicas, Márcio foi duas vezes candidato a prefeito de Campinas.

 

É aí que entra a capacidade de ler a conjuntura do homem público: ele acredita que, se não tiver perspectiva de se reeleger em 2022, o presidente Jair Bolsonaro possivelmente vai decretar Estado de Sítio.

 

Na visão de Pochmann, isso pode acontecer ainda este ano, se a situação econômica se deteriorar ainda mais.

 

Ele diz que a presença de 10 mil militares no governo deve ser considerada: são como pasta de dente, uma vez fora do tubo é impossível colocá-la de volta.

 

“A estratégia dele é gerar o caos no País”, diz o economista ligado ao PT, que compara Bolsonaro ao general argentino Leopoldo Galtieri.

 

Com o enfraquecimento da ditadura militar no país vizinho, Galtieri lançou a Argentina na desastrosa Guerra das Malvinas, em 1982.

 

Para Márcio, Bolsonaro foi extremamente beneficiado pela injeção de dinheiro público na economia por conta do auxílio emergencial e deu uma pirueta política razoavelmente bem sucedida, abandonando parte de seus eleitores originais — especialmente os lavajatistas — e abraçando os descamisados e a classe média dos pequenos negócios.

 

O economista chama de “A Grande Desistência” o fato de que a economia do Brasil saltou de 1,6% para 3,2% do PIB mundial, mas regrediu para 1,8% por causa da desindustrialização.

 

Ele lembra que as três principais ocupações no Brasil, hoje, representam pessoas que dependem das migalhas dos ricos e não estão integradas à economia: trabalho doméstico (10% do trabalho doméstico do mundo se dá no país), segurança privada e entregadores.

 

Vale a pena ver a íntegra da entrevista de Pochmann, que acha que desde o golpe de 2016 que resultou na derrubada de Dilma Rousseff o Brasil fez os “50 anos em 5” de Juscelino Kubistchek ao contrário.

 

 

Reprodução do site Viomundo