“Talvez a BR Distribuidora venha a ser a “laranja” da Petrobras”, afirma ex-diretor

 

 

A Petrobrás (PETR3) fechou um acordo de R$ 148,5 milhões para comprar óleo diesel marítimo da BR Distribuidora (BRDT3). O contrato foi assinado em 2 de dezembro, com vigência de 1.095 dias, prorrogáveis por mais 730.

 

 

A denúncia é da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet) que, ao ver a nota no jornal do mercado financeiro, Infomoney, mostrou, de forma simples, o que o mercado financeiro e os políticos brasileiros estão fazendo com a única empresa estatal que restou da privataria dos anos 1990.

 

 

Fundador e ex-diretor da BR Distribuidora, o economista Sylvio Massa Campos, explica que o desmonte da Petrobras ocorre há décadas e que a compra do diesel é apenas mais um dos absurdos que estão acontecendo para dilapidar a empresa nacional.

 

 

Para Campos, a BR Distribuidora tem de revelar a origem desse diesel que, provavelmente, foi importado na base do PPI (Preço de Importação do Derivado). “Com essa importação, provavelmente, a Petrobrás deixará ociosas o equivalente em suas refinarias. Importo diesel dos EUA e deixo de refinar na minha refinaria. Talvez a BR Distribuidora venha a ser a “laranja” da Petrobras”, afirma.

 

 

“Isso está acontecendo porque a Shell exporta todos os dias 400 mil barris de petróleo bruto para as suas bases no golfo mexicano e norte-americano. Lá ela tem as refinarias dela. E o Brasil importa da Shell, principalmente da Shell, por dia, 200 mil barris de derivados, diesel, gasolina etc. A Shell, em 2018, exportando 400 mil barris de petróleo por dia, apresentou no seu balanço prejuízo e, em 2019, apresentou um lucro ridículo. Talvez uma inspeção ou uma auditoria da Receita Federal nesses balanços seja necessária”, alerta Sylvio Compos.

 

 

Ou seja, além de dominar todas as estruturas industriais da área de petróleo e gás, avança sem barreiras para o domínio completo dessas mesmas estruturas.

 

 

Como se não bastasse pagar para usar gasodutos e oleodutos que eram seus, a venda de ativos da Petrobrás está forçando a companhia a comprar diesel da BR Distribuidora, da qual a empresa foi forçada pelos políticos a abrir mão do controle acionário.

 

 

A BR Distribuidora é uma empresa lucrativa, mas entrou no programa de desinvestimentos, iniciado ainda na gestão de Aldemir Bendine, iniciada em fevereiro de 2015. A entrega do combustível seguirá a modalidade Delivered Duty Paid (DDP), em que o vendedor arca com praticamente todos os impostos e taxas incidentes na operação.

 

 

 

O economista Sylvio Massa de Campos, ex-diretor da BR Distribuidora e um dos seus criadores, disse, nesta terça-feira (30), ao Jornal Brasil Popular que este é apena um dos absurdos que tem acontecido nesse processo de demolição da estatal brasileira.

 

 

Demolição da Petrobras

 

 

 

“Essa compra do diesel por uma empresa que era 100% dela não é o único fato estrutural que está ocorrendo no desmonte da Petrobras. Tem um antecedente maior, que são quase 4.200 quilômetros de gasodutos construídos pela Petrobras ao longo de 27 anos e que foram vendidos, praticamente, a 10% do preço de tudo o que foi investido e, ao mesmo tempo, essa empresa que comprou esses 4.200 km de gasoduto teve o privilégio de alugar para a própria Petrobras todos esses dutos porque só tem a Petrobras para alugar e só tinha a Petrobras para vender”, denuncia.

 

 

Campos explica que agora, com 2 anos e meio a 3 anos, os alugueis que a Petrobras vai pagar a essa empresa, praticamente, equivale ao que a empresa pagou para comprar os gasodutos. “Ou seja, enquanto existir gás, Petrobras, mercado consumidor etc., essa empresa vai receber alugueis durante 40 anos, 50 anos, 80 anos. Esse foi o primeiro absurdo da desnacionalização da Petrobrás”.

 

 

Depois disso, a Petrobrás vendeu o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que seria a grande petroquímica do futuro para a integração dela. Depois foi vendida a empresa de fertilizantes. Ou seja, a Petrobras vem sendo desmontada, esfacelada paulatinamente. Esse desmonte da maior empresa estatal nacional resulta da venda desnecessária dos ativos industriais rentáveis e que formavam a necessária integração industrial verticalizada.

 

 

Segundo Campos, a Petrobras Distribuidora gerava, na receita da Petrobras, praticamente 10% da receita. Era a segunda empresa comercial do Brasil. De uma dimensão fantástica. Foi vendida em Bolsa de Valores, em papel, sem considerar o direito, praticamente, não da cotação do papel, mas o direito de propriedade da empresa sem um dólar a mais.

 

 

“Foi vendida para banqueiros e, evidentemente, que os banqueiros não vão geri-la. Aos poucos a Shell vai assumir a distribuição da BR como vai assumir, agora, a venda da refinaria na Bahia”, denuncia o economista.

 

 

“Nós levamos 60 anos para construir toda essa estrutura integrada. Uma estrutura que era do poço – descobrir petróleo a 7 mil metros de profundidade, numa qualidade excepcional e num custo baixíssimo – ao refino, do refino à distribuição. Notadamente, grandes reservas do pré-sal já foram vendidas. Das nove refinarias, uma já foi vendida e oito está sendo ofertadas. Vai desaparecer o patrimônio nacional sem que haja uma única reação quer seja da elite, que não é uma burguesia nacional, quer seja do povo, que está mais preocupado com a fome e com a desigualdade social”, analisa.

 

 

Campos entende que se trata de um momento de diagnóstico dos piores possíveis da história do Brasil, “como se destrói um patrimônio nacional sem reação só com o cinismo dos gestores que, se eu pudesse, cancelaria a certidão de nascimento desses indivíduos”, disse.

 

 

Ele explica que há um domínio completo do capital estrangeiro, do imperialismo em cima dos bens nacionais, daquilo que foi o nosso esforço em construir para o bem do povo, o bem da nação

 

 

 

Com informações da AEPET e InfoMoney

 

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