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PM do Distrito Federal é comandada por colegas de turma de homem de confiança de Bolsonaro

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Quando o coronel Julian Rocha Pontes furou a fila para tomar a vacina contra a covid-19 e, por isso, acabou demitido do comando da Polícia Militar do Distrito Federal, em abril de 2021, abriu-se uma oportunidade que políticos próximos ao presidente Jair Bolsonaro não deixaram passar.

 

 

Àquela altura, Júlio Danilo Souza Ferreira havia acabado de ser empossado como novo secretário de Segurança Pública do Distrito Federal. Ferreira é homem de confiança de Anderson Torres, seu antecessor no cargo – e, como ele, delegado licenciado da Polícia Federal. Torres tinha sido chamado havia poucos dias para ser ministro da Justiça de Bolsonaro. Com as bênçãos do governador Ibaneis Rocha, do MDB, aceitou o convite, mas cuidou de deixar o posto no governo do DF para seu antigo número dois, Ferreira. Que, nos primeiros dias no cargo, escolheu o coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos como novo comandante da PM.

 

 

Com Vasconcelos, em poucos dias a cúpula da corporação foi tomada por oficiais que têm com ele algo em comum. Todos foram colegas e são próximos, desde a Academia da Polícia de Brasília, de uma figura central do projeto de poder de Bolsonaro. Trata-se de Jorge Antônio de Oliveira Francisco, ex-ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República entre 2019 e 2020, em seguida nomeado ministro do Tribunal de Contas da União pelo presidente.

 

BJ-CONSTANT
Amigos para sempre: reunião de colegas da quarta turma da Academia de Polícia de Brasília no 29o aniversário de formatura, em 2022. Créditos.

 

Da PM ao Tribunal de Contas da União

 

A quarta turma da Academia da Polícia de Brasília se formou em 1995. Poucos anos depois, em 2003, o oficial Oliveira mergulhou na política. Tornou-se assessor parlamentar da PMDF na Câmara. Na prática, um lobista dos interesses da corporação no parlamento federal. Não demorou nada para que se tornasse íntimo do mais vocal defensor da pauta militar na casa: o então deputado federal Bolsonaro, que iniciava o quarto de seus sete mandatos na casa. Para além do alinhamento ideológico, havia uma questão familiar. O pai do policial, o capitão do Exército Jorge Oliveira Francisco, foi chefe do gabinete de Bolsonaro por longos 20 anos.

 

Em 2013, já formado em Direito, Oliveira pediu para ir à reserva – isto é, para se aposentar – da PM do Distrito Federal. Àquela altura, já era major, a terceira mais alta patente nas PMs. Mas não deixou a Câmara: foi contratado como assessor jurídico do gabinete de Bolsonaro.

 

 

 

A lealdade canina a Bolsonaro foi recompensada. Em 2019, o presidente não deixou Oliveira na mão e lhe entregou a chefia de gabinete do filho e deputado federal Eduardo – de quem também viria a ser padrinho de casamento. Mas ele não ficaria muito tempo com o 03. Em junho, Bolsonaro se lembraria de Oliveira quando teve de escolher seu terceiro ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência em menos de seis meses no cargo, procurando apagar a crise que se havia iniciado ainda em fevereiro com a demissão do primeiro deles, Gustavo Bebianno.

 

 

Assim, Oliveira virou ministro. Em pouco tempo, passou a ser visto em Brasília como o auxiliar com mais influência sobre o presidente. O que lhe rendeu, menos de um ano e meio depois, uma das cadeiras mais cobiçadas de Brasília: a de ministro do Tribunal de Contas da União, um cargo vitalício – e, novamente, por indicação de Bolsonaro. (No TCU, por ironia, ele substituiu outro personagem central dos ataques terroristas de domingo, o atual ministro da Defesa José Múcio Monteiro.)

 

 

Clique aqui para ler a reportagem completa do The Intercept Brasil

 

 

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