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PM reprime com violência e gás lacrimogêneo protesto pacífico de povos indígenas em Brasília

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Bombas de gás lacrimogêneo jogadas em funcionários da Câmara e indígenas, tiros de bala de borracha com indígenas feridos, crianças e mulheres apavoradas atingidos pela fumaça tóxica dos gases

 

 

Foto: Ya Gavião/Mídia Ninja

 

 

A Polícia Militar do Distrito Federal  (PMDF) reprimiu com violência um ato público pacífico, realizado em frente à Câmara dos Deputados, por povos originários que estão mobilizados na capital federal no acampamento Levante pela Terra, desde o dia 8/6. São 50 povos originários de todas as regiões do País que protestam contra o Projeto de Lei (PL) nº 490/2007, em tramitação na Câmara dos Deputados.

 

 

Cinegrafista do Cimi, Tiago Miotto, também publicou seu registro da agressão da PM-DF no Twitter da Abib Oficial. “Polícia ataca a manifestação pacífica dos povos indígenas em Brasília nesse momento. Indígenas mobilizados no #LevantePelaTerra estão contra o #PL490NÃO e sendo duramente reprimidos! A manifestação tem muitas crianças que acompanham seus pais”, escreveu.

 

 

Além de uma grande quantidade de dispositivos inconstitucionais, a análise aponta que o PL 490 afronta decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Durante o ato público pacífico, os indígenas foram duramente reprimidos e atacados pela PMDF e também por seguranças da Câmara dos Deputados. Além de idosos e mulheres, o ato público contava também com a presença das crianças que acompanham seus pais.

 

 

Em seu site, o Mídia Ninja mostrou o que aconteceu e a violência policial contra quem defende seus próprios direitos. “Representantes de povos indígenas que acampam em Brasília lutando contra as ameaças aos seus direitos foram mais uma vez recebidos com violência por órgãos institucionais. Hoje foram atacados com bombas e balas de borracha ao se aproximarem do Congresso Nacional, onde seria votado o PL 490, que na prática acaba com a demarcação de terras indígenas.”

 

 

Segundo apuração do Mídia Ninja, várias pessoas foram atingidas, um indígena levou um tiro de bala de borracha na costela e foi encaminhado para o hospital, dezenas de outros foram afetados com o gás lacrimogêneo e passaram mal. Mesmo com pessoas feridas e a equipe de paramédicos fazendo atendimentos, os ataques continuaram, atrapalhando inclusive o trabalho de socorro. “Estávamos com um indígena convulsionando, recebendo atendimento médico e eles atiraram, acertaram bala. Jogaram bomba com o cara convulsionando”, denunciou o coordenador executivo da APIB Dinamã Tuxá.

 

 

O site informa também que “toda a proximidade do Congresso estava cercada, afastando qualquer possibilidade de aproximação da sociedade na “Casa do Povo”. Os ataques contaram com forte aparato policial com direito à caminhão da tropa de choque e muita truculência. Na semana passada, episódio similar aconteceu na Funai, onde também foram recebidos com bombas enquanto reivindicavam o diálogo”.

 

 

Fotos Mídia Ninja: Leo Otero

 

 

Ainda segundo o Mídia Ninja, “a sessão que votaria a admissibilidade do projeto na CCJ foi suspensa após os ataques, e parlamentares foram até a porta do Anexo II para prestar solidariedade aos parentes e informar sobre os próximos passos legislativos”. Confira, ao final desta matéria, outros vídeos da agressão da PMDF.

 

 

A líder do PSOL na Câmara, Fernanda Melchiona, propôs que uma delegação de deputados federais saia em marcha, nesta quarta-feira (23), juntamente com os povos indígenas do acampamento #LevantePelaTerra, até o Congresso Nacional como ato de protesto contra a violência da PM-DF nesta terça e, somente então, entrarem para a Casa Legislativa para participarem da sessão que será votado o PL 490. O objetivo é demonstrar apoio irrestrito do Poder Legislativo aos povos e impedir novos ataques da polícia.

 

 

“É bom lembrar que ao atacar a gente honesta do País, como fez com esses manifestantes, a PM-DF está, com isso, protegendo grileiros, assassinos, madeireiros e garimpeiros ilegais e outros criminosos que estão ocupando cadeiras no Parlamento como se fossem gente idônea e que as estruturas da Segurança Pública para violentar o direito à livre manifestação popular contra os abusos desses políticos”, disse um dos funcionários da Câmara dos Deputados atingidos pela fumaça do gás lacrimogêneo e que não quis se identificar.

 

 

A única deputada indígena, Joenia Wapichana, assim com outros parlamentares como Alencar Santana, Reginaldo Lopes, Perpétua Almeida e Nilto Tatto também dialogaram com os povos e garantiram a luta na casa para barrar o projeto.  O influencer Filipe Neto postou nas redes sociais que “o @KimKataguiri  se comporta exatamente igual à @BiaKicis, é um bolsonarista enrustido. Joga o ódio contra os povos indígenas, mostrando um policial ferido no confronto. Continua sem se pronunciar sobre as MENTIRAS q contou do PL490 e os pedidos indígenas para debate”. Confira:

 

 

 

Nas redes sociais as hashtags #pl490não e #terraindígenafica ficaram entre os assuntos mais falados do dia no Twitter e ganhou a adesão de artistas e ativistas. Até a cantora Maria Gadu, que estava no acampamento, se manifestou:

 

 

 

O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) também postou nas redes sociais a violência e classificou de “covarde” a ação da PMDF e da Polícia Legislativa. Confira no vídeo a agressão da PM:

 

 

No YouTube, o site Metrópoles também postou um vídeo do ataque aos indígenas:

 

 

 

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