Publicidade

“Pintou um clima”: conselheiros tutelares protestam no Planalto

  • em



Vídeo do presidente Jair Bolsonaro supondo que garotas estariam se prostituindo viralizou no sábado (15/10).  Quando viu que suas falas haviam prejudicado a campanha, o Presidente fez um vídeo se retratando, mas o rastro de suspeitas foi desenhado, principalmente depois que a primeira dama, Michelle Bolsonaro, e a ministra Damares Alves visitaram as meninas venezuelanas

 

 

Conselheiros tutelares do Distrito Federal promoveram, na manhã desta quarta-feira (19/10), um protesto contra o discurso o presidente da República e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), afirmando que “pintou um clima” entre ele jovens de 14 e 15 anos. Segundo o presidente, as garotas venezuelanas estariam supostamente se preparando para prostituição.

 

 

“Não toleramos que ‘pinte um clima’ entre um homem de 67 anos e meninas. Isso não é normal, isso não é aceitável e isso nos indigna! Por elas, estamos na Praça dos Três Poderes”, informa a nota do movimento.

 

 

O caso ocorreu, segundo disse o próprio Presidente da República, em 2021, durante uma visita dele a São Sebastião, Região Administrativa (RA) do Distrito Federal. Posteriormente, no entanto, quando viu a repercussão de sua história com as meninas venezuelanas, Bolsonaro jogou a culpa no PT, disse que a frase foi tirada de contexto e alegou que o vídeo foi gravado para demonstrar sua “indignação” com o cenário.

 

Gravou também um vídeo pedindo desculpas pela relação entre as venezuelanas com trabalho de prostituição. No vídeo em que pede desculpas, Bolsonaro aparece ao lado da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, visivelmente abatida, e da advogada Maria Teresa Belandria, que se diz representante no Brasil do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó.

 

 

Belandria não é diplomata, não é embaixadora da Venezuela no Brasil e estudou, segundo apuração do Brasil de Fato, em um instituto do Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos da América (EUA). “Além disso, de acordo com matérias publicadas pelos jornais O GloboFolha de S. Paulo e Estadão, Belandria teria sido a responsável por convencer as meninas venezuelanas a se reunirem com a primeira-dama e a ex-ministra Damares Alves na tarde desta segunda-feira (17)”, informa o jornal. Clique aqui e confira a matéria.

 

 

No vídeo em que pede desculpas, Bolsonaro diz que “se minhas palavras, que, por má-fé, foram tiradas de contexto, foram, de alguma forma, mal entendidas ou provocaram algum constrangimento a nossas irmãs venezuelanas, peço desculpas. Já que meu compromisso sempre foi o de melhor acolher e atender a todos que fogem de ditaduras pelo mundo”, diz Bolsonaro no vídeo.

O presidente não assume seus inúmeros próprios erros e acusa “militantes de esquerda” de, após sua fala polêmica vir à tona, estarem “pressionando mulheres venezuelanas, a fim de obterem vantagem política neste momento”. “As palavras que eu disse refletiram uma preocupação da minha parte no sentido de evitar qualquer tipo de exploração de mulheres que estavam vulneráveis”, argumentou o chefe do Palácio do Planalto.

As declarações Bolsonaro sobre um encontro que teve com crianças venezuelanas em Brasília gerou repúdio entre políticos e organizações defensoras dos direitos humanos da Venezuela. Em entrevista ao jornal Brasil de Fato, Martha Grajale, advogada e diretora da ONG venezuelana Surgentes, condenou as falas do mandatário e disse que elas “deixam evidentes uma postura preconceituosa”.

“Toda essa situação deixa evidente os preconceitos machistas e xenófobos com os quais Bolsonaro interpreta a realidade, porque ao constatar que se tratava de jovens venezuelanas que estavam se arrumando em um sábado ele presumiu que era para exercer a prostituição”, disse.

 

Com informações do Metrópoles e do Brasil de Fato

  • Compartilhe

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *