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Pesquisadora da Fiocruz diz que Covid-19 está em franca ascensão no DF e, no País, mortes vão chegar a 3 mil por dia

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A pneumologista Margareth Pretti Dalcomo avaliou o cenário pandêmico no País durante uma live realizada pelo Ceub e diz que o Brasil caminha para 3 mil mortes por dia. O epidemiologista Jonas Brant, professor da UnB, afirma que a segunda onda está no início e que, no DF, está em aceleração

 

A pneumologista Margareth Pretti Dalcomo, uma das principais pesquisadoras da Fiocruz, afirmou, nesta quinta-feira (11/3), que o Distrito Federal está em “franca ascensão de mortalidade” em decorrência da Covid-19 e suas variantes.

 

A declaração foi feita durante uma live organizada pelo Centro Universitário de Brasília (Ceub), quando a especialista analisou a situação pandêmica da doença no Brasil. Além dela, participaram da aula magna, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-ministro Carlos Ayres Britto.

 

Ao comentar os índices de óbitos na pandemia com gráficos produzidos pelo neurocientista Miguel Nicoelis, um dos mais respeitados do País e do mundo, a médica mostrou que o Distrito Federal é a região do gráfico situada justamente na linha vermelha.

 

A linha verde, que é a Região Norte, onde tudo começou, teve seu pico epidêmico logo em abril do ano passado, e agora, nessa segunda onda, uma taxa de mortalidade altíssima. A linha vermelha é o Centro-Oeste, é o Distrito Federal basicamente, onde estão os senhores, mostrando uma primeira onda importante, uma queda, e, agora, franca ascensão da mortalidade também no Distrito Federal, como nós sabemos, e isso é um dado dinâmico, ou seja, a curva é uma curva em ascensão. Estamos no pior momento da pandemia no Brasil”, disse a doutora em pneumologia.

 

 

 

 

 

Em outro gráfico, a pesquisadora avaliou que a situação da pandemia no Brasil também se revela preocupante nos gráficos. “A linha verde é tristemente o Brasil. Então, enquanto o mundo vive a segunda onda, que é essa linha azul de baixo, já passou a segunda onda e está em franco processo de declínio do número de mortes, o Brasil tem franca ascensão do número de mortes e eu temo que um vaticínio, digamos assim, que possamos chegar a 3 mil mortes por dia, que seria algo impensável.

 

 

 

No boletim quinzenal divulgado nesta quinta (11), a Fiocruz afirma que, exatamente, 1 ano após a pandemia ser oficialmente reconhecida, o País registrou 10,3% das mortes do mundo por Covid-19, sendo que tem apenas 3% da população do planeta. “O Brasil se encontra entre os países com piores indicadores, totalizando 11.122.429 casos e 268.370 óbitos”, indica o boletim da Fiocruz.

 

 

Nesta quinta-feira (11), outro recorde marcar a passagem da segunda onda no País. Em 24 horas, 2.233 pessoas foram vítimas do novo coronavírus no País, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Com isso, acumula 272.888 óbitos pela doença e 11.277.717 de infectados.

 

 

O diagnóstico da situação apontada pela Fiocruz é semelhante ao que Jonas Brant, professor, epidemiologista e coordenador da Sala de Situação em Saúde (SDS), da Universidade de Brasília (UnB), disse, em entrevista exclusiva para o Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF).

 

 

 

Brant disse que a Covid-19 está em franca aceleração no Distrito Federal e que o mês de março é, praticamente, o mês de início da segunda onda, que já vinha sendo observada e alertada desde o dezembro do ano passado. O professor avalia que o Governo do Distrito Federal (GDF), bem como todos os demais governos estaduais e municipais, deve decretar severo e rígido lockdown imediato para cortar as linhas de transmissão da doença.

 

 

 

“Desde que começou a pandemia, o País inteiro teve algumas subidas e descidas no ano passado, mas, realmente, este momento talvez seja comparável ao que aconteceu no início de 2020. Ou seja, no ano passado, o vírus entra em cena, causa um número grande de casos e diminui de maneira importante. Aí a gente vê nova subida contínua desde o fim do ano passado, um aumento pequeno e gradual que ganha velocidade agora a partir de fevereiro de 2021”, afirma o pesquisador.

 

 

“Estamos em aceleração e podemos dizer que ainda estamos no começo dessa fase de aceleração maior. Portanto, ainda viveremos um momento importante dos casos no DF, principalmente, durante o mês de março. E é aí, justamente este período, que temos para nos organizarmos e garantirmos que o distanciamento físico aumente, que adequemos as medidas de biossegurança e de fiscalização, realizemos rastreamento de contatos e testagem para que consigamos, realmente, quando reduzir os números de casos, fazermos com que essa redução seja sustentável e possa, gradativamente, ir abrindo as atividades econômicas novamente”, aconselha.

 

 

O Distrito Federal registrou, nesta quinta-feira (11/3), 21 mortes causadas pela Covid-19 e 1.858 novos diagnósticos. De acordo com boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do DF (SES-DF), o número de pessoas infectadas desde o início da pandemia chega a 312.956. Desse total, 292.406 estão recuperados e 5.048 morreram. A taxa de transmissão na capital federal está em 1,2 — 100 pessoas infectadas transmitem o vírus a outras 120.

 

 

 

Vacinas

 

 

Na mesma apresentação, ministro Ricardo Lewandowski comentou que a compra de vacinas contra a doença pelo governo federal é necessária ao afirmar que “não é nenhum favor” adquirir os insumos para a população.

 

 

 

“O que nós esperamos das autoridades é que elas façam um esforço concentrado realmente para adquirir vacinas. É quase que um esforço de guerra, isto não é nenhum favor porque o artigo 196 da nossa Constituição diz o seguinte: ‘a saúde é um direito de todos e é um dever do estado’, portanto, é um dever do Estado”, disse.

 

 

“Precisamos que o Brasil, de maneira muito racional, muito eficiente, que o Brasil comece um processo de vacinação no qual estamos atrasados, para que possamos, se não interromper, então suavizar a curva de transmissão da Covid-19. Não é possível que continuemos a ter informações de vacinação no Brasil por um conglomerado órgão de imprensa. Isso sempre foi feito pelo nosso glorioso PNI [Programa Nacional de Imunização]. E onde está o nosso PNI, que desapareceu? O Ministério da Saúde não nos dá uma informação sobre quantos foram vacinados”, reforçou a médica.

 

Com informações da imprensa comercial

 

 

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